top of page

Mais de 40 facadas: acusado de feminicídio vai a júri três anos após morte de Ana Carolina em Vitória.

há 2 minutos
3 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Reprodução - Matheus Stein Pinheiro, de 26, será levado a julgamento nesta quinta-feira (17), no Fórum Criminal de Vitória.




RESUMO: O julgamento de Matheus Stein Pinheiro, de 26 anos, acusado de matar a namorada Ana Carolina Rocha Kurth, de 24, acontece nesta quinta-feira (17), em Vitória. A jovem foi morta com mais de 40 golpes de faca no apartamento onde o casal vivia, em maio de 2023. O Ministério Público sustenta que o crime foi cometido de forma consciente e pede a condenação por feminicídio e outras qualificadoras. Já a defesa afirma que laudos periciais apontam que o réu é inimputável.




Matheus Stein Pinheiro será julgado nesta quinta-feira (17), no Fórum Criminal de Vitória; defesa sustenta inimputabilidade e Ministério Público afirma que ele tinha consciência dos atos.


Mais de três anos depois da morte de Ana Carolina Rocha Kurth, de 24 anos, o acusado pelo feminicídio da jovem, Matheus Stein Pinheiro, de 26, será levado a julgamento nesta quinta-feira (17), no Fórum Criminal de Vitória. Ana foi encontrada morta em maio de 2023, no apartamento onde morava com o namorado, no Centro da Capital. Segundo as investigações, ela sofreu mais de 40 golpes de faca.


O julgamento está previsto para começar às 9h e poderá se estender por até dois dias. Ao longo da sessão, estão previstas as oitivas de aproximadamente dez testemunhas.


Matheus responde por homicídio qualificado, com acusações que incluem motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima. O Ministério Público também sustenta que o assassinato ocorreu em um contexto de violência contra a mulher, caracterizando feminicídio.



Crime aconteceu dentro do apartamento


Ana Carolina e Matheus haviam se mudado para o imóvel, localizado na Rua Gama Rosa, no Centro de Vitória, cerca de três meses antes do crime.


Na ocasião, moradores do prédio disseram ter ouvido gritos vindos do apartamento. A investigação apontou que Ana foi atacada com dezenas de golpes de faca, principalmente na região do rosto e do pescoço.

Imagens de câmeras de segurança também foram analisadas durante a investigação. Conforme relatado pelo Ministério Público, após o crime, Matheus teria tomado banho, trocado de roupa e deixado o prédio. Depois, teria seguido de ônibus para Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo.


Para a acusação, a sequência de acontecimentos após a morte da jovem é um dos elementos que indicariam que o réu tinha capacidade de compreender o que estava fazendo.



Ministério Público sustenta que houve consciência


Durante entrevista exibida pela TV Gazeta, o promotor Rodrigo Monteiro afirmou que o processo reúne elementos que, na avaliação da acusação, demonstrariam racionalidade, controle e tomada de decisões por parte do acusado.


A Promotoria também sustenta que o crime teria relação com um sentimento de posse e menosprezo à condição da mulher.


Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu que Matheus seja condenado ao pagamento de indenização por danos materiais e morais aos familiares de Ana Carolina.



Defesa aponta transtornos mentais


A defesa de Matheus segue uma linha diferente. Durante o processo, foram apresentados documentos e laudos relacionados à saúde mental do acusado.


Segundo o advogado Homero Mafra, os laudos periciais oficiais apontam para a inimputabilidade de Matheus. Em outras palavras, a defesa sustenta que, no momento do crime, ele não teria condições de compreender plenamente o caráter ilícito de sua conduta.


Em posicionamento divulgado pela TV Gazeta, o advogado afirmou que a defesa confia que os jurados levarão em consideração as conclusões técnicas apresentadas pelos peritos. Segundo ele, eventual reconhecimento da inimputabilidade não representaria impunidade, mas poderia resultar em tratamento médico pelo período determinado pela Justiça.


Ao longo do processo, entretanto, houve decisões judiciais questionando conclusões de avaliações anteriores sobre o estado mental do acusado.



Família espera por justiça


A morte de Ana Carolina deixou marcas profundas na família. A mãe, Márcia Rocha, relatou a dor provocada pela perda da filha e destacou as lembranças que mantém da jovem.


A irmã de Ana, Letícia Rocha, também declarou esperar que o julgamento resulte em responsabilização pelo crime. Para a família, a busca por justiça se transformou ainda em uma forma de manter viva a memória da jovem e chamar atenção para a violência contra as mulheres.


Agora, mais de três anos depois do assassinato, caberá ao Tribunal do Júri analisar as provas apresentadas no processo e decidir sobre a responsabilidade criminal de Matheus Stein Pinheiro.

Comentários


Leia também:

bottom of page