Adolescente é executado com mais de 50 tiros e polícia revela bastidores da guerra do tráfico na Grande Vitória.
- Addison Viana
- há 2 dias
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Por Addison Viana

Foto: Sesp/ES - Agner dos Santos de Assis, 15 anos, foi assassinado com mais de 50 tiros.
Um homicídio marcado por extrema violência revelou a disputa sangrenta entre facções na Grande Vitória. Após quase dois anos de apuração, a Polícia Civil identificou os autores, prendeu o principal suspeito e indiciou adultos e adolescentes envolvidos. O caso também trouxe à tona crimes paralelos, como cárcere privado, corrupção de menores e violência doméstica.
A Polícia Civil do Espírito Santo concluiu o inquérito que apurou a execução do adolescente Agner Santos de Assis, de 15 anos, assassinado em agosto de 2023 no Morro da Bomba, na região de São Torquato, em Vila Velha. O crime, cometido com mais de 50 disparos de arma de fogo, foi atribuído a integrantes do tráfico de drogas e teve como motivação a disputa pelo controle territorial entre facções criminosas. A investigação foi finalizada após a prisão do principal suspeito, em outubro de 2025, durante uma operação realizada em Cariacica.
Segundo as apurações, o homicídio ocorreu em um período de intensa instabilidade na região, marcada por conflitos armados entre grupos rivais interessados em dominar pontos de venda de drogas. Na época, a área era controlada por uma facção criminosa, que passou a ser alvo de tentativas de retomada por criminosos de fora. Agner, que estaria vinculado ao tráfico local, foi surpreendido em um ponto conhecido como boca de fumo e executado de forma brutal.

Foto: Sesp/ES - Ezequiel dos Santos e Ladislau Vieira.
As investigações apontaram como um dos principais autores Ezequiel dos Santos, conhecido como “Batuta” ou “Batutinha”, considerado de alta periculosidade e com mais de 30 registros policiais por crimes como homicídio, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Outro adulto identificado como participante direto da execução é Ladislau Vieira, conhecido como "Coroa". À época do crime, Batutinha tinha 25 anos e Ladislau, 31.
Além dos dois adultos, a polícia identificou a participação de três adolescentes, com idades entre 14 e 17 anos, que teriam auxiliado na ação criminosa. Um deles morreu posteriormente em confronto com a Polícia Militar, em outubro de 2024, durante uma troca de tiros na qual Batutinha conseguiu fugir. Os outros dois tiveram a internação provisória solicitada junto ao sistema socioeducativo, medida que ainda aguarda decisão judicial.
Durante o andamento das investigações, novos crimes atribuídos a Batutinha vieram à tona. No fim de 2025, a polícia apurou que ele mantinha a companheira em cárcere privado, após ela fugir para uma casa-abrigo por relatar ameaças, violência psicológica e um suposto estupro de vulnerável contra a enteada. O suspeito teria descoberto o paradeiro da mulher e a sequestrado, mantendo-a sob vigilância em Cariacica.
Com apoio da Delegacia Especializada de Colatina, a Polícia Civil localizou o criminoso e cumpriu mandado de busca e apreensão no dia 2 de outubro de 2025. Na ação, Batutinha foi preso, a vítima foi resgatada e uma pistola calibre 9 milímetros, além de munições, foi apreendida. Ele também passou a responder por crimes previstos na Lei Maria da Penha, como ameaça, perseguição e coação processual.
Ao final do inquérito, Ezequiel dos Santos foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, associação criminosa e corrupção de menores. O Ministério Público ofereceu denúncia, e ele se tornou réu na ação penal. Já em relação a Ladislau Vieira, a polícia representou pela prisão preventiva, mas a Justiça optou pela aplicação de medidas cautelares. Até o momento, ele não foi localizado para ser citado formalmente no processo.
A Polícia Civil ressaltou que, apesar do histórico criminal extenso, a legislação brasileira prevê a presunção de inocência até o trânsito em julgado das ações penais, o que explica por que investigados com múltiplas passagens ainda respondem a processos em liberdade. O caso segue como um dos exemplos mais emblemáticos da violência associada à disputa pelo tráfico de drogas na região.

























































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