Do Sambão para a reciclagem: o outro lado da folia.
- Addison Viana
- há 4 horas
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Por Addison Viana

Foto: Glacieri Carraretto - Presente desde os ensaios técnicos até os dias oficiais de desfile, a equipe do projeto atua orientando integrantes das escolas e o público sobre como descartar fantasias
O Carnaval de Vitória 2026 começa com samba no pé e responsabilidade ambiental. Uma iniciativa já tradicional da capital capixaba reforça que a festa não termina quando a última escola deixa a avenida. Sustentabilidade, inclusão e reaproveitamento seguem no centro da folia.
Com a abertura oficial do Carnaval de Vitória 2026, na noite desta sexta-feira (6), o Sambão do Povo volta a ser palco não apenas de desfiles e emoção, mas também de consciência ambiental. A Prefeitura de Vitória, por meio do projeto Recicla Folia, deu início a mais uma edição da iniciativa que recolhe fantasias e adereços utilizados pelas escolas de samba, garantindo o descarte correto e o reaproveitamento dos materiais após a passagem das agremiações.
Presente desde os ensaios técnicos até os dias oficiais de desfile, a equipe do projeto atua orientando integrantes das escolas e o público sobre como descartar fantasias, alegorias e elementos cenográficos no momento da dispersão. A ação acontece diretamente no Sambão do Povo e envolve servidores, voluntários e parceiros.
Criado em 2009, o Recicla Folia se consolidou como uma das principais iniciativas socioambientais ligadas ao Carnaval da capital. Voluntários conhecidos como “Foliões Ecológicos”, identificados por camisetas do projeto, ficam distribuídos em pontos estratégicos da avenida para receber os materiais doados. Após a coleta, os itens são levados para áreas de armazenamento, onde passam por triagem e separação.
Segundo a coordenação do projeto, o impacto vai muito além da limpeza do espaço. Ao longo dos anos, mais de 50 toneladas de resíduos deixaram de ser descartadas de forma irregular em praias, manguezais e áreas urbanas de Vitória, contribuindo diretamente para a preservação ambiental da cidade.
As fantasias arrecadadas ganham novos significados e usos. Parte do material é destinada a blocos carnavalescos do Espírito Santo e de outros estados, além de grupos culturais, escolas, companhias de teatro, artesãos e iniciativas ligadas à economia solidária. Unidades de saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), também utilizam os adereços em atividades terapêuticas e educativas.
O projeto mantém atuação contínua durante todo o ano. Oficinas, ações educativas e atividades formativas estimulam o reaproveitamento de materiais e o consumo consciente, reforçando a ideia de que resíduos podem se transformar em renda, arte e inclusão social.
Em 2026, o Recicla Folia amplia ainda mais seu alcance com novas parcerias. Uma delas envolve a coleta de tampinhas PET nos camarotes, em colaboração com o Programa Tampinha do Bem, que converte o material arrecadado em recursos para entidades assistenciais. Outra frente transforma resíduos coletados em estruturas e mobiliários sustentáveis utilizados no próprio Sambão do Povo, fortalecendo o conceito de economia circular dentro do evento.
Com isso, o Carnaval de Vitória reafirma que é possível unir festa, cultura popular e cuidado com a cidade, deixando um legado positivo que permanece mesmo depois que o samba silencia.

























































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