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OPINIÃO | A direita descobriu os trabalhadores… às vésperas da eleição?

  • há 2 horas
  • 2 min de leitura


Redação Café com Política ES


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A votação da PEC que coloca fim à escala 6x1 expôs uma das maiores contradições políticas do Congresso Nacional nos últimos anos.


Durante meses, setores da direita, da extrema-direita e parte do centrão demonstraram resistência ao debate sobre a redução da jornada de trabalho. Muitos classificaram a proposta como inviável, populista, prejudicial à economia e até uma ameaça ao setor produtivo. Parlamentares ligados ao bolsonarismo repetiram diversas vezes o discurso liberal de que patrão e empregado deveriam negociar livremente suas relações de trabalho, sem interferência do Estado.


Mas bastou perceberem que votar contra o fim da escala 6x1 poderia gerar desgaste eleitoral junto à classe trabalhadora para que o discurso mudasse rapidamente.


Agora, numa manobra claramente política, o PL anuncia que defenderá uma proposta ainda mais radical: a escala 4x3, com três dias de folga semanais.


E a pergunta inevitável é: onde estava toda essa preocupação com o trabalhador antes?


A verdade é que boa parte dessa movimentação não nasce de uma súbita consciência social. Nasce do medo de perder eleitorado.

O cálculo político é simples.


Se a direita votar contra a redução da jornada, corre o risco de ser vista como inimiga dos trabalhadores, fortalecendo o discurso do governo Lula justamente em uma pauta popular e de grande alcance social.


Mas se votar a favor do texto original, ajuda diretamente o governo a conquistar uma vitória política importante às vésperas das eleições.


Foi então que surgiu a estratégia: criar uma proposta ainda mais ampla para tentar encurralar o governo e seus aliados.


A lógica é puramente eleitoral.


Se o governo rejeitar a escala 4x3, setores da direita poderão acusar a esquerda de “não querer ajudar de verdade o trabalhador”. Se aceitar, o debate econômico se torna ainda mais complexo e a pressão sobre empresários e setores produtivos aumenta consideravelmente.


Ou seja: a intenção parece menos ligada à defesa do trabalhador e mais ligada à tentativa de criar desgaste político no adversário.


Porque sejamos honestos: implementar imediatamente uma escala 4x3 no Brasil não é algo simples. Exige transição, estudos econômicos, adaptação de setores produtivos, discussão com empresários, sindicatos e especialistas. Até países desenvolvidos enfrentaram dificuldades em processos semelhantes.


Mas no ambiente polarizado de Brasília, a preocupação de muitos parlamentares parece não ser a viabilidade da proposta — e sim quem ficará com o bônus político diante da opinião pública.


No fim das contas, o trabalhador acaba novamente sendo usado como peça de disputa eleitoral.


A esquerda tenta transformar o fim da escala 6x1 em vitrine política para Lula. E parte da direita tenta impedir que o governo capitalize sozinho essa pauta popular, mesmo que para isso precise defender algo que até ontem considerava inviável.


O mais curioso é assistir políticos que passaram anos defendendo menos direitos trabalhistas agora tentando posar como os maiores defensores da redução da jornada no país.


A política brasileira tem dessas ironias.


E o eleitor precisa estar atento para entender quando existe convicção — e quando existe apenas cálculo eleitoral disfarçado de preocupação social.

 
 
 

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