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Lula é ovacionado em Aracruz, assina decretos culturais, critica bolsonarismo e Janja faz alerta sobre “redpill” durante Teia Nacional.

  • há 22 horas
  • 8 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Reprodução Canal Gov/Editada por Café - Lula assinou decretos considerados estratégicos pelo governo federal para a área cultural.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quarta-feira (21), em Aracruz, no Espírito Santo, da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, evento promovido pelo Ministério da Cultura que reuniu milhares de agentes culturais, representantes indígenas, movimentos sociais, parlamentares e autoridades de diversas regiões do país. O encontro aconteceu no Sesc Praia Formosa, em Santa Cruz, e marcou a retomada da Teia Nacional após mais de uma década sem realização. Em um ambiente completamente lotado e com forte apoio do público presente, Lula foi ovacionado diversas vezes ao longo do discurso, que teve críticas ao bolsonarismo, defesa da democracia, combate ao feminicídio, ataques às fake news e anúncios de novas políticas culturais.


A programação contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do ministro da Educação, parlamentares petistas, lideranças indígenas, representantes culturais e integrantes do governo federal. Entre os políticos presentes estavam o deputado federal Helder Salomão, apontado como pré-candidato do PT ao Governo do Espírito Santo, a deputada federal Jack Rocha e o senador Fabiano Contarato.


Ausência de Ricardo Ferraço no evento gerou repercussão


A ausência do governador em exercício Ricardo Ferraço (MDB) no evento chamou atenção nos bastidores políticos. Apesar de não participar da solenidade em Aracruz, Ferraço recepcionou Lula no aeroporto. Segundo ele, o gesto fazia parte do protocolo institucional do cargo. A presença no aeroporto acabou surpreendendo parte da classe política, já que anteriormente havia sido informado que ele não participaria de agendas relacionadas à visita presidencial.


Lula assina decretos e reforça “reconstrução” da cultura


Logo no início da cerimônia, Lula assinou decretos considerados estratégicos pelo governo federal para a área cultural. Entre eles, a recriação e reestruturação do Conselho Nacional de Política Cultural e a criação da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares.


Durante o discurso, o presidente afirmou que o governo trabalha para reconstruir políticas públicas desmontadas nos últimos anos e voltou a fazer críticas diretas à gestão anterior. Segundo Lula, artistas foram perseguidos, a cultura foi criminalizada e houve ataques constantes à Lei Rouanet e ao Ministério da Cultura.


O presidente também destacou o crescimento da rede Cultura Viva, que hoje ultrapassa 16 mil pontos e pontões culturais espalhados pelo país. Lula afirmou que os espaços culturais se transformaram em ferramentas de resistência social, geração de renda e fortalecimento da identidade brasileira.


Lula fala sobre feminicídio, internet e discurso de ódio


Um dos trechos mais aplaudidos do discurso foi quando Lula abordou a violência contra as mulheres. O presidente afirmou que o combate ao feminicídio não depende apenas do endurecimento das leis, mas de uma mudança cultural profunda no país.


Segundo ele, escolas, igrejas, sindicatos e famílias precisam ensinar meninos desde cedo a respeitarem as mulheres. Lula também relacionou o crescimento da violência ao consumo de conteúdos de ódio na internet.


Em outro momento, o presidente demonstrou preocupação com os impactos das redes sociais, dos algoritmos e da inteligência artificial. Lula afirmou que “o ser humano está virando algoritmo” e criticou conteúdos disseminados digitalmente que, segundo ele, estimulam violência, radicalização e desinformação.


O petista também voltou a mencionar o chamado “gabinete do ódio”, acusando grupos ligados ao bolsonarismo de espalharem fake news e ataques contra adversários políticos e artistas brasileiros.


Conversa com Trump e alerta sobre soberania da Amazônia



Foto: Reprodução Canal Gov/Editada por Café - Segundo o presidente, houve discussões sobre cooperação internacional e combate às organizações criminosas.



Lula também fez referências ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar temas ligados à soberania nacional, meio ambiente e combate ao crime organizado.


Segundo o presidente, houve discussões sobre cooperação internacional e combate às organizações criminosas, mas Lula afirmou que o Brasil precisa defender sua soberania e evitar interferências externas.


