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"'Estão levando crianças para a encruzilhada', afirma deputado; oposição rebate e instala nova polêmica na Ales".

15 de jul.
3 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Reprodução/TVALES - O deputado Alcântaro criticou uma visita realizada por alunos ao coletivo cultural Emaranhado, vinculando a atividade ao espetáculo "Encruza".




Uma discussão envolvendo educação, liberdade religiosa e combate ao racismo marcou a sessão da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) desta terça-feira (14). O assunto ganhou destaque após o deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos) utilizar a tribuna para denunciar o que classificou como "doutrinação religiosa" em escolas públicas estaduais


Em resposta, a deputada estadual Camila Valadão (PSOL) usou suas redes sociais para rebater as acusações, em vídeo, afirmou que as informações apresentadas foram retiradas de contexto e saiu em defesa da unidade de ensino e do projeto pedagógico desenvolvido com os estudantes.


Alcântaro Filho afirma que atividade influenciou estudantes


Durante seu pronunciamento, o deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos) afirmou ter recebido relatos de um pastor de Aracruz sobre uma estudante de 12 anos que, segundo ele, teria decidido mudar de religião após participar de atividades promovidas pela escola onde estuda.


O parlamentar declarou que visitou a família da adolescente e disse ter ouvido da própria estudante que o ambiente escolar teria influenciado sua decisão.


Com base nesse relato, Alcântaro criticou uma visita realizada por alunos ao coletivo cultural Emaranhado, vinculando a atividade ao espetáculo "Encruza". Segundo o deputado, a ação representaria uma forma de influência religiosa sem o conhecimento ou autorização das famílias.


O parlamentar também afirmou que protocolou ofícios junto à Secretaria de Estado da Educação (Sedu) e ao Governo do Estado solicitando esclarecimentos sobre o caso. Além disso, anunciou o lançamento de um abaixo-assinado intitulado "Escolas sem doutrinação", convidando a população a aderir ao movimento.


Camila Valadão contesta denúncia e defende projeto pedagógico


Foto: Reprodução/TVALES - Segundo a parlamentar Camila Valadão, a atividade mencionada integra um projeto pedagógico desenvolvido pela Escola Estadual Primo Bitti, fundamentado na Lei Federal nº 10.639/2003.




Logo após a manifestação, a deputada Camila Valadão utilizou a tribuna para apresentar uma versão diferente dos acontecimentos.


Segundo a parlamentar, a atividade mencionada integra um projeto pedagógico desenvolvido pela Escola Estadual Primo Bitti, fundamentado na Lei Federal nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas.


Ela explicou que a iniciativa faz parte de uma disciplina eletiva voltada às relações étnico-raciais e ao combate ao preconceito, destacando que a visita externa ocorreu mediante autorização prévia das famílias.


Ainda de acordo com Camila, os estudantes visitaram a escola de samba Unidos da Piedade e o coletivo cultural Emaranhado. A deputada afirmou que o espetáculo "Encruza", citado durante o discurso de Alcântaro Filho, sequer foi assistido pelos alunos e que o material apresentado na tribuna correspondia apenas a um panfleto de divulgação da apresentação artística.


Para a parlamentar, associar o coletivo cultural a um templo religioso representa uma interpretação equivocada dos fatos.


Parlamentar alerta para impactos do discurso


Em seu pronunciamento, Camila Valadão também afirmou que discursos que colocam em dúvida o trabalho das escolas podem estimular ataques às instituições de ensino.


Ela lembrou que a Escola Estadual Primo Bitti foi palco de um massacre ocorrido há quatro anos e defendeu que o debate público seja conduzido com responsabilidade.


A deputada reafirmou apoio a políticas de educação antirracista, ressaltando que esse tipo de conteúdo é previsto na legislação brasileira e integra o currículo escolar.


Caso pode gerar novos desdobramentos


Com posições completamente divergentes, o tema deve continuar repercutindo na Assembleia Legislativa.


De um lado, Alcântaro Filho sustenta que houve influência religiosa indevida sobre estudantes e cobra providências do poder público. Do outro, Camila Valadão afirma que a atividade teve caráter exclusivamente pedagógico e acusa o deputado de apresentar informações descontextualizadas.


O Café com Política ES fez contato com a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Educação, abrindo espaço para um possível posicionamento, mas até o fechamento desta matéria, a reportagem não recebeu retorno da solicitação.

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