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Pega no Samba leva fé, ancestralidade e resistência para a avenida no Carnaval de Vitória 2026.


por Addison Viana



Foto: PMV


A tradicional Pega no Samba já definiu o enredo que levará para o Sambão do Povo em 2026. A escola vai transformar a avenida em um espaço de fé, memória e conexão com a natureza ao exaltar o Caboclo Sete Flechas. O desfile promete unir identidade comunitária, reflexão social e celebração cultural.


A escola de samba Pega no Samba anunciou, nesta semana, o enredo que apresentará no Carnaval de Vitória 2026: uma homenagem ao Caboclo Sete Flechas. A proposta foi construída pela agremiação sob a presidência de Dannilo Amon e criação do carnavalesco Jorge Mayko, e será apresentada no Sambão do Povo, com o objetivo de exaltar a espiritualidade popular, valorizar saberes ancestrais e reforçar o vínculo entre cultura, natureza e comunidade.


Fundada em 28 de janeiro de 1976, no bairro Consolação, a Pega no Samba é uma das escolas mais tradicionais do carnaval capixaba. A agremiação nasceu da mobilização popular que deu origem ao antigo Bloco Pega Tudo, criado por moradores da região e impulsionado pela força comunitária. Em 1982, a escola estreou oficialmente nos desfiles e já conquistou destaque ao vencer o Segundo Grupo, iniciando uma trajetória marcada por protagonismo cultural.


Ao longo de sua história, a Pega no Samba construiu uma identidade ligada às periferias, à força do samba raiz e à escolha de temas que dialogam com a realidade social e cultural do povo. Suas cores azul, branco e vermelho representam diversidade, alegria e pertencimento, valores que se refletem tanto na quadra quanto na avenida.


Para 2026, a escola escolheu como fio condutor o Caboclo Sete Flechas, entidade presente nas tradições afro-indígenas e símbolo de proteção, sabedoria e equilíbrio. No enredo, o caboclo surge como guardião da mata e dos povos originários, apontando caminhos de respeito à natureza e às raízes culturais que formam a identidade brasileira.


A narrativa do desfile terá a natureza como protagonista, retratando florestas, rios, ventos e animais como espaços sagrados e morada dos encantados. A proposta dialoga diretamente com os desafios ambientais atuais, reforçando a ideia de que preservar o meio ambiente é também preservar a história, a fé e o futuro coletivo.


As religiões de matriz africana e afro-indígena ganham centralidade no enredo, reafirmando o carnaval como espaço legítimo de expressão espiritual. O desfile se propõe a combater o preconceito religioso, valorizar o axé e transformar o Sambão do Povo em um território de respeito, celebração e resistência cultural.


Mais do que um espetáculo visual, a apresentação da Pega no Samba em 2026 pretende ser um manifesto de identidade, fé e consciência social. Oriunda da periferia, a escola reafirma seu papel no Carnaval de Vitória ao levar para a avenida uma mensagem que conecta passado, presente e futuro, fortalecendo a memória viva que sustenta o samba capixaba.

 
 
 

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