Ex-secretário de Educação critica Nikolas Ferreira e diz que deputado demonstra preconceito contra professores
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Por Addison Viana

Foto: Reprodução/Instagram - Vitor de Angelo afirmou que o debate educacional brasileiro deveria estar concentrado em outros desafios.
Uma declaração do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em defesa do homeschooling provocou reação do ex-secretário de Educação do Espírito Santo, Vitor de Angelo. Em vídeo divulgado nas redes sociais na semana passada, o educador contestou a afirmação do parlamentar de que os pais não deveriam deixar seus filhos nas mãos de um "desconhecido" e afirmou que a fala revela desconfiança e discriminação contra os profissionais da educação.
Ao iniciar sua crítica, Vitor de Angelo afirmou que o debate educacional brasileiro deveria estar concentrado em outros desafios.
"Quem dera a alfabetização fosse imparável. Quem dera a ampliação das escolas em tempo integral e a diminuição da desigualdade de aprendizado fossem as agendas imparáveis da educação", declarou.
O ex-secretário também questionou a forma como Nikolas Ferreira se referiu aos professores. Para ele, ao classificar os educadores como "desconhecidos", o deputado ignora a formação e a qualificação desses profissionais.
"Eu fico pensando quanto de má-fé, de preconceito e de resistência ao novo tem nessa frase, na ideia de que o professor é um desconhecido", afirmou.
Na sequência, Vitor comparou a confiança depositada pela sociedade em outras profissões. Segundo ele, as pessoas entregam suas vidas aos cuidados de médicos, moram em prédios projetados por engenheiros que nunca conheceram pessoalmente e utilizam serviços de diversos especialistas sem questionar sua competência.
"É provável que ele confie nos médicos, é provável que ele confie nos arquitetos e engenheiros, mas ele não confia no professor", criticou.
Outro ponto destacado pelo ex-secretário foi a importância da escola para a convivência social e para a formação cidadã dos estudantes. Na avaliação dele, a educação domiciliar não consegue reproduzir experiências essenciais proporcionadas pelo ambiente escolar.
"O homeschooling jamais teria como substituir o ambiente escolar, porque não se pode pensar em pluralidade dentro de casa, na mesma família", argumentou.
Vitor de Angelo também afirmou que a escola é um espaço fundamental para o contato com diferentes realidades e visões de mundo.
"Não tem como pensar em socialização para além do ambiente familiar estando no ambiente familiar por anos a fio até completar a educação básica", disse.
Durante a manifestação, o ex-secretário ainda lembrou que Nikolas Ferreira já presidiu a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Para ele, a situação reforça a necessidade de atenção na escolha de representantes para cargos de decisão ligados à área educacional.
A troca de críticas reacende o debate sobre o homeschooling no Brasil. Enquanto defensores da modalidade argumentam que os pais devem ter liberdade para conduzir a educação dos filhos em casa, especialistas e educadores sustentam que a escola desempenha um papel insubstituível na formação acadêmica, social e cidadã dos estudantes.
O que é homeschooling e por que o tema gera debate no Brasil?
O homeschooling, também conhecido como educação domiciliar, é um modelo de ensino em que os pais ou responsáveis assumem a responsabilidade pela educação formal dos filhos, sem que eles frequentem regularmente uma escola tradicional.
Nesse sistema, as atividades pedagógicas são realizadas em casa ou em outros ambientes escolhidos pela família. Os conteúdos podem seguir materiais didáticos próprios, plataformas de ensino online, tutores particulares ou metodologias desenvolvidas pelos próprios responsáveis.
Os defensores do homeschooling argumentam que a modalidade permite uma educação mais personalizada, adaptada ao ritmo de aprendizagem de cada criança. Também afirmam que os pais devem ter liberdade para escolher a forma como desejam educar seus filhos.
Por outro lado, especialistas em educação e entidades ligadas ao setor defendem que a escola exerce funções que vão além da transmissão de conteúdos. Entre elas estão a socialização, a convivência com diferentes culturas, opiniões e realidades sociais, além do desenvolvimento de habilidades de interação coletiva.
No Brasil, a educação domiciliar ainda é alvo de discussões jurídicas e legislativas. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o homeschooling não é proibido pela Constituição, mas entendeu que sua prática depende de uma lei específica aprovada pelo Congresso Nacional para regulamentar regras, fiscalização e critérios de acompanhamento dos estudantes.
Desde então, diferentes propostas foram apresentadas no Legislativo, mas o tema continua dividindo opiniões entre parlamentares, educadores, especialistas e famílias interessadas na modalidade.
A discussão voltou ao centro do debate público após declarações recentes de políticos e educadores, reacendendo a controvérsia sobre os limites da participação da família e o papel da escola na formação de crianças e adolescentes.

























































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