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“Melancia”, “Contarato 2.0” e “bebê reborn envelhecido”: guerra da direita contra Renzo e Meneguelli esquenta a disputa eleitoral no ES.

7 de ago.
5 min de leitura

Por Addison Viana



Foto: Reprodução - Renzo Vasconcelos e Meneguelli são alvos de ataques de políticos bolsonaristas.




A política capixaba entrou em uma nova fase de tensãodurante definição das chapas para as eleições de 2026. O anúncio do PSD de que o partido pretende manter liberdade para decidir seu caminho na disputa pelo governo do Espírito Santo e a confirmação do deputado estadual Sérgio Meneguelli como candidato ao Senado provocaram uma reação imediata de lideranças identificadas com a direita bolsonarista.


O principal alvo foi o presidente estadual do PSD e prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos. Ao lado dele, também entrou na mira dos ataques o próprio Meneguelli, escolhido pelo partido para disputar uma das duas vagas ao Senado que estarão em jogo neste ano.


As críticas vieram principalmente do deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) e do vereador de Vitória Armandinho Fontoura (PL), que utilizaram as redes sociais para atacar os dois integrantes do PSD.


E os ataques vieram acompanhados de apelidos que rapidamente chamaram atenção.



“Prefeito melancia” e “Contarato 2.0”


Em um dos vídeos, Gilvan da Federal questiona publicamente a posição política de Renzo e afirma que o prefeito de Colatina teria escolhido, segundo sua avaliação, “o lado errado da história”.


O deputado também chama Meneguelli de “Contarato 2.0”, numa referência ao senador Fabiano Contarato, e afirma que os dois seriam derrotados nas urnas.


Em outro trecho, Gilvan utiliza a expressão “prefeito melancia” para se referir a Renzo.


O termo foi explicado pelo próprio grupo político que passou a utilizá-lo: a ideia é dizer que o político seria “verde por fora e vermelho por dentro”, numa associação entre a casca verde da fruta e a cor tradicionalmente relacionada ao PT. A expressão, portanto, é usada pelos críticos para insinuar que Renzo teria posições de esquerda ou seria contrário ao bolsonarismo.


O curioso é que o apelido acabou virando também elemento de provocação nas próprias redes sociais.



A melancia virou protagonista de um dos vídeos


Foto: Reprodução/instagram



Gilvan da Federal publicou uma gravação na qual aparece comendo um grande pedaço de melancia. A cena foi utilizada como uma espécie de resposta visual ao apelido atribuído a Renzo Vasconcelos.


No vídeo, o parlamentar questiona se Meneguelli teria disposição para enfrentar o ministro Alexandre de Moraes no Senado e critica o prefeito de Colatina pela condução política do PSD.


Gilvan também cita a saída de Guerino Zanon do partido e afirma que pretende mobilizar a direita contra Renzo e Meneguelli.


Em tom de campanha antecipada, chega a projetar um confronto eleitoral em Colatina em 2028.



Armandinho sobe o tom e cria novos apelidos


Foto: Reprodução/instagram



A reação de Armandinho Fontoura seguiu a mesma linha, mas com uma dose ainda maior de ironia e ataques pessoais.


Em vídeo publicado nas redes sociais, o vereador chama a convenção do PSD de “circo” e se refere a Meneguelli como “bebê reborn envelhecido” e “Michael Jackson de Colatina”.


Também repete a expressão “Contarato 2.0” e chama o prefeito de colatina de “melancia”, utilizando a mesma associação entre a cor verde e o vermelho do PT.


Armandinho ainda questiona a trajetória política de Meneguelli e afirma que pretende trabalhar para derrotá-lo nas urnas.


O conteúdo chama atenção não apenas pelo posicionamento político, mas pela escolha deliberada de apelidos e provocações como estratégia de comunicação nas redes sociais.



PSD mudou o jogo político no Espírito Santo


Por trás da troca de ataques existe uma disputa política maior.


O PSD, comandado no Espírito Santo por Renzo Vasconcelos, havia sinalizado anteriormente aproximação com o Republicanos e apoio à candidatura de Lorenzo Pazolini ao governo estadual. Agora, a decisão é de que o partido se manterá neutro na disputa pelo governo.



