Chegou o Que Faltava transforma a avenida em espaço de reflexão e faz o Sambão pensar no Carnaval 2026.
- Addison Viana
- há 3 horas
- 2 min de leitura
Por Addison Viana

Foto: Marcos Salles
Mais do que um espetáculo visual, a Chegou o Que Faltava levou filosofia, ancestralidade e reflexão para a avenida. Com um enredo inspirado na cultura iorubá, a escola propôs um olhar sensível sobre escolhas, equilíbrio e identidade no Carnaval 2026.
A escola de samba Chegou o Que Faltava apresentou, na madrugada deste domingo (8), no Sambão do Povo, em Vitória, um desfile marcado por reflexão e consciência, ao levar para a avenida um enredo que tratou da importância do equilíbrio espiritual, mental, emocional e físico como guia para a vida. A proposta, apresentada no Carnaval 2026, reforçou a maturidade artística da agremiação e o desejo de alcançar um feito inédito em sua trajetória.
Com as cores azul, rosa e branco, a escola desenvolveu o enredo “Orí – Sua Cabeça é Seu Guia”, inspirado na cosmovisão iorubá. A narrativa convidou o público a enxergar a cabeça humana para além do aspecto biológico, apresentando-a como centro de pensamento, memória, fé e ancestralidade — espaço simbólico onde se constroem decisões e caminhos.
A leitura conceitual ganhou forma na avenida por meio de alas e alegorias que conectaram passado, presente e futuro, destacando a herança cultural africana e sua influência na construção da identidade humana. O desfile apostou em uma linguagem estética sensível, unindo filosofia, espiritualidade e arte em um mesmo compasso.
Sob a liderança do presidente Rafael Siqueira Cavalieri, a escola contou com uma bateria afinada e potente, comandada pelos mestres Alcino Júnior e Jorge Borges, que sustentaram o ritmo com precisão. À frente dos ritmistas, a rainha de bateria Thalita Zampirolli chamou atenção pela presença marcante e pela sintonia com a proposta do enredo.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Couti e Amanda Ribeiro, conduziu o pavilhão com leveza, elegância e segurança coreográfica, reforçando a identidade visual e simbólica da apresentação. O trabalho do carnavalesco Roberto Monteiro deu o tom do desfile ao traduzir, de forma sensível, fundamentos da cultura iorubá para a linguagem do carnaval.
Entre os componentes, o sentimento era de pertencimento e orgulho. Integrantes destacaram o acolhimento da escola e a força do enredo, que abordou temas ligados à intelectualidade, à ancestralidade negra e à construção do pensamento ao longo das gerações.
Fotos: Marcos Salles
Nos bastidores e na arquibancada, a percepção era de crescimento. A comunidade compareceu em peso, e a procura por fantasias superou expectativas, reflexo de um trabalho contínuo de fortalecimento da agremiação. Para a direção, o desfile representou um novo patamar da escola, tanto em tamanho quanto em ambição.
Na plateia, o público respondeu com atenção e emoção. Muitos destacaram que a apresentação foi além do entretenimento, provocando reflexão e mostrando que o samba também pode ser instrumento de consciência, identidade e valorização cultural.
Ao cruzar a linha final do desfile, a Chegou o Que Faltava deixou a avenida com a sensação de dever cumprido: um espetáculo que uniu beleza, conceito e ancestralidade, reafirmando que, no carnaval, pensar também é um ato de celebração.
Fonte: Site/PMV





































































Comentários