Com o dia clareando, Andaraí fecha o Carnaval 2026 e transforma a própria história em um desfile de arrepiar.
- Addison Viana
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Por Addison Viana

Foto: Marcos Salles
O Sambão do Povo viveu um encerramento marcado por emoção, memória e pertencimento. Com o céu já claro, a Andaraí levou para a avenida um desfile que celebrou quase 80 anos de resistência cultural. Comunidade, fé e identidade deram o tom da despedida do Carnaval 2026.
A Andaraí foi a responsável por encerrar os desfiles do Carnaval 2026 na manhã deste domingo (8), no Sambão do Povo, em Vitória. Com o dia já amanhecendo, a escola entrou na avenida como última agremiação da programação e apresentou um desfile que revisitou sua própria história, emocionando componentes e público ao transformar memória coletiva em espetáculo.
Fundada em 1º de dezembro de 1946, a escola levou para a passarela o enredo “01/12/1946”, que narrou sua trajetória desde a origem até os dias atuais. Sob a presidência de Thiago Bandeira e com desenvolvimento artístico do carnavalesco Alex Santiago, a Andaraí construiu uma narrativa que uniu espiritualidade, ancestralidade e vida comunitária, exaltando a cultura popular como base de sua identidade.
Foto: Marcos Sales
O início do desfile foi marcado por uma leitura simbólica do nascimento da escola, representado por elementos cósmicos, signos e entidades ancestrais, em referência à proteção espiritual que acompanha a agremiação desde sua criação. Ao longo da apresentação, a história se deslocou para o território do Mulembá, hoje bairro Santa Martha, berço da escola e cenário de manifestações culturais como o futebol de várzea, a batucada, a fé popular e as cores verde e rosa que identificam a Andaraí.
Na avenida, o clima era de emoção visível. Integrantes relataram arrepio, nervosismo e orgulho por fazer parte do momento final do carnaval. Para muitos, desfilar pela Andaraí representa mais do que vestir uma fantasia: é pertencer a uma comunidade que constrói o carnaval com base no afeto e no trabalho coletivo.
A experiência também marcou presença. Integrantes veteranos destacaram o caráter voluntário da festa e o papel da escola como espaço de preservação cultural. Para eles, a bateria formada majoritariamente por moradores da comunidade simboliza a essência do samba feito “pé no chão”, com verdade e compromisso com as origens.
Histórias pessoais de superação e recomeço também ganharam espaço no desfile. Para alguns componentes, a passagem pela avenida representou o fechamento de ciclos e o início de novas etapas na vida, reforçando o carnaval como espaço de reconstrução e pertencimento.
O trabalho desenvolvido ao longo do ano foi lembrado como fator determinante para a apresentação. Ensaios intensos, alinhamento entre alas e comissão de frente e a preocupação em entregar um desfile harmônico e envolvente deram segurança à escola no momento decisivo.
Quem acompanhava das arquibancadas e camarotes também sentiu o impacto da apresentação. Mesmo após horas de desfiles, a Andaraí conseguiu renovar a energia do público e manter a atenção até o último acorde, já sob a luz da manhã, encerrando o carnaval com forte carga simbólica.
Ao levar para a avenida sua história, suas raízes e sua ligação com a cultura afro-brasileira e a espiritualidade popular, a Andaraí reafirmou o carnaval como espaço de memória, educação e afirmação social. No amanhecer do Sambão do Povo, a escola não apenas fechou os desfiles de 2026, mas deixou um legado emocional profundamente conectado ao povo capixaba.





































































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