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Rejeição inédita no STF provoca reação imediata de lideranças do ES.

  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Reprodução/TV Senado



A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) gerou forte repercussão entre políticos do Espírito Santo. Enquanto aliados do governo criticam a decisão e falam em retrocesso institucional, oposicionistas celebram o resultado como uma vitória contra o que chamam de “abusos do sistema”.


O Senado Federal rejeitou, na noite de quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O placar foi de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, em votação secreta.


Esta é a primeira vez desde 1894 que o Senado barra um indicado presidencial para a Suprema Corte — um marco histórico que obriga o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a encaminhar um novo nome para a vaga.


Reação no Espírito Santo expõe polarização


A decisão provocou respostas imediatas entre lideranças políticas capixabas, evidenciando a forte polarização entre base governista e oposição.


Oposição comemora e fala em “recado”


O senador Magno Malta (PL) celebrou a rejeição e associou o resultado aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em vídeo publicado nas redes sociais, classificou o momento como um “grande dia” e disse que a votação representa um gesto de justiça e memória para os envolvidos.


Já o deputado federal Evair de Melo (PP) afirmou que a decisão vai além de um nome específico. Segundo ele, trata-se de um posicionamento contra um sistema que, em sua visão, “vinha passando por cima de tudo”. O parlamentar destacou ainda que o resultado envia um recado claro de rejeição a imposições políticas.


Governistas criticam e alertam para riscos


Na base aliada, o tom foi de crítica e preocupação. O deputado federal Hélder Salomão (PT) afirmou que o Senado “virou as costas para o povo brasileiro” e acusou grupos oposicionistas de comemorarem uma decisão que, segundo ele, abre espaço para pautas como anistia a envolvidos em atos antidemocráticos.


A deputada federal Jackeline Rocha (PT) também se manifestou nas redes sociais, classificando a rejeição como uma perda institucional e destacando que Messias seria um nome qualificado para o STF. Para ela, a decisão representa um movimento político que pode enfraquecer as instituições democráticas.


Contexto e impacto político


A rejeição ocorre após a aprovação do nome de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde obteve 16 votos favoráveis e 11 contrários. No entanto, no plenário, o cenário mudou, revelando articulações políticas mais amplas.


O episódio evidencia tensões entre Executivo e Legislativo e reforça o papel do Senado como instância decisória final nas indicações ao STF.


Quem é Jorge Messias


Natural de Pernambuco, Jorge Messias tem 45 anos e ocupa o cargo de advogado-geral da União desde 2023. Ele é considerado um nome de confiança do presidente Lula e atuou diretamente na defesa jurídica de pautas estratégicas do governo.


Principais pontos da trajetória:


  • Servidor público desde 2007

  • Passagens por órgãos como Banco Central e BNDES

  • Atuou como subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência

  • Participou da equipe de transição do governo Lula

  • Liderou ações importantes no STF, incluindo disputas sobre política fiscal


Messias também ganhou destaque por sua atuação na defesa das instituições democráticas após os ataques de 8 de janeiro.


Um marco na relação entre poderes


A rejeição do nome de Jorge Messias marca um momento raro na história política brasileira e sinaliza uma nova dinâmica na relação entre Executivo e Senado. Mais do que uma decisão sobre um indicado ao STF, o episódio expõe disputas políticas profundas e antecipa novos embates em torno da próxima indicação à Corte.

 
 
 

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