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Conversas com desembargador preso colocam Casagrande no radar da PF.

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Divulgação - Em entrevista, Casagrande afirmou que não houve tentativa de interferir no julgamento. Segundo ele, o pedido foi feito de forma institucional.


Trocas de mensagens entre o governador do Espírito Santo e um magistrado preso passaram a integrar investigação da Polícia Federal. O caso envolve suposta intermediação em processo judicial e pedido de cessão de servidor. Casagrande nega qualquer irregularidade.


Mensagens trocadas em 23 de julho de 2024 entre o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e o desembargador federal Macário Júdice, preso pela Polícia Federal no âmbito do caso TH Joias, foram incluídas em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, concluído em 28 de janeiro, aponta indícios de possíveis trocas de favores e solicita ao ministro Alexandre de Moraes a abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para apurar a conduta do governador. A informação foi divulgada inicialmente pela revista Veja e repercutida pela imprensa capixaba.


De acordo com o relatório, o diálogo ocorreu após decisão desfavorável ao então prefeito de Montanha, André Sampaio, aliado político do governador. Nas mensagens, Casagrande teria encaminhado o caso ao magistrado e questionado se o relator do recurso aceitaria uma ligação para tratar do assunto. Em resposta, Macário sugeriu um encontro, mas o governador afirmou que desejava apenas “agilidade” e “atenção” na tramitação do processo.


Ainda segundo a investigação, cerca de 20 dias depois o desembargador informou que a situação havia sido resolvida, com reversão da decisão judicial. Meses mais tarde, Macário teria solicitado ao governador a cessão de um assessor do governo estadual para atuar em seu gabinete no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Para os investigadores, o conjunto das conversas pode indicar ajuste indevido entre as partes.


Governador nega interferência


Em entrevista, Casagrande afirmou que não houve tentativa de interferir no julgamento. Segundo ele, o pedido foi feito de forma institucional, com o objetivo de acelerar uma definição que impactava a estabilidade administrativa do município em período pré-eleitoral.


Em nota oficial à imprensa, o governador declarou que a conversa foi “republicana e transparente”, realizada por aplicativo de mensagens, e que não houve qualquer solicitação para influenciar o mérito da decisão judicial.


O relatório da PF também aborda relações do desembargador com outras autoridades, incluindo o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar.


O caso agora depende de análise do STF quanto ao eventual envio do pedido de investigação ao STJ, instância competente para apurar governadores.

 
 
 

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