Violência no trânsito avança no ES e acende alerta: audiência quer cobrar medidas para salvar vidas.
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Por Addison Viana

Foto: Mandato/Camila - Segundo Camila Valadão (PSOL), a discussão vai além da mobilidade e deve ser tratada como uma questão de preservação da vida.
O crescimento dos acidentes e das mortes no trânsito voltou a colocar a segurança viária no centro das discussões no Espírito Santo. Diante desse cenário, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (Ales) promove, nesta quinta-feira, uma audiência pública para reunir representantes da sociedade civil, especialistas e autoridades em busca de soluções que possam reduzir a violência nas ruas e estradas do estado.
O encontro será realizado às 18h30, no Auditório Hermógenes Lima da Fonseca, na sede da Assembleia Legislativa, em Vitória. A iniciativa surgiu a partir de uma solicitação do movimento Justiça por Luísa Lopes, que atua em defesa de um trânsito mais seguro.
Números mostram agravamento da situação
Os dados recentes reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre segurança no trânsito. Informações da Vigilância de Acidentes de Transporte Terrestre do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica (NEVE) apontam que as internações de ciclistas vítimas de acidentes saltaram de 373, em 2024, para 565, em 2025, um aumento superior a 50%.
Outro levantamento, divulgado pelo Observatório da Segurança Pública do Espírito Santo, revela que somente nos seis primeiros meses de 2026 foram registradas 460 mortes em acidentes de trânsito no estado.
Os indicadores preocupam autoridades e entidades ligadas à mobilidade urbana, que defendem a adoção de políticas públicas capazes de reduzir os riscos enfrentados diariamente por quem utiliza as vias.
Proteção aos mais vulneráveis
Segundo a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, deputada estadual Camila Valadão (PSOL), a discussão vai além da mobilidade e deve ser tratada como uma questão de preservação da vida.
A parlamentar destaca que grande parte dessas ocorrências pode ser evitada com investimentos em infraestrutura, educação para o trânsito, fiscalização eficiente e responsabilização de condutas imprudentes.
O foco da audiência será justamente discutir medidas que ampliem a proteção dos usuários mais vulneráveis, como pedestres, ciclistas e motociclistas, que frequentemente sofrem as consequências mais graves dos acidentes.
Mobilização ganhou força após caso que marcou o Estado
O debate também ocorre em um contexto de mobilização social iniciado após a morte da modelo e ciclista Luísa Lopes, atropelada em abril de 2022 por uma motorista que dirigia sob efeito de álcool e em alta velocidade.
O caso se tornou símbolo da luta por mudanças na segurança viária no Espírito Santo e motivou a criação da Lei Estadual nº 12.495/2025, que instituiu a Semana Estadual de Combate à Violência no Trânsito contra Ciclistas e Pedestres, realizada todos os anos em 24 de julho, data de nascimento de Luísa.
Mudança de cultura
Para representantes dos movimentos em defesa da mobilidade ativa, a redução da violência no trânsito depende não apenas de leis mais rígidas, mas também de uma transformação no comportamento da sociedade.
O representante do coletivo Pedalamente, Hudson Lupes, defende que é necessário fortalecer o respeito às normas do Código de Trânsito Brasileiro, que determina prioridade e maior cuidado com os usuários mais vulneráveis das vias. Segundo ele, além de ações dos órgãos públicos, é fundamental que motoristas adotem uma postura mais consciente para reduzir o número de acidentes.
A expectativa é que a audiência reúna propostas que possam contribuir para a construção de políticas públicas voltadas à preservação da vida e à promoção de um trânsito mais seguro para todos.















































