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Quando ganham, vale; quando perdem, questionam? Valdirene expõe contradição no discurso bolsonarista sobre as urnas.

há 19 horas
3 min de leitura

Por Addison Viana



FOTO: Reprodução - Candidata a vice-governadora do Espírito Santo em 2026, na chapa de Helder Salomão (PT), no primeiro turno chama a atenção para o comportamento de setores bolsonaristas que questionam a legitimidade do processo eleitoral quando são derrotados.




RESUMO: Em vídeo publicado nas redes sociais, Valdirene Bernardino (PT) critica a postura de setores do bolsonarismo em relação às urnas eletrônicas. Ela aponta que, quando os resultados eleitorais são desfavoráveis, surgem questionamentos sobre a segurança do sistema e acusações de fraude. Por outro lado, quando os resultados beneficiam seus candidatos, a desconfiança parece perder força. A crítica levanta um debate sobre coerência no discurso político e respeito às instituições democráticas. Questionar é legítimo, mas acusações de fraude precisam ser sustentadas por provas.



O discurso muda conforme o resultado?



Quando o resultado eleitoral não agrada, voltam as acusações contra as urnas eletrônicas, as cobranças por voto auditável e as suspeitas de fraude. Quando a vitória favorece seus candidatos, porém, esse discurso perde força. É essa contradição que a petista Valdirene Bernardino, conhecida como Professora Valdirene, coloca em evidência em um vídeo publicado nas redes sociais.


Vereadora de São Mateus e candidata a vice-governadora do Espírito Santo em 2026, na chapa de Helder Salomão (PT), no primeiro turno, Valdirene chama a atenção para o comportamento de setores bolsonaristas que questionam a legitimidade do processo eleitoral quando são derrotados, mas não demonstram a mesma disposição para contestar o resultado quando saem vencedores.


A crítica levanta uma pergunta importante: a confiança nas urnas deve depender de quem venceu a eleição?



A desconfiança seletiva e o debate democrático


Ao longo dos últimos anos, questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas se tornaram parte do discurso de lideranças e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em momentos de derrota eleitoral, acusações de fraude e pedidos por mudanças no sistema voltaram a ganhar espaço no debate público.


O problema não está em fiscalizar eleições ou exigir transparência. A auditoria é parte legítima de qualquer processo democrático. A contradição aparece quando a confiança nas instituições parece variar de acordo com o resultado obtido pelo próprio grupo político.


Em uma democracia, candidatos e partidos têm o direito de apresentar questionamentos pelos meios legais. Entretanto, acusações de fraude precisam ser sustentadas por evidências, e não apenas pela insatisfação com uma derrota.



As urnas são fiscalizadas


No Espírito Santo, a Justiça Eleitoral informou que, nas eleições de 2026, 23 urnas eletrônicas passaram por procedimentos de auditoria no primeiro turno. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral, os testes realizados comprovaram a autenticidade dos sistemas eleitorais e a confiabilidade da captação e da contagem dos votos nos equipamentos examinados.


Isso não significa que a fiscalização deva ser dispensada. Pelo contrário: auditorias, transparência e mecanismos de controle são fundamentais para fortalecer a confiança pública.


O que não faz sentido é defender a fiscalização apenas quando o resultado desagrada e ignorar a mesma discussão quando a vitória beneficia o próprio campo político.



Democracia não pode ter resultado sob encomenda


A manifestação de Valdirene Bernardino coloca em evidência uma questão que vai além da disputa entre direita e esquerda: o compromisso com as regras democráticas precisa ser permanente.


O resultado eleitoral não precisa agradar a todos. Em uma democracia, diferentes projetos disputam o voto popular, e a alternância de poder faz parte do processo. O que deve permanecer inegociável é o respeito às regras, às instituições e aos resultados oficialmente apurados, sem prejuízo de questionamentos apresentados pelos canais legais.


No fim, a pergunta levantada pela petista é direta: se as urnas são confiáveis quando o resultado favorece um grupo político, por que deixariam de ser quando esse mesmo grupo perde?


A coerência democrática começa quando as regras são respeitadas independentemente de quem vence ou perde.

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