Espírito Santo pode virar referência nacional em tratamento inovador para lesão medular.
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Por Addison Viana

Foto: Divulgação/SESA - O Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue), em Vitória, poderá integrar a segunda fase dos testes clínicos da polilaminina
O Espírito Santo entrou no radar de uma das pesquisas mais promissoras do país na área de lesão medular. O governo estadual colocou sua estrutura de saúde à disposição para participar da nova etapa dos testes clínicos da polilaminina. A decisão pode transformar o Estado em polo estratégico do estudo.
O Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue), em Vitória, poderá integrar a segunda fase dos testes clínicos da polilaminina, substância experimental voltada ao tratamento de pessoas com paraplegia e tetraplegia. O anúncio foi feito nesta terça-feira (25), após o governo do Espírito Santo formalizar o interesse em disponibilizar a estrutura hospitalar para apoiar o avanço das pesquisas.
A iniciativa surge em meio aos resultados considerados animadores nas primeiras análises do composto, que está sendo estudado como alternativa terapêutica para pacientes que sofreram lesão medular. O secretário estadual da Saúde, Tyago Hoffmann, afirmou que o Estado já mantém diálogo com a equipe liderada pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo desenvolvimento da substância.
Como está a pesquisa hoje?
No início deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase 1 dos testes clínicos, realizada em um hospital de São Paulo. Nesta etapa, um grupo reduzido de voluntários recebe a aplicação diretamente na medula, com o objetivo principal de avaliar a segurança do procedimento.
Os participantes precisam ter lesão medular completa — com perda total de movimentos e sensibilidade — e o trauma deve ter ocorrido há, no máximo, 72 horas. Essa fase tem duração estimada de seis meses.
Se os resultados confirmarem a segurança do tratamento, o estudo avança para as fases 2 e 3, quando o número de pacientes e de hospitais participantes aumenta significativamente. É justamente nesse momento que o Espírito Santo poderá ter papel decisivo.
Por que o Heue?
O Heue é referência em atendimento de traumas no Estado, incluindo casos graves de lesão na medula espinhal. Além da estrutura hospitalar, o governo também colocou à disposição equipes técnicas, pesquisadores e a possibilidade de apoio por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
Segundo Hoffmann, a participação capixaba pode ir além da cessão de espaço físico, incluindo colaboração na construção dos protocolos clínicos e, se necessário, apoio financeiro.
Não é milagre: tratamento exige reabilitação
Apesar do entusiasmo com os resultados preliminares, o secretário reforçou que a polilaminina ainda está em fase experimental e não representa cura imediata. Mesmo com eventual aprovação, o tratamento deverá ser associado a um processo rigoroso de reabilitação, com fisioterapia intensiva e acompanhamento multidisciplinar.
Para isso, o governo estuda articular uma rede de atendimento nos municípios, capacitando profissionais para garantir suporte próximo às residências dos pacientes. Hoje, o Estado conta com o Crefes como referência em reabilitação, mas a descentralização do atendimento é considerada essencial.
A possibilidade de o Espírito Santo integrar oficialmente a próxima fase da pesquisa deve ser discutida nesta quinta-feira (26), durante visita da pesquisadora Tatiana Sampaio ao Estado.
























































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