Meneguelli agradece a Renzo e reforça a aliança


No vídeo que desencadeou as novas críticas, Renzo aparece ao lado de Meneguelli e anuncia que o deputado é oficialmente o candidato do PSD ao Senado.


O prefeito afirma que a candidatura não representa apenas Colatina, mas todo o Espírito Santo, destacando ainda a possibilidade de o Norte do Estado voltar a ter representação no Senado.


Meneguelli, por sua vez, agradece a Renzo e afirma que o presidente estadual do PSD teria demonstrado “honradez” e “dignidade” ao garantir sua candidatura.


A declaração tem peso político porque Meneguelli já havia vivido uma situação semelhante em 2022, quando sua candidatura ao Senado pelo Republicanos não foi adiante. Em julho deste ano, ele voltou a dizer publicamente que havia articulações para impedir sua candidatura e que confiava na palavra de Renzo e de Kassab.



Quem está por trás dos ataques?


Gilvan da Federal é deputado federal pelo PL do Espírito Santo e uma das vozes mais identificadas com o bolsonarismo no Estado. Ele também ocupa posição de destaque dentro do PL em Vitória e vem atuando publicamente nas discussões sobre as alianças eleitorais de 2026. O Século Diário chegou a descrevê-lo recentemente como uma espécie de porta-voz do partido nas articulações políticas da capital.


Armandinho Fontoura, vereador de Vitória pelo PL, também possui forte atuação nas redes sociais e é conhecido por posicionamentos alinhados à direita.


Os dois, portanto, não são personagens externos à disputa. Fazem parte do grupo político que está tentando influenciar a composição das chapas para as eleições deste ano.



Os processos que envolvem os autores dos ataques


A discussão política também precisa ser contextualizada pelo histórico judicial dos dois políticos — sem confundir processos, condenações, recursos e decisões provisórias.


No caso de Gilvan da Federal, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo manteve, em dezembro de 2025, sua condenação por violência política de gênero contra a então vereadora Camila Valadão. A decisão estabeleceu pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, substituída por penas restritivas de direitos, além de multa.


A decisão também produziu efeitos eleitorais de inelegibilidade. Em julho de 2026, porém, o Tribunal Superior Eleitoral concedeu uma liminar suspendendo provisoriamente esses efeitos, permitindo que Gilvan participe das eleições de 2026 enquanto o mérito do caso ainda é analisado. A condenação, portanto, não foi anulada por essa decisão provisória.


Em março deste ano, Gilvan também se tornou réu no Supremo Tribunal Federal em ação relacionada a declarações feitas contra o comandante do Exército, general Tomás Paiva. A Primeira Turma do STF recebeu denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República por calúnia, injúria e difamação.


Já Armandinho Fontoura foi condenado recentemente pela Justiça por difamação e injúria contra a jornalista Fabiana Tostes. A sentença, divulgada em julho de 2026, estabeleceu dois anos de detenção, substituídos por prestação de serviços à comunidade, além de 420 dias-multa e indenização mínima de R$ 15 mil. A decisão ainda permite recurso.


É importante registrar, contudo, que nem todos os processos envolvendo Armandinho tiveram o mesmo desfecho. Em maio deste ano, por exemplo, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo anulou uma condenação anterior no chamado caso “Dra. Laura”, entendendo que houve cerceamento de defesa.



O que está em disputa vai muito além dos apelidos


A troca de provocações pode parecer apenas uma guerra de vídeos, mas revela uma disputa maior pelo controle político da direita capixaba e pela formação das chapas que disputarão as eleições de outubro.


De um lado, o PSD tenta preservar espaço próprio e sustentar a candidatura de Meneguelli ao Senado. De outro, setores da direita pressionam para que os partidos mantenham uma composição eleitoral alinhada ao campo bolsonarista.


Nesse cenário, Renzo Vasconcelos passou a ocupar uma posição estratégica: além de prefeito de Colatina, é presidente estadual do PSD e participa diretamente das negociações que definirão o desenho das chapas.


Meneguelli, por sua vez, tornou-se uma das peças centrais da disputa pelo Senado.


E os vídeos de Gilvan e Armandinho mostram que a batalha já deixou os bastidores e chegou às redes sociais — com direito a melancia, apelidos, ironias e ameaças de confronto eleitoral.


A convenção passou. Mas, pelo que indicam os ataques, a guerra política está apenas começando.

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