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Polícia confirma: corpo sem cabeça e queimado é de absolvido no caso Araceli.


Por Addison Viana


Foto: Divulgação/A Gazeta - Dante, à direita, foi absolvido após ter sido acusado de participar do sequestro, do abuso sexual e da morte de Araceli, de 8 anos, à direita.


Um crime ocorrido há mais de cinco décadas voltou a estremecer o Espírito Santo. A morte violenta de um dos nomes ligados ao caso Araceli reacendeu lembranças, debates e questionamentos sobre um episódio que nunca teve culpados punidos. A Polícia Civil investiga o homicídio.


O homem encontrado decapitado e com o corpo carbonizado em um sítio localizado na região de Meaípe, em Guarapari, na última terça-feira (3), foi identificado como Dante de Brito Michelini, de 76 anos. A confirmação ocorreu nesta quinta-feira (5), após exames realizados pela Polícia Científica, e foi reconhecida por um irmão da vítima, que esteve no local.

Dante foi um dos acusados e posteriormente absolvido no assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, ocorrido em Vitória, em 1973.


A descoberta do corpo aconteceu depois que uma testemunha estranhou a ausência prolongada do proprietário do sítio. Ao verificar a área, encontrou sinais de incêndio e destruição em uma estrutura dentro da propriedade, onde estava o cadáver. Até o momento, a cabeça da vítima não havia sido localizada.


Segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, o caso é tratado oficialmente como homicídio. A causa da morte ainda não foi esclarecida, e as investigações seguem em andamento para identificar as circunstâncias e a autoria do crime.


Dante de Brito Michelini pertencia a uma família tradicional do Espírito Santo, com forte influência histórica no estado. Seu avô, que levava o mesmo nome, é homenageado em uma das principais avenidas da capital capixaba.


O nome de Dante ficou nacionalmente conhecido por sua ligação com o caso Araceli, um dos episódios mais emblemáticos de violência contra crianças no Brasil. Em 1980, ele chegou a ser condenado, mas a decisão foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Após um novo julgamento que se estendeu por anos, os réus acabaram absolvidos por insuficiência de provas, e o processo foi arquivado sem punições.


Ao longo das décadas, familiares evitaram comentar publicamente o assunto. Em uma rara manifestação, registrada nos anos 1990, o pai de Dante afirmou que nem ele nem o filho conheciam Araceli ou sua família, atribuindo a associação ao caso a uma publicação jornalística da época.


O assassinato de Araceli Cabrera Crespo, que tinha apenas 8 anos, marcou profundamente a sociedade brasileira. A menina foi sequestrada, violentada e morta de forma cruel, e o crime permanece sem responsáveis condenados. Em memória da vítima, o dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.


A Polícia Científica do Espírito Santo confirmou que o corpo localizado na última terça-feira (3), na região de Meaípe, em Guarapari, pertence a um homem de 75 anos. A identificação foi concluída após a realização de exame papiloscópico no Instituto Médico Legal (IML), situado em Vitória. Os familiares já foram comunicados oficialmente e a liberação do corpo para os procedimentos fúnebres deve ocorrer ainda nesta quinta-feira (5).


Em comunicado separado, a Polícia Civil do Espírito Santo informou que a ocorrência permanece sob apuração da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari. Até o momento, não houve prisões relacionadas ao caso. A corporação destacou ainda que, por se tratar de investigação em andamento, detalhes sobre as linhas adotadas não serão divulgados neste momento.


Mais de meio século depois, a morte de um dos personagens centrais do caso traz novamente à tona feridas abertas, reforçando o debate sobre impunidade, justiça e proteção à infância no Brasil.


Em nota, a Polícia Civil do Espírito Santo informou ao Café com Política ES, que a ocorrência permanece sob apuração da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari. Até o momento, não houve prisões relacionadas ao caso. A corporação destacou ainda que, por se tratar de investigação em andamento, detalhes sobre as linhas adotadas não serão divulgados neste momento.

 
 
 

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