REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL VOLTA AO CENTRO DO DEBATE NO ES: especialistas divergem e dados acendem alerta.
- há 5 horas
- 2 min de leitura
Por Addison Viana

Foto: Paula Ferreira - O encontro, promovido pela Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado, reuniu autoridades da segurança pública e do sistema de Justiça.
Tema polêmico, números fortes e opiniões divididas. A discussão sobre adolescentes no crime ganhou novos contornos no Espírito Santo. E o que veio à tona pode mudar o rumo do debate.
A redução da maioridade penal foi o foco de uma reunião realizada na terça-feira (5), na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, em Vitória. O encontro, promovido pela Comissão de Segurança e Combate ao Crime Organizado, reuniu autoridades da segurança pública e do sistema de Justiça para discutir os limites da legislação atual e os caminhos para lidar com adolescentes envolvidos em crimes.
Debate expõe tensão entre proteção e punição
O presidente da comissão, Danilo Bahiense (PL), abriu o debate destacando que o crescimento da participação de menores na criminalidade exige uma análise mais profunda.
Segundo ele, organizações criminosas estariam recrutando adolescentes justamente por conta das punições mais brandas previstas na legislação atual, o que, na visão do parlamentar, compromete o combate à reincidência.
Dados revelam cenário complexo
Durante a reunião, o delegado Fábio Pedroto trouxe números que chamaram atenção: cerca de 40% dos adolescentes atendidos no sistema socioeducativo apresentam problemas de saúde mental e histórico de evasão escolar.
Para ele, o problema vai muito além da punição. Fatores como desestrutura familiar, abandono e dificuldades socioeconômicas têm peso decisivo no envolvimento com atos infracionais.
Queda nos casos e perfil dos jovens
Já o defensor público Douglas Admiral Louzada destacou uma redução significativa nos processos envolvendo adolescentes em Vitória, além da diminuição no número de jovens cumprindo medidas socioeducativas.
Ele também chamou atenção para o perfil desses adolescentes: a maioria vive em áreas de maior vulnerabilidade social, possui baixa escolaridade e é, em grande parte, composta por jovens negros.
Escola como ponto-chave
O major Eliandro Claudino defendeu que a prevenção precisa começar antes do crime. Para ele, a escola deve ser fortalecida como espaço de políticas públicas, com apoio de profissionais além dos educadores, ampliando o olhar sobre crianças e adolescentes em situação de risco.
Posição do presidente da comissão
Ao final da reunião, Danilo Bahiense reafirmou seu posicionamento favorável à redução da maioridade penal, mas também destacou que o enfrentamento do problema passa por investimentos em políticas públicas e no fortalecimento da estrutura familiar.
Ele ressaltou ainda que pobreza, por si só, não leva ao crime, mas a ausência de suporte e oportunidades pode abrir caminho para isso.
























































Comentários