Ronan Fisioterapeuta é expulso do PL após ausência em evento de Magno Malta e quebra o silêncio.
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Por Addison Viana

Foto: Reprodução/Instagram - Ronan recebeu 9.074 votos, correspondentes a 37,74% dos votos válidos, enquanto Hans Dettmann, do Republicanos, obteve 9.011 votos. Apenas 63 votos separaram os dois candidatos nas eleições de 2024.
Prefeito de Santa Maria de Jetibá, eleito por apenas 63 votos de diferença, Ronan Zocoloto viu a relação com o PL se deteriorar até chegar à expulsão. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirma que continuará governando sem se submeter a interesses partidários.
De fisioterapeuta a prefeito em uma eleição apertada
Ronan Zocoloto Souza Dutra (Sem partido), o Ronan Fisioterapeuta, não chegou à política depois de décadas ocupando cargos eletivos. Natural de Afonso Cláudio, onde nasceu em 23 de março de 1983, ele é formado em fisioterapia e terapia ocupacional e entrou na disputa eleitoral pela primeira vez em 2024.
A estreia aconteceu pelo Partido Liberal (PL), legenda pela qual disputou a Prefeitura de Santa Maria de Jetibá. E a eleição foi uma das mais apertadas do Espírito Santo naquele ano.
Ronan recebeu 9.074 votos, correspondentes a 37,74% dos votos válidos, enquanto Hans Dettmann, do Republicanos, obteve 9.011 votos. Apenas 63 votos separaram os dois candidatos.
A vitória transformou um estreante nas urnas em prefeito de um dos municípios mais importantes da região serrana capixaba.
Um prefeito eleito pelo PL, mas que passou a circular fora da bolha partidária
O problema começou quando a relação entre Ronan e setores do PL deixou de ser tão confortável quanto durante a campanha.
Eleito por uma legenda identificada nacionalmente com a direita e com o bolsonarismo, o prefeito passou, durante o mandato, a manter diálogo com diferentes grupos políticos.
Entre os interlocutores de sua administração estiveram nomes de diferentes correntes do cenário capixaba. A postura passou a incomodar dirigentes do próprio PL, que passaram a questionar a fidelidade política do prefeito à legenda.
Em junho deste ano, por exemplo, a ausência de Ronan e do vice-prefeito Rafael Pimentel em uma agenda de Magno Malta em Santa Maria de Jetibá provocou críticas públicas da vereadora Eliza Ramlow Soares, também filiada ao PL.
O episódio foi apenas mais um capítulo de uma relação que já vinha se desgastando.
O rompimento ganhou contornos públicos
A crise chegou ao ponto máximo com a decisão do PL de retirar Ronan e Rafael Pimentel de seus quadros.
Segundo a justificativa atribuída ao partido, a medida estaria relacionada a indisciplina partidária, descumprimento de orientações da legenda e divergências em relação aos princípios e ao programa partidário.
A ausência dos dois integrantes da chapa em uma convenção estadual do PL, que discutiu candidaturas da legenda para 2026, também aparece entre os episódios que agravaram a relação.
O caso ganhou repercussão porque Ronan não é apenas mais um filiado: ele é um dos poucos prefeitos eleitos pelo PL no Espírito Santo em 2024. Naquele pleito, a legenda conquistou cinco prefeituras no Estado, entre elas a de Santa Maria de Jetibá.
“Eu não dependo de partido político”, afirma Ronan
Depois da repercussão da expulsão, Ronan decidiu falar diretamente com seus seguidores.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito afirmou que a crise não começou agora e apresentou sua própria versão para o rompimento.
Segundo ele, sua candidatura surgiu de maneira inesperada. Ronan contou que inicialmente o nome escolhido pelo grupo era Renato Potratz, que acabou desistindo da disputa por questões familiares. Foi então que ele colocou o próprio nome à disposição.
O prefeito também afirmou que, desde o início, havia deixado claro que não pretendia reproduzir práticas da chamada “velha política”.
Na avaliação apresentada por Ronan, parte do desgaste surgiu justamente porque ele teria se recusado a transformar a Prefeitura em espaço
para distribuição de cargos por compromissos políticos.
“Não seguiremos na mesma direção da velha política”, afirmou o prefeito no vídeo.
Ronan disse ainda que, sob sua administração, a Prefeitura passou a priorizar pessoas que, segundo ele, estão nos cargos para trabalhar, e não para atender a interesses políticos.
Direita, mas sem dono político
Um dos pontos centrais do pronunciamento foi a tentativa de responder às acusações de que teria abandonado a direita depois de assumir a Prefeitura.
Ronan rejeitou essa interpretação.
No vídeo, ele declarou manter posições políticas de direita e citou como exemplos ser favorável à autodefesa armada, à família tradicional e afirmou ser cristão.
