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ANÁLISE | Sem o PT, Ferraço pode perder: os 8% que podem decidir o governo do Espírito Santo.

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Imagem Arte Café IA


A disputa pelo governo do Espírito Santo segue se desenhando como uma das mais equilibradas dos últimos anos — e os números mais recentes ajudam a entender por que cada voto pode ser decisivo.


A pesquisa da Real Time Big Data, realizada no dia 16 de março, registrada no TSE sob o número ES-06722/2026, com 95% de nível de confiança, ouviu 2 mil pessoas entre os dias 13 e 14 de março de 2026.


No cenário com três candidatos, há um empate técnico: Ricardo Ferraço (PSB) com 35%, Lorenzo Pazolini (Republicanos) também com 35%, e Hélder Salomão (PT) com 8%.


À primeira vista, os 8% podem parecer modestos — mas, em um cenário de empate absoluto, esse contingente se torna potencialmente decisivo para o segundo turno.


O quadro ganha ainda mais complexidade quando se observa o cenário ampliado, com a entrada de Magno Malta. Nesse caso:


  • Ricardo Ferraço aparece com 33%;

  • Lorenzo Pazolini cai de 35% para 27%;

  • Magno Malta surge com 15%;

  • Hélder Salomão permanece com 8%.


Esse movimento revela dois pontos estratégicos importantes:


1. Fragmentação da direita no primeiro turno

A queda de Lorenzo Pazolini com a entrada de Magno Malta mostra que há uma divisão clara dentro do campo conservador. No entanto, essa fragmentação tende a ser temporária, já que Malta é aliado político de Pazolini. Em um eventual segundo turno, a tendência natural é a recomposição desses votos.


2. Estabilidade do eleitorado do PT

Mesmo com mudanças no cenário, os 8% de Hélder Salomão permanecem estáveis. Isso indica um eleitor fiel, ideologicamente orientado e menos suscetível a oscilações conjunturais — exatamente o tipo de voto que ganha peso decisivo em segundo turno.


E é nesse ponto que surge o principal desafio para Ricardo Ferraço.

Apesar de, em tese, ser a opção mais viável para parte do eleitorado de centro-esquerda em uma disputa contra Lorenzo Pazolini, o desgaste recente com o Partido dos Trabalhadores cria um obstáculo real. A sinalização contrária à aliança e o afastamento institucional reduzem as chances de transferência espontânea desses votos.


Ao mesmo tempo, o cenário favorece Pazolini em um aspecto crucial: Mesmo tendo perdido votos para Magno Malta no primeiro turno, ele tende a recuperá-los integralmente no segundo, consolidando um bloco mais coeso à direita.


Isso leva a uma conclusão técnica importante:


  • Pazolini tende a chegar ao segundo turno com uma base ideológica mais consolidada;


  • Ferraço depende de ampliar sua base — e isso passa, inevitavelmente, pelo eleitorado que hoje está com Hélder Salomão.


Se o PT optar pela neutralidade, o efeito prático pode ser a redução da participação desses eleitores — seja por abstenção, voto branco ou nulo. Em uma disputa projetada para ser extremamente apertada, isso pode desequilibrar o resultado.


Portanto, o cenário indica que os 8% de Hélder Salomão não apenas continuam relevantes — eles se tornam ainda mais estratégicos diante da recomposição da direita em torno de Pazolini.


Para Ricardo Ferraço, o desafio é claro: sem construir pontes — ainda que pragmáticas — com esse eleitorado, ele corre o risco de ver uma vantagem potencial se transformar em ausência de votos.


E, em uma eleição empatada, não conquistar esses 8% pode ser o mesmo que entregar o resultado.

 
 
 

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