Em uma das falas mais repercutidas do evento, o presidente questionou: “Quem garante que amanhã não vão dizer que a Amazônia é deles?”, ao defender a proteção do território brasileiro diante de pressões internacionais.


“Nós nunca vamos atrás da Lei Daniel Vorcaro”, dispara Lula em crítica ao bolsonarismo durante evento em Aracruz


Um dos momentos de maior repercussão política do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconteceu quando ele saiu em defesa dos artistas brasileiros e voltou a criticar os ataques feitos à Lei Rouanet nos últimos anos. Lula afirmou que muitos artistas eram perseguidos injustamente, mesmo quando recebiam apenas autorização do Ministério da Cultura para buscar patrocínio privado, sem garantia de acesso ao dinheiro.


Segundo o presidente, durante muito tempo a classe artística foi “achincalhada” publicamente e usada como alvo político. Lula disse ainda que, dependendo “da cor do artista”, muitos sequer conseguiam captar recursos, mesmo estando autorizados oficialmente pelo Ministério da Cultura.


Em seguida, o petista fez uma fala que provocou forte reação do público presente em Aracruz ao citar indiretamente o empresário Daniel Vorcaro e escândalos recentes envolvendo aliados do bolsonarismo, entre eles o filho do ex-presidente e pré-candidato â presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro.


“Agora acontece que, como a verdade não falha, nós nunca vamos atrás da Lei Daniel Vorcaro para financiar nenhum artista brasileiro”, declarou, arrancando aplausos, gritos e manifestações da plateia.

Logo depois, Lula elevou o tom político e afirmou que “ainda vai aparecer muito mais coisa”, em referência às investigações e polêmicas recentes envolvendo figuras ligadas à direita. O presidente também declarou que “o período da mentira, das ofensas, da violência e da incivilidade precisa acabar no Brasil”, associando os ataques à cultura ao ambiente político vivido pelo país nos últimos anos.

“Quem imaginava aquele menino da família Bolsonaro pegando US$ 159 milhões para fazer filme do pai?”, diz Lula em discurso no ES


Durante o discurso na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender os investimentos em cultura e afirmou que parte da classe política brasileira historicamente tentou desvalorizar artistas, produções culturais e manifestações populares no país.


Segundo Lula, a cultura tem poder de transformação social e intelectual, motivo pelo qual, na visão dele, determinados grupos políticos sempre tentaram enfraquecer o setor. “A cultura move milhões de neurônios na nossa cabeça”, afirmou o presidente, antes de criticar lideranças que, segundo ele, “não querem teatro, não querem cinema, não querem cultura popular”.


Em seguida, o petista elevou o tom político ao falar sobre o que classificou como “hipocrisia” na política brasileira. Lula afirmou que muitas figuras públicas tentam construir uma imagem de moralidade que não corresponde à realidade. “Você tem que passar a ideia de uma seriedade que ninguém é. Você tem que passar a ideia de que você é o que você não é”, declarou.


O momento de maior repercussão aconteceu quando Lula fez referência indireta ao senador Flávio Bolsonaro e às recentes polêmicas envolvendo negociações para financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Quem imaginava que aquele menino que parecia ser a pessoa mais santa da família Bolsonaro estivesse pegando 159 milhões de dólares para fazer um filme do pai?”, afirmou, arrancando reações imediatas da plateia.


Logo depois, Lula disse que “isso é apenas o que a gente sabe agora” e voltou a afirmar que destruir políticas públicas é fácil, mas reconstruí-las exige tempo e esforço. O presidente usou o trecho para reforçar o discurso de reconstrução das políticas culturais e das estruturas do Ministério da Cultura após os últimos anos.


Lula cita celulares roubados e revela bastidor do governo


Outro momento que chamou atenção foi quando Lula comentou o combate ao roubo de celulares no país. O presidente afirmou que o governo possui cerca de 2,5 milhões de aparelhos cadastrados como roubados e revelou que chegou a estudar o envio de mensagens automáticas exigindo devolução dos dispositivos.


Segundo ele, a ideia acabou revista para evitar prejuízo a pessoas que compraram aparelhos sem saber que eram produtos roubados. Lula afirmou que o objetivo do governo é atingir criminosos sem prejudicar cidadãos de boa-fé.


Margareth Menezes exalta retomada da cultura e emociona público



Foto: Reprodução Canal Gov/Editada por Café - Em um momento descontraído, Margareth cantou trechos de “Disparada”, eternizada por Jair Rodrigues, em homenagem a Lula.