Ao mesmo tempo, fez uma distinção entre suas convicções pessoais e a responsabilidade de administrar uma cidade inteira.
A lógica apresentada pelo prefeito é simples: ele pode manter suas posições políticas, mas não pretende limitar a administração municipal a pessoas que compartilham dessas mesmas ideias.
“Eu não sou prefeito mais só de quem é bolsonarista”, afirmou.
Na sequência, argumentou que uma pessoa precisa ser atendida pela Prefeitura independentemente de votar à esquerda ou à direita.
“Acima dos meus valores pessoais estão os valores da nossa população”
Foi justamente nesse ponto que Ronan tentou estabelecer a principal mensagem de seu pronunciamento.
Segundo o prefeito, conversar com um governador ou qualquer outro político de uma legenda diferente não significa necessariamente abandonar suas convicções.
Para ele, o diálogo institucional tem como objetivo conseguir recursos e investimentos para Santa Maria de Jetibá.
A declaração é especialmente relevante porque o prefeito passou a ser questionado justamente por manter interlocução com grupos políticos diferentes daqueles que tradicionalmente orbitam o PL.
Ronan sustenta que sua prioridade, agora, é a administração municipal.
“Continuaremos conversando com quem quer que seja para trazer o melhor para a nossa cidade”, declarou.
A expulsão não tira Ronan da Prefeitura
Uma questão que passou a circular junto com a notícia da expulsão é se Ronan perderia automaticamente o cargo de prefeito.
A resposta é não.
A filiação partidária e o mandato eletivo são questões juridicamente distintas. Ronan foi eleito prefeito de Santa Maria de Jetibá para o mandato iniciado em 2025 e, portanto, a expulsão do PL não significa, por si só, que ele deixe a Prefeitura.
O próprio histórico recente do prefeito mostra que sua permanência no cargo já foi alvo de uma disputa judicial.
A cassação que terminou revertida pela Justiça Eleitoral
Poucos meses depois da eleição de 2024, Ronan e seu vice foram alvo de ações relacionadas à divulgação de uma suposta pesquisa eleitoral irregular.
Em abril de 2025, a Justiça Eleitoral de primeira instância cassou os diplomas da chapa e determinou a realização de uma nova eleição. A decisão estava relacionada à divulgação de uma pesquisa considerada falsa e à acusação de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
A história, porém, teve outro desfecho.
Em agosto de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo reformou a decisão. Por unanimidade, a Corte manteve os mandatos de Ronan e Rafael Pimentel, entendendo que não havia provas suficientes para estabelecer que a campanha tivesse divulgado a pesquisa ou que o material tivesse interferido diretamente no resultado da eleição.
Ou seja: Ronan chegou a ter a chapa cassada em primeira instância, mas a decisão foi posteriormente derrubada pelo TRE-ES.
De estreante a personagem central de uma crise política
A história de Ronan Fisioterapeuta ganhou uma dimensão que vai muito além da expulsão de um partido.
Em 2024, ele era um desconhecido das urnas e chegou à Prefeitura em uma disputa decidida por apenas 63 votos. Entrou na política pelo PL, uma legenda que teve papel fundamental em sua eleição.
Depois de assumir o cargo, porém, passou a defender uma atuação política mais independente, mantendo portas abertas para diferentes grupos.
Agora, sem o partido pelo qual foi eleito, Ronan tenta transformar a crise em uma reafirmação de sua identidade política.
No vídeo publicado nas redes sociais, sua mensagem foi direta: o mandato, segundo ele, pertence à população de Santa Maria de Jetibá, e não aos dirigentes de uma legenda.
“Não temos em Santa Maria mais um projeto político de poder”, afirmou. “Temos um projeto de homens e mulheres de bem que queiram cuidar do nosso município.”
A expulsão encerra, pelo menos por enquanto, a relação formal entre Ronan e o PL. Mas também abre uma nova etapa na trajetória de um prefeito que entrou na política carregando o número 22 e agora terá de administrar o município sem a legenda que o levou ao Palácio Municipal.
E talvez esteja justamente aí o ponto mais importante dessa história: Ronan não perdeu apenas um partido. Ele terá agora de mostrar se sua força política está na legenda que o elegeu ou na relação que conseguiu construir diretamente com os eleitores de Santa Maria de Jetibá.
As declarações atribuídas ao prefeito nesta reportagem foram extraídas do vídeo publicado por Ronan Zocoloto em suas redes sociais. As acusações e justificativas relacionadas ao conflito partidário são apresentadas como posições das partes envolvidas, sem que sejam tratadas como fatos definitivamente comprovados.
























































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