top of page

Quadrilha de luxo usava dados da dark web para furtar apartamentos no ES.

  • há 10 horas
  • 3 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Sesp/ES - Os quatro suspeitos identificados (foto) tiveram prisão preventiva decretada. Um quinto integrante ainda não foi localizado.




Uma investigação da Polícia Civil do Espírito Santo revelou detalhes de uma sofisticada organização criminosa especializada em furtos a apartamentos de luxo. O grupo, formado por homens e mulheres bem vestidos e com atuação em diversos estados do Brasil, utilizava informações obtidas na Dark Web para selecionar vítimas de alto poder aquisitivo. Um dos crimes ocorreu em março de 2023, na Praia da Costa, em Vila Velha, onde os criminosos invadiram um apartamento de frente para o mar e levaram joias, dinheiro e objetos de valor avaliados em mais de R$ 700 mil.


De acordo com os investigadores, a quadrilha atuava de forma estratégica e silenciosa. Antes das ações, os suspeitos acessavam plataformas clandestinas hospedadas fora do Brasil para obter dados pessoais das vítimas, como endereço, telefone, informações do condomínio, veículos registrados e até declarações financeiras. Com essas informações, o grupo identificava imóveis de luxo e estudava a rotina dos moradores antes de agir.


A operação criminosa era marcada pela discrição. Integrantes chegavam aos condomínios usando roupas sofisticadas, aparentando serem moradores ou visitantes frequentes. Em um dos casos investigados, duas mulheres entraram no prédio alegando que visitariam uma familiar no apartamento 301. A zeladora, que substituía o porteiro naquele momento, desconfiou da situação, mas acabou permitindo a entrada após ser pressionada pelas suspeitas.


Após entrarem no edifício, as criminosas circulavam pelos corredores à procura de apartamentos vazios. Quando confirmavam que não havia ninguém no imóvel, arrombavam a porta usando ferramentas escondidas nas roupas. A ação durava cerca de 20 a 40 minutos. Em seguida, o grupo deixava o local com malas cheias de objetos de valor enquanto comparsas aguardavam em veículos alugados estacionados nas proximidades.


Segundo a Polícia Civil, os criminosos permaneciam no Espírito Santo por apenas uma noite. Eles se hospedavam em pousadas, pagavam em dinheiro e partiam logo nas primeiras horas do dia seguinte, dificultando o rastreamento policial. A investigação ganhou força após o rastreamento de um aparelho eletrônico furtado durante uma das ações. O equipamento levou os agentes até uma pousada na região de Manoel Plaza, na Serra.


No local, os policiais descobriram que apenas um dos hóspedes havia apresentado documento: Joel da Silva Santana, 43, apontado como integrante da quadrilha. A partir dele, os investigadores identificaram Rayssa Carneiro Arruda, 21, suspeita de dar suporte logístico ao grupo diretamente de São Paulo. Segundo a polícia, ela auxiliava com reservas, transferências bancárias, contatos telefônicos e receptação dos itens furtados.


Com apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo, os policiais conseguiram identificar também Maria Luísa Silva de Oliveira, 21, e Carolina Arraes de Lima, 24. Fotos encontradas em celulares apreendidos mostravam as suspeitas usando as mesmas roupas utilizadas durante os furtos em Vila Velha. Em algumas imagens, elas apareciam dentro dos próprios condomínios invadidos.


As investigações apontam que a organização criminosa possui atuação nacional e já teria cometido crimes semelhantes na Bahia, Paraná e em outros estados. A polícia também suspeita da existência de uma estrutura familiar dentro do grupo, já que alguns integrantes possuem parentes com extensa ficha criminal por furtos e receptação.


Os quatro suspeitos identificados tiveram prisão preventiva decretada. Um quinto integrante ainda não foi localizado. A Polícia Civil acredita que a divulgação das imagens dos envolvidos pode ajudar na identificação de novos crimes praticados pela quadrilha em diferentes regiões do país.


Além da prisão dos suspeitos, as autoridades reforçaram um alerta importante aos condomínios residenciais. Segundo os investigadores, o grupo se aproveita principalmente de falhas humanas na segurança, utilizando conversas convincentes para enganar porteiros e funcionários. A recomendação é que visitantes sejam sempre confirmados diretamente com os moradores antes de terem o acesso liberado.


A polícia também informou que outras duas ocorrências semelhantes, registradas recentemente na Grande Vitória, seguem em fase avançada de investigação e podem ter ligação com a mesma organização criminosa.



Comentários


Leia também:

bottom of page