Rejeição inédita no STF provoca reação imediata de lideranças do ES.
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Por Addison Viana

Foto: Reprodução/TV Senado
A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) gerou forte repercussão entre políticos do Espírito Santo. Enquanto aliados do governo criticam a decisão e falam em retrocesso institucional, oposicionistas celebram o resultado como uma vitória contra o que chamam de “abusos do sistema”.
O Senado Federal rejeitou, na noite de quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O placar foi de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, em votação secreta.
Esta é a primeira vez desde 1894 que o Senado barra um indicado presidencial para a Suprema Corte — um marco histórico que obriga o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a encaminhar um novo nome para a vaga.
Reação no Espírito Santo expõe polarização
A decisão provocou respostas imediatas entre lideranças políticas capixabas, evidenciando a forte polarização entre base governista e oposição.
Oposição comemora e fala em “recado”
O senador Magno Malta (PL) celebrou a rejeição e associou o resultado aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em vídeo publicado nas redes sociais, classificou o momento como um “grande dia” e disse que a votação representa um gesto de justiça e memória para os envolvidos.
Já o deputado federal Evair de Melo (PP) afirmou que a decisão vai além de um nome específico. Segundo ele, trata-se de um posicionamento contra um sistema que, em sua visão, “vinha passando por cima de tudo”. O parlamentar destacou ainda que o resultado envia um recado claro de rejeição a imposições políticas.
Governistas criticam e alertam para riscos
Na base aliada, o tom foi de crítica e preocupação. O deputado federal Hélder Salomão (PT) afirmou que o Senado “virou as costas para o povo brasileiro” e acusou grupos oposicionistas de comemorarem uma decisão que, segundo ele, abre espaço para pautas como anistia a envolvidos em atos antidemocráticos.
A deputada federal Jackeline Rocha (PT) também se manifestou nas redes sociais, classificando a rejeição como uma perda institucional e destacando que Messias seria um nome qualificado para o STF. Para ela, a decisão representa um movimento político que pode enfraquecer as instituições democráticas.
Contexto e impacto político
A rejeição ocorre após a aprovação do nome de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde obteve 16 votos favoráveis e 11 contrários. No entanto, no plenário, o cenário mudou, revelando articulações políticas mais amplas.
O episódio evidencia tensões entre Executivo e Legislativo e reforça o papel do Senado como instância decisória final nas indicações ao STF.
Quem é Jorge Messias
Natural de Pernambuco, Jorge Messias tem 45 anos e ocupa o cargo de advogado-geral da União desde 2023. Ele é considerado um nome de confiança do presidente Lula e atuou diretamente na defesa jurídica de pautas estratégicas do governo.
Principais pontos da trajetória:
Servidor público desde 2007
Passagens por órgãos como Banco Central e BNDES
Atuou como subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência
Participou da equipe de transição do governo Lula
Liderou ações importantes no STF, incluindo disputas sobre política fiscal
Messias também ganhou destaque por sua atuação na defesa das instituições democráticas após os ataques de 8 de janeiro.
Um marco na relação entre poderes
A rejeição do nome de Jorge Messias marca um momento raro na história política brasileira e sinaliza uma nova dinâmica na relação entre Executivo e Senado. Mais do que uma decisão sobre um indicado ao STF, o episódio expõe disputas políticas profundas e antecipa novos embates em torno da próxima indicação à Corte.


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