ANÁLISE | A dura eleição da capital: Pazolini foi "cercado e isolado" mas ganhou no primeiro turno.
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Imagem: Arte Café IA
A história de 2024 se repete e estamos vivendo em um momento onde o desejo de mudança é geracional e necessária para renovação efetiva da política capixaba.
O que aconteceu em Vitória em 2024 não foi uma eleição comum. Foi uma tentativa clara — ainda que não declarada — de impedir uma vitória a qualquer custo.
E falhou.
A reeleição de Lorenzo Pazolini em primeiro turno desmonta uma lógica antiga da política capixaba: a de que, quando o sistema se organiza, o resultado é previsível. Desta vez, não foi.
O cenário era de cerco.
De um lado, Capitão Assunção, puxando votos de um eleitorado forte e ideologicamente mobilizado. Do outro, figuras tradicionais como Luiz Paulo Vellozo Lucas e João Coser, com recall, estrutura e história. Na linha de frente da esquerda, Camila Valadão, com militância ativa e discurso organizado.
Não era apenas uma disputa. Era uma convergência.
E por trás, como pano de fundo inevitável, a força política do Palácio Anchieta — com sua capacidade de articulação, influência e peso institucional.
A pergunta que ecoava nos bastidores era simples: como impedir uma vitória em primeiro turno?
Fragmenta. Divide. Pressiona. Isola.
Essa parecia ser a estratégia.
Mas esqueceram de um detalhe essencial: a cidade não vota em estratégia. Vota em realidade.
Enquanto o jogo político acontecia nos bastidores, Vitória estava sendo transformada na superfície. Obras acontecendo, espaços sendo recuperados, serviços funcionando, a máquina girando com recursos próprios. Sem espetáculo. Sem alarde. Mas com consistência.
E isso tem um efeito devastador contra qualquer tentativa de cerco político: cria uma blindagem que não vem de acordos — vem da percepção popular.
Quando o eleitor olha para a rua, para o bairro, para a própria rotina e percebe melhora concreta, ele muda o critério. A narrativa perde força. O ataque perde impacto. A tentativa de isolamento vira ruído.
Diferente de outros cenários da Grande Vitória, onde o ambiente foi mais controlado — como no caso de Euclério Sampaio — aqui houve confronto direto, múltiplas forças atuando ao mesmo tempo e um objetivo claro: impedir a consolidação.
E mesmo assim, vitória no primeiro turno.
Isso não é trivial. Isso é ruptura.
Porque revela algo que incomoda profundamente a lógica tradicional do poder: quando a gestão entrega de verdade, o controle político perde eficácia.
Quando o gestor revela um modelo diferente do sistema da velha política, ele vira alvo mas a resposta do povo é histórica, sempre vão preferir a renovação.
Não se trata de defender nomes. Trata-se de reconhecer um fenômeno.
Tentaram impedir. Tentaram dividir. Tentaram desgastar.
Mas a cidade decidiu.
E quando a cidade decide, não há articulação suficiente que reverta o resultado.
No estado , a chance de vivermos o mesmo que Vitória é real.
Tanto que para garantir músculos no jogo político , Ricardo teve que ser alçado governador bem antes da saída do governador Renato Casagrande.
O cenário demonstra que todos os players foram retirados para dar tamanho em números para Ricardo nas pesquisas e mesmo assim não o colocam como primeiro de forma real.
Ricardo Ferraço é um candidato tão pesado que nunca se viu uma engenharia política tão intensa para o alçar e mesmo assim, sem debate e com muito mais estrada e desgaste ainda não explorados, o mesmo não traduz um sentimento de Vitória real.
A eleição em Vitória em 2024 deixou um recado claro: o sistema pode até tentar escolher o jogo.
Mas quem decide o resultado — no fim — ainda é o eleitor.
























































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