A ministra Margareth Menezes fez um dos discursos mais longos e emocionados da cerimônia. Ela destacou que a Teia Nacional voltou a acontecer após 12 anos e afirmou que o governo Lula reconstruiu políticas culturais desmontadas nos últimos anos.


Segundo Margareth, a rede Cultura Viva saiu de cerca de 4 mil para mais de 16 mil pontos de cultura em apenas três anos. Ela também anunciou:


  • regulamentação da Rede Nacional de Mestres e Mestras da Cultura Tradicional e Popular;

  • criação do Programa Festejos Populares do Brasil;

  • fortalecimento do Conselho Nacional de Políticas Culturais;

  • criação da Política Nacional de Culturas Tradicionais Populares.


A ministra ainda destacou que a Política Cultura Viva completa 22 anos em 2026 e já impacta milhões de brasileiros em comunidades periféricas, indígenas e tradicionais.


Em um momento descontraído, Margareth cantou trechos de “Disparada”, eternizada por Jair Rodrigues, em homenagem a Lula, arrancando aplausos do público.


Margareth quebra protocolo e convida Janja para falar ao público



Foto: Reprodução Canal Gov/Editada por Café - Janja defendeu a cultura como ferramenta de transformação social e combate à violência contra mulheres.



Um dos momentos de maior repercussão aconteceu quando a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, foi convidada para discursar após Margareth Menezes quebrar o protocolo do evento.


Janja defendeu a cultura como ferramenta de transformação social e combate à violência contra mulheres. Ela pediu que os pontos de cultura funcionem também como espaços de acolhimento, conscientização e proteção de mulheres vítimas de violência.


A primeira-dama criticou conteúdos ligados à chamada cultura “redpill”, expressão associada a grupos digitais que disseminam discursos misóginos e machistas nas redes sociais. Segundo Janja, jovens estão sendo influenciados por conteúdos de ódio e violência contra mulheres na internet.


Ao defender políticas culturais voltadas à proteção feminina, Janja destacou a frase:


“Cultura viva, mulheres vivas.”

A declaração foi fortemente aplaudida pelo público presente.


Lideranças indígenas emocionam público em território ancestral



Foto: Reprodução Canal Gov/Editada por Café - Marcelo Guarani emocionou o público ao falar em sua língua ancestral e relembrar a luta pela demarcação das terras indígenas do Espírito Santo



A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura também entrou para a história por acontecer, pela primeira vez, em território indígena. Representantes tupiniquins e guaranis participaram do evento e tiveram espaço de destaque na programação.


O cineasta indígena Marcelo Guarani emocionou o público ao falar em sua língua ancestral e relembrar a luta pela demarcação das terras indígenas do Espírito Santo durante os governos Lula.


Ele destacou ações de reflorestamento realizadas em aldeias como Nova Esperança e defendeu maior participação indígena nas decisões relacionadas ao clima, preservação ambiental e políticas culturais.


Marcelo também pediu proteção às línguas indígenas e aos saberes ancestrais, afirmando que os povos originários seguem trabalhando para reconstruir territórios destruídos ao longo das últimas décadas.


Governo do Estado anuncia editais culturais


O secretário estadual de Cultura, Fabrício Noronha, destacou a parceria entre o Governo do Espírito Santo e o Ministério da Cultura.


Ele anunciou novos editais culturais no estado, incluindo ações para pontos e pontões culturais e bolsas voltadas a mestres e mestras da cultura popular.


Segundo Noronha, o Espírito Santo vive um momento de fortalecimento cultural e precisa ser mais conhecido nacionalmente por sua diversidade artística e cultural.


Evento marcou retomada nacional da Teia Cultural


A 6ª Teia Nacional reuniu representantes culturais de todos os estados brasileiros e foi utilizada pelo governo federal como vitrine para reforçar a retomada das políticas culturais, a defesa da democracia e a valorização da cultura popular brasileira.


Além dos discursos políticos, o evento teve apresentações culturais, homenagens, entrega de certificados para agentes culturais e reconhecimento a mestres e mestras da cultura popular.


A cerimônia terminou sob aplausos e gritos de apoio ao presidente Lula, em um dos maiores eventos culturais já realizados recentemente em Aracruz.

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