top of page

Casagrande se despede do plenário, sinaliza saída do governo e envia recados diretos para 2026.


Por Addison Viana


Foto: Kamyla Passos/Ales


O último pronunciamento de Renato Casagrande na Assembleia Legislativa como governador teve tom de encerramento e cheiro de campanha no ar. Sem citar nomes, ele criticou o autoritarismo, exaltou o diálogo e deu sinais evidentes de que o comando do Estado deve mudar em breve. O cenário eleitoral de 2026 já começou a ser desenhado.


Na tarde desta segunda-feira (2), durante a sessão solene de abertura do ano legislativo de 2026, o governador Renato Casagrande (PSB) fez seu último discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Espírito Santo como chefe do Executivo. O ato, realizado no plenário da Ales, teve clima de despedida e foi marcado por mensagens políticas com forte pano de fundo eleitoral, em meio à expectativa de que Casagrande deixe o cargo em abril para disputar uma vaga ao Senado.


Logo no início da fala, o próprio governador reconheceu o momento simbólico. Sem rodeios, admitiu que aquele pronunciamento representava uma espécie de encerramento de ciclo. A leitura nos bastidores é clara: caso confirme a renúncia no início de abril, Casagrande não voltará a discursar no plenário como governador, abrindo espaço para que o vice Ricardo Ferraço (MDB) assuma o Palácio Anchieta.


Embora tenha evitado confirmar oficialmente sua candidatura, Casagrande afirmou que a decisão será tomada em março. Já Ricardo Ferraço adotou um tom de cautela e alinhamento político, deixando claro que aguarda a definição do governador para os próximos passos.


O clima de transição foi reforçado por declarações do presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União), que, diante das principais autoridades do Estado, se referiu publicamente a Ricardo como “futuro governador”. A fala foi interpretada como mais um sinal de que a sucessão já está pactuada entre aliados.


Apesar do caráter solene da sessão, Casagrande usou o improviso para ir além do protocolo. Sem mencionar adversários ou eleições, fez críticas duras a modelos de gestão baseados na imposição, na arrogância e no autoritarismo, defendendo que o Espírito Santo não pode retroceder a práticas políticas do passado. Para ele, o diferencial do Estado está na convivência institucional, no respeito às diferenças e na construção de soluções por meio do diálogo.


Ao longo do discurso, o governador destacou que governar exige escuta, humildade e capacidade de convivência com quem pensa diferente. Segundo ele, não há mais espaço para administrações verticais e distantes da sociedade, reforçando que o modelo atual precisa ser horizontal e participativo.


Questionado após a sessão, Casagrande afirmou que suas palavras não foram direcionadas a ninguém em específico, mas representam uma visão moderna de gestão pública. Ainda assim, o conteúdo foi interpretado como um recado claro ao eleitorado e aos atores políticos que já se movimentam para 2026.


Mesmo sem apresentar um balanço detalhado da gestão, o governador lembrou desafios enfrentados ao longo dos últimos sete anos, como a pandemia e eventos climáticos extremos, e apontou a polarização política como um dos maiores obstáculos enfrentados. Também citou avanços em áreas como segurança pública, educação e investimentos, ressaltando que o Espírito Santo recuperou credibilidade e respeito no cenário nacional.


Ao encerrar a fala, Casagrande olhou diretamente para Ricardo Ferraço e deixou uma mensagem que soou como passagem oficial de bastão: afirmou que, se 2025 foi um ano recorde, 2026 tende a ser ainda melhor, já sob a condução do vice.


Ricardo, por sua vez, reforçou o compromisso com a responsabilidade fiscal e disse acreditar que o Estado ainda pode avançar mais. Para Marcelo Santos, a saída de Casagrande marcará uma virada de ciclo e deixará saudade. Da tribuna, o presidente da Ales foi direto: o governador “vai fazer falta” ao Espírito Santo.

 
 
 

Comentários


Leia também:

bottom of page