Após morte de adolescente de 12 anos, Mimoso do Sul confirma casos de febre maculosa e investiga outros 12.
- há 2 dias
- 5 min de leitura
Por Addison Viana

Foto: Reprodução/instagram - Depois da confirmação do óbito, a Vigilância em Saúde ampliou as investigações para identificar a presença de carrapatos e mapear os pontos de maior atenção.
A situação da febre maculosa voltou a mobilizar as autoridades de saúde de Mimoso do Sul. Em apresentação feita na Câmara Municipal, o secretário de Saúde, Eliédson Vicente Morini, detalhou as medidas adotadas pelo município e apresentou um boletim atualizado nos dias 8 e 9 de agosto de 2026.
De acordo com os números divulgados, foram registradas 20 notificações relacionadas à doença. Desse total, dois casos foram confirmados, 12 permanecem em investigação, seis foram descartados e dois terminaram em óbito.
O cenário ganhou ainda mais atenção depois da morte de uma menina de 12 anos, moradora do município. Segundo o secretário, a investigação realizada pela Vigilância em Saúde confirmou que a febre maculosa foi a causa da morte.
Morini classificou a doença como grave e destacou que a evolução pode ser rápida, principalmente quando o tratamento não é iniciado precocemente.
Por que a doença preocupa?
Um dos principais desafios apontados pelo secretário é que os primeiros sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças comuns na região, como a dengue.
Febre alta, dor de cabeça intensa, dores no corpo e, em alguns casos, manchas avermelhadas na pele estão entre os sinais que devem chamar a atenção.
A orientação da Secretaria de Saúde é que qualquer pessoa que apresente esses sintomas informe aos profissionais de saúde se esteve recentemente em áreas de mata, pastagens, margens de rios ou outros locais considerados de risco, principalmente se encontrou um carrapato preso à pele.
Essa informação pode ser decisiva para que o médico considere a possibilidade de febre maculosa e inicie o tratamento indicado enquanto a investigação laboratorial é realizada.
Município faz busca por carrapatos
Depois da confirmação do óbito, a Vigilância em Saúde ampliou as investigações para identificar a presença de carrapatos e mapear os pontos de maior atenção.
Segundo Morini, foram realizadas coletas em diferentes localidades, incluindo áreas da Serra, Lagoa, Centro, Rio Muqui do Sul, Ponte do Itabapuana, Rua do Matadouro, Limeira, Vila dos Pescadores, Fazenda Santa Helena e Assentamento União, entre outros pontos.
Os carrapatos recolhidos são encaminhados para análise, com o objetivo de verificar a presença da bactéria responsável pela febre maculosa.
A estratégia também deverá servir para identificar áreas que merecem maior atenção. A Secretaria informou que pretende instalar placas de alerta nos locais onde forem identificados carrapatos de importância epidemiológica.
O secretário, porém, fez uma ressalva: a existência de áreas monitoradas não significa que o risco esteja limitado exclusivamente a esses pontos.
Cuidado também deve começar dentro de casa
A prevenção não se resume a evitar rios, matas ou pastagens. Os animais domésticos também entraram no alerta das autoridades.
De acordo com o secretário, cães e gatos podem carregar carrapatos para dentro das residências. Eles não são considerados os transmissores da doença, mas podem transportar o parasita e facilitar sua chegada a outros ambientes.
Por isso, a recomendação é manter os animais protegidos contra carrapatos e pulgas, sempre utilizando produtos adequados e, de preferência, com orientação de um médico-veterinário.
Morini também afirmou que animais podem ser afetados pelos carrapatos e que já houve registros de mortes de cães no município relacionados ao problema.
Carrapato-estrela é o principal alerta

Durante a reunião, o secretário explicou que o carrapato associado à transmissão da febre maculosa é o chamado carrapato-estrela.
A orientação para quem precisa frequentar áreas com possível presença do parasita é utilizar roupas compridas, calçados fechados e, ao deixar o local, fazer uma inspeção cuidadosa no corpo para verificar se existe algum carrapato aderido à pele.
Quanto menor o tempo de permanência do carrapato no corpo, menor tende a ser o risco de transmissão, reforçando a importância da inspeção após a exposição.
Não existe teste rápido disponível no município
Questionado na Câmara sobre a possibilidade de diagnóstico por meio de teste rápido, Morini explicou que atualmente o município realiza a coleta das amostras e encaminha o material ao Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen).
Segundo ele, a primeira amostra pode levar cerca de 15 dias para apresentar resultado em condições normais. Em situações de surto, entretanto, o laboratório pode acelerar o processamento.
Mas existe um ponto considerado fundamental pela Secretaria: o atendimento não deve esperar o resultado do exame.
Se o paciente apresenta sintomas compatíveis e relata exposição a uma área de risco ou contato com carrapato, o protocolo médico pode ser iniciado imediatamente, conforme avaliação do profissional responsável.
Hospital afirma estar preparado para os atendimentos
Durante a reunião, também houve questionamentos sobre a preparação dos profissionais que atuam no Hospital Apóstolo Pedro.
O secretário afirmou que existe um protocolo específico para atendimento de casos suspeitos e que os médicos da unidade já receberam treinamento sobre a doença.
Segundo Morini, o protocolo está disponível nos consultórios e há comunicação direta entre o hospital e a Secretaria Municipal de Saúde.
Ele citou como exemplo o atendimento recente de uma criança que procurou uma unidade de saúde durante a semana. Diante da suspeita, a médica responsável entrou em contato com a equipe do hospital, e a criança foi encaminhada para avaliação, exames e acompanhamento.
Morini também informou que novos treinamentos estão previstos para profissionais que ingressaram recentemente na rede municipal.
Câmara pede ampliação das informações à população
Durante a sessão, vereadores defenderam que as informações sobre prevenção cheguem ao maior número possível de moradores.
Entre as sugestões apresentadas estão a distribuição de materiais informativos nos distritos e comunidades, com orientações sobre sintomas, prevenção e a necessidade de procurar atendimento médico rapidamente.
Também foi levantada a necessidade de reforçar os cuidados em áreas próximas a rios e córregos, inclusive em locais de lazer utilizados pela população.
A preocupação é ampliar o acesso à informação para que moradores reconheçam os sinais da doença e saibam informar aos profissionais de saúde quando houve possível exposição ao carrapato.
A prevenção começa antes dos sintomas
Para a Secretaria Municipal de Saúde, a principal arma contra a febre maculosa continua sendo a prevenção.
Quem precisar entrar em áreas de mata, pasto ou próximas a rios deve usar roupas que cubram braços e pernas, além de calçados fechados. Ao retornar, é importante verificar cuidadosamente o corpo, as roupas e os animais de estimação.
E diante de sintomas como febre, dor de cabeça forte e dor no corpo, especialmente após contato com uma área de risco, a recomendação é procurar atendimento e relatar essa exposição ao profissional de saúde.
Em uma doença que pode evoluir rapidamente, reconhecer a possibilidade de febre maculosa e comunicar o histórico de exposição pode fazer diferença no atendimento.
Mimoso em alerta, mas com ações em andamento
O município enfrenta um período de atenção reforçada à doença, mas, segundo o secretário, as equipes de saúde já trabalham com protocolos específicos, investigação das áreas de risco, coleta de carrapatos, treinamento dos profissionais e integração com os serviços hospitalares.
O objetivo agora é interromper novos casos e, principalmente, evitar que a doença seja identificada tarde demais.
























































Comentários