Polícia não descarta a possibilidade de que assassinato tenha ligação com o Caso Araceli.
- Addison Viana
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Por Addison Viana

Foto: Reprodução TV/Vitória - Dante Brito Michelini foi acusado de ser um dos criminosos que sequestraram, abusaram e assassinaram a garota Araceli, de 8 anos de idade, em 1973. Mais tarde, ele e outros dois acusados, foram absolvidos por falta de provas.
Um cenário de horror, isolamento e mistério marca a investigação de um homicídio brutal em Guarapari. O corpo de um homem foi encontrado decapitado dentro de uma propriedade rural de difícil acesso, levantando inúmeras hipóteses e reacendendo lembranças de crimes emblemáticos no Espírito Santo, como o caso Araceli.
A Polícia Civil do Espírito Santo apura um homicídio de extrema violência após o corpo de Dante de Brito Michelini, 76 anos, ter sido encontrado sem a cabeça dentro de um sítio localizado na zona rural de Guarapari. O crime veio à tona no início deste mês, quando equipes policiais chegaram à propriedade e se depararam com um cenário degradado, marcado por incêndio, destruição da residência e sinais claros de ação criminosa.
De acordo com as investigações, a vítima vivia de forma reclusa, praticamente isolada do convívio social. Morador solitário, ele mantinha pouco contato com outras pessoas e saía apenas esporadicamente para adquirir alimentos e itens básicos, geralmente utilizando uma motocicleta. Esse estilo de vida reservado tem dificultado o avanço das apurações, já que há poucas testemunhas diretas sobre sua rotina e relacionamentos.
No local onde o corpo foi localizado, a polícia constatou que a vítima havia sido decapitada com um corte preciso, considerado tecnicamente fino, o que afasta a hipótese de ação de animais. A cabeça não foi encontrada até o momento, apesar de buscas intensas realizadas por equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil e por cães farejadores especializados em localizar restos humanos.
A propriedade, descrita como extensa, cercada por mata fechada e com iluminação precária, passou por varreduras detalhadas. Uma piscina antiga, com água suja e em avançado estado de deterioração, chegou a ser esvaziada durante as buscas, mas nela foram encontradas apenas carcaças de tartarugas. Nenhum vestígio da cabeça da vítima foi localizado na área.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o estado do imóvel. A casa, antiga e bastante desgastada pelo tempo, apresentava sinais de incêndio. Segundo a polícia, há indícios de que alguém tenha ateado fogo ao entorno da residência, o que acabou se alastrando para a estrutura, agravando a destruição e dificultando a preservação da cena do crime.
A perícia técnica confirmou que se trata de um homicídio e apontou que, além da decapitação, o corpo apresenta lesões na região do tórax, possivelmente provocadas por instrumentos perfurantes. O avançado estado de decomposição indica que a morte ocorreu dias antes da descoberta do corpo. A estimativa inicial aponta que o óbito tenha acontecido entre os dias 13 e 20 de janeiro. O dia 13 é considerado uma data-chave, pois foi quando a vítima utilizou o telefone celular pela última vez. Já no dia 20, moradores relataram ter visto fumaça saindo da propriedade.
A polícia trabalha com múltiplas linhas de investigação. Entre elas, estão a análise de possíveis conflitos relacionados à venda do imóvel, já que corretores teriam visitado a propriedade pouco antes do crime, além da apuração sobre quem teve acesso ao local nas semanas anteriores. Pessoas que prestavam serviços esporádicos, como uma mulher responsável por limpezas ocasionais, já foram localizadas e ouvidas.
O grande intervalo de tempo entre a provável data do crime e o início das investigações é considerado um dos principais desafios do caso. Ainda assim, equipes especializadas em homicídios e setores de inteligência seguem mobilizados, utilizando recursos tecnológicos, análise de dados e coleta de informações para reconstruir os últimos passos da vítima.
Pela brutalidade do crime, pela decapitação e pelo simbolismo da cena, investigadores admitem que o caso causa forte impacto e inevitavelmente remete à memória coletiva de crimes históricos de extrema violência no Espírito Santo, como o emblemático caso Araceli. No entanto, a polícia reforça que todas as hipóteses estão sendo analisadas com cautela e rigor técnico.
As autoridades pedem a colaboração da população. Informações que possam ajudar a esclarecer o crime podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque-Denúncia 181. A Polícia Civil afirma que as investigações seguem em ritmo intenso e que novos desdobramentos serão divulgados assim que houver avanços concretos.

























































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