El Niño acende alerta no Espírito Santo: Defesa Civil prevê mais calor, seca prolongada e risco elevado de incêndios.
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Por Addison Viana

Imagem ilustrativa
O Espírito Santo entrou em estado de atenção diante da previsão de intensificação do fenômeno El Niño. De acordo com uma nota técnica elaborada pela Defesa Civil Estadual, os próximos meses poderão ser marcados por temperaturas acima da média, períodos mais longos de estiagem, redução da umidade do ar e aumento do risco de incêndios florestais, especialmente entre setembro e dezembro.
Embora o comportamento do clima possa variar entre as regiões do Estado, especialistas alertam que o cenário exige planejamento do poder público e colaboração da população para reduzir os impactos sobre o abastecimento de água, a agricultura e o meio ambiente.
O que é o El Niño e por que ele influencia o clima?
O El Niño é um fenômeno provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
Segundo o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Benício Ferrari Júnior, essa alteração modifica a circulação da atmosfera e interfere no deslocamento da umidade sobre a América do Sul. Como consequência, algumas regiões passam a registrar chuvas acima da média, enquanto outras enfrentam períodos mais secos e temperaturas elevadas.
No Espírito Santo, os efeitos não são iguais em todos os municípios. O Estado está em uma faixa de transição climática, o que significa que tanto períodos de estiagem quanto episódios isolados de chuva intensa podem ocorrer durante a atuação do fenômeno.
Defesa Civil prevê estiagem mais longa e aumento das queimadas
A análise técnica da Defesa Civil aponta que o principal cenário esperado é de prolongamento dos períodos sem chuva em boa parte do território capixaba, especialmente nas regiões central, norte e extremo norte do Estado. Esse comportamento aumenta o estresse hídrico, compromete a recuperação da vegetação e favorece a ocorrência de incêndios florestais.
O documento também destaca que a redução dos dias consecutivos de chuva e o aumento dos dias secos criam condições propícias para queimadas de grande proporção, principalmente entre setembro e dezembro, período considerado o mais crítico do ano.
Chuvas intensas também podem acontecer
Apesar da tendência de seca, a Defesa Civil alerta que isso não significa ausência completa de chuva.
A nota técnica ressalta que o El Niño pode provocar precipitações concentradas em áreas específicas, capazes de causar alagamentos, enxurradas e deslizamentos, enquanto outras regiões permanecem enfrentando estiagem. Além disso, o histórico climático mostra que alguns episódios do fenômeno apresentaram comportamento diferente da média, reforçando a necessidade de monitoramento constante.
Governo cria força-tarefa para acompanhar a evolução do fenômeno
Durante a apresentação da nota técnica, o governador em exercício, Ricardo Ferraço (MDB), anunciou a criação de um Centro Integrado de Comando e Controle, reunindo Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, secretarias estaduais e representantes dos municípios.
Segundo ele, o grupo acompanhará semanalmente a evolução do fenômeno climático e divulgará boletins com orientações para a população e para os produtores rurais.
A expectativa do governo é fortalecer a capacidade de resposta diante de possíveis impactos, principalmente nas áreas mais vulneráveis do Estado.
População terá papel decisivo
A Defesa Civil reforça que o enfrentamento dos efeitos do El Niño depende também da participação da sociedade.
Entre as principais recomendações estão:
economizar água sempre que houver orientação dos órgãos públicos;
respeitar eventuais restrições para irrigação agrícola;
não colocar fogo em lixo, terrenos ou vegetação;
construir aceiros em propriedades rurais para impedir a propagação das chamas;
acompanhar os boletins oficiais da Defesa Civil.
Segundo o coronel Benício Ferrari Júnior, medidas simples adotadas pela população ajudam a reduzir o consumo de água e diminuem significativamente os riscos de incêndios durante os períodos mais secos.
Cenário exige atenção até 2027
A nota técnica alerta que os efeitos do El Niño podem ultrapassar o ano de 2026. O documento explica que o déficit de água acumulado no solo pode prolongar os impactos sobre o abastecimento, a agricultura e o risco de incêndios também ao longo de 2027, exigindo planejamento contínuo dos órgãos públicos.
Mesmo diante desse cenário, a Defesa Civil destaca que o Estado está mais estruturado para responder aos eventos climáticos do que em anos anteriores, graças aos investimentos em equipamentos, capacitação, integração entre instituições e fortalecimento dos sistemas municipais de proteção.















































