Músico pede silêncio e é executado: ex-PM é condenado a 32 anos pela morte de músico em Vitória.
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Redação Café com Política ES

Foto: reprodução - Guilher morreu com um tiro, agonizando enquanto o assassino bebia ao lado do corpo estirado ao chão. A esposa do músico disse que foi impedida pelo assassino de socorrer o marido.
O assassinato do músico Guilherme Rocha, morto após pedir silêncio em um condomínio de Jardim Camburi, em Vitória, voltou ao centro das atenções nesta quarta-feira (20), com a condenação do ex-PM Lucas Torrezani de Oliveira a 32 anos de prisão. O caso, que chocou o Espírito Santo em 2023, terminou com o reconhecimento de homicídio qualificado e abuso de autoridade.

Foto: Reprodução - O ex-PM Lucas Torrezani de Oliveira a 32 anos foi condemado à prisão pelo assassinato do músico Guilherme José Rocha Soares
O Tribunal do Júri de Vitória condenou nesta quarta-feira (20) o ex-policial militar Lucas Torrezani de Oliveira a 32 anos de prisão pelo assassinato do músico Guilherme José Rocha Soares, ocorrido em abril de 2023, no bairro Jardim Camburi, na Capital capixaba. A decisão foi tomada após uma sessão que durou cerca de 15 horas e mobilizou familiares, amigos, advogados, estudantes de Direito e jornalistas no Fórum Criminal de Vitória.
Os jurados acolheram a tese sustentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que apontou que o crime foi motivado por uma discussão banal relacionada a reclamações de barulho no condomínio onde vítima e acusado moravam. Além da condenação por homicídio qualificado, o ex-PM também foi responsabilizado por abuso de autoridade, por utilizar sua condição de policial durante a ocorrência.
A pena estabelecida foi de 30 anos de reclusão pelo assassinato e mais dois anos de detenção pelo abuso de autoridade. O réu ainda foi condenado ao pagamento de R$ 500 mil de indenização à família da vítima.
Crime aconteceu após reclamação de barulho
Segundo as investigações, os conflitos entre moradores e o grupo frequentado por Lucas Torrezani eram recorrentes havia meses. As reuniões aconteciam frequentemente durante a madrugada em áreas comuns do condomínio, com consumo de bebida alcoólica, música alta, conversas em tom elevado e perturbação do sossego.
Na madrugada de 17 de abril de 2023, Guilherme Rocha voltou a reclamar do barulho. Conforme a denúncia apresentada pelo MPES, a situação rapidamente evoluiu para uma discussão.
De acordo com a acusação, Lucas sacou uma arma de fogo e teria intimidado o músico utilizando a condição de policial militar. Em seguida, efetuou o disparo que atingiu Guilherme.
Mesmo ferido, o músico ainda tentou deixar o local, mas caiu próximo à entrada do condomínio e morreu antes de receber atendimento.
Imagens e depoimentos marcaram julgamento
Durante o júri, imagens do circuito interno do prédio foram exibidas aos jurados e ajudaram a sustentar a tese do Ministério Público. Os promotores destacaram que, enquanto a vítima agonizava, o acusado permaneceu segurando um copo de bebida.
A esposa do músico, Janaína Iara Moraes, emocionou o plenário ao relatar os últimos momentos do marido.
“Ouvi o disparo e corri. Quando cheguei, ele estava no chão. Chamei por ele, mas não respondeu”, contou durante depoimento.
Ela também afirmou que foi impedida de prestar socorro porque Lucas teria apontado a arma em sua direção.
Já a síndica do condomínio relatou aos jurados que as reclamações envolvendo barulho eram frequentes e disse ter se sentido intimidada pelo então policial militar em episódios anteriores.
Defesa alegou legítima defesa
Durante o interrogatório, Lucas Torrezani afirmou ter agido em legítima defesa. Segundo ele, Guilherme teria tentado tomar sua arma durante a discussão.
A defesa sustentou que o disparo ocorreu em meio ao conflito físico e informou que irá recorrer da condenação.
O ex-PM está preso desde 2023. Inicialmente, permaneceu detido em unidade da Polícia Militar, mas posteriormente foi transferido para o sistema prisional comum após ser desligado oficialmente da corporação.
Ministério Público diz que condenação representa resposta à sociedade
Após a sentença, o promotor Rodrigo Monteiro afirmou que a condenação representa uma resposta importante contra crimes violentos.
“O resultado não traz a vítima de volta, mas dá à família a sensação de que houve justiça”, declarou.
O caso teve ampla repercussão no Espírito Santo e se tornou símbolo da discussão sobre violência, intolerância e abuso de autoridade.
Para familiares e amigos de Guilherme Rocha, a decisão encerra um capítulo marcado por dor, comoção e cobrança por responsabilização.
























































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