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Rosas de Ouro transforma São Mateus em enredo e faz do Rio Cricaré a alma do Carnaval 2026.


Por Addison Viana




Foto: Léo Silveira


Com um enredo que mistura memória, ancestralidade e cultura, a escola da Serra promete emocionar o público ao contar, em forma de samba, como São Mateus ajudou a moldar o Brasil. O Rio Cricaré surge como fio condutor dessa narrativa histórica e popular.


A escola de samba Rosas de Ouro anunciou que irá homenagear a cidade de São Mateus no Carnaval de 2026, ao levar para o Sambão do Povo o enredo “Cricaré das Origens – O Brasil que nasce em São Mateus”, destacando o papel histórico do Rio Cricaré na formação cultural, social e humana do norte do Espírito Santo. O desfile está marcado para fevereiro de 2026, em Vitória, quando a agremiação retorna ao Grupo Especial.


Fundada em 15 de novembro de 1984, no bairro Serra Dourada III, a Rosas de Ouro nasceu da iniciativa de amigos apaixonados pelo samba, que transformaram um time de futebol amador em escola de samba. Desde então, a agremiação construiu uma trajetória marcada por títulos, ousadia temática e forte ligação com a comunidade serrana.


Logo em sua estreia, em 1985, a escola mostrou a que veio ao conquistar seu primeiro campeonato. Ao longo dos anos, acumulou vitórias importantes em diferentes grupos do carnaval capixaba, consolidando-se como uma das escolas mais tradicionais do Estado. Sob a presidência de Francisco Carneiro Junior, a Rosas de Ouro mantém o compromisso com enredos que dialogam com questões sociais, ambientais e históricas.


Nos últimos carnavais, a escola ganhou destaque ao abordar temas de grande relevância. Em 2024, conquistou o título do Grupo B com o enredo “Gente Floresta”, que trouxe à avenida a defesa do meio ambiente e o protagonismo dos povos indígenas. Já em 2025, ao homenagear o sítio histórico de Carapina, garantiu o terceiro lugar e o retorno à elite do carnaval capixaba.


Para 2026, o carnavalesco Robson Goulart propõe uma viagem no tempo, colocando o Rio Cricaré como personagem principal do desfile. O curso d’água, que corta São Mateus, será retratado como testemunha das transformações do território: da presença indígena original à chegada dos colonizadores europeus, passando pelo período da escravidão e pelas lutas de resistência.


A narrativa também valoriza a contribuição dos povos indígenas e afro-brasileiros na construção da cidade, destacando símbolos históricos de coragem e enfrentamento à opressão, como Zacimba Gaba e Benedito Meia-Légua. A proposta é mostrar São Mateus não apenas como uma das cidades mais antigas do país, mas como um espaço vivo de encontros, conflitos e reinvenções.


Ao transformar história em samba, a Rosas de Ouro pretende emocionar o público e reforçar o carnaval como ferramenta de preservação da memória coletiva. A expectativa é de um desfile grandioso, que una beleza estética, consciência histórica e orgulho capixaba, celebrando São Mateus como berço de múltiplas raízes do Brasil.

 
 
 

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