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“Não vou ficar parada”: Valdirene expõe propostas, críticas e bastidores da política em entrevista ao Café com Política ES.

  • há 4 horas
  • 7 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Reprodução - Professora e com trajetória ligada aos movimentos sociais e à defesa dos servidores públicos, Valdirene contou que a entrada na política partidária aconteceu somente depois de uma longa caminhada na militância.




RESUMO: A professora Valdirene Bernardino, candidata a vice-governadora do Espírito Santo pelo PT, participou de uma entrevista ao vivo no Café com Política ES nesta terça-feira (1º). Durante o bate-papo, falou sobre racismo, violência contra a mulher, educação, servidores públicos, comunidades quilombolas e a necessidade de descentralizar investimentos no Estado. Também revelou com quais políticos aceitaria tomar um café e quais assuntos colocaria na mesa. Na avaliação do Café com Política ES, a entrevista proporcionou ao público a oportunidade de conhecer melhor as ideias, prioridades e o perfil da candidata.



Candidata a vice-governadora pelo PT falou sobre racismo, mulheres na política, educação, servidores, interiorização de investimentos e revelou com quais políticos tomaria um café


A candidata a vice-governadora do Espírito Santo pelo PT, professora Valdirene Bernardino, participou na noite desta terça-feira (1º) de uma entrevista ao vivo no Café com Política ES. Vereadora de São Mateus em seu primeiro mandato, Valdirene aproveitou o bate-papo para apresentar sua trajetória, discutir os desafios que, na visão dela, ainda existem para mulheres, negros e quilombolas na política e expor propostas para áreas como educação, saúde, agricultura, segurança pública e valorização dos servidores.


Durante a entrevista, Valdirene falou de maneira direta sobre temas que fazem parte de sua atuação política e sindical. Entre os assuntos que ganharam maior destaque estiveram o combate ao racismo e à violência contra a mulher, a representatividade no governo estadual, a situação das comunidades quilombolas, a necessidade de ampliar investimentos no interior e as condições de trabalho dos profissionais da educação e do serviço público.



Da sala de aula à disputa pelo governo


Professora e com trajetória ligada aos movimentos sociais e à defesa dos servidores públicos, Valdirene contou que a entrada na política partidária aconteceu somente depois de uma longa caminhada na militância.


Segundo ela, o convite para disputar uma vaga pelo Partido dos Trabalhadores surgiu quando já estava próxima da aposentadoria e com os filhos criados. Foi então que decidiu aceitar o desafio e disputar uma cadeira na Câmara de São Mateus.


Agora, menos de dois anos depois de assumir o primeiro mandato, ela integra uma chapa majoritária ao lado de Helder Salomão.


Ao explicar a escolha de seu nome, Valdirene destacou a importância política do norte capixaba e a presença histórica de movimentos sociais na região. Para ela, sua candidatura também representa a presença de uma mulher negra e quilombola na disputa pelo Executivo estadual.



“O racismo na política existe”


Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando Valdirene falou sobre preconceito, racismo e violência de gênero.


A candidata afirmou que já sofreu violência política de gênero e raça dentro da Câmara de Vereadores de São Mateus e defendeu que o racismo seja tratado de forma explícita no debate público.


Para ela, a presença de mulheres negras e quilombolas nos espaços de poder é também uma forma de enfrentar uma estrutura que, em sua avaliação, ainda dificulta a participação feminina na política.


Valdirene afirmou que um dos desafios de sua geração é justamente ocupar espaços de decisão e ampliar a participação de pessoas negras na política.



Mulheres na política: “O preconceito é muito grande ainda”


A candidata também apontou o machismo como um dos principais obstáculos enfrentados pelas mulheres que ocupam cargos eletivos.


Na avaliação dela, mulheres ainda precisam provar constantemente sua capacidade para discutir assuntos considerados tradicionalmente ligados ao universo masculino, como economia e políticas públicas.


Valdirene disse que, no início de seu mandato, enfrentava as críticas com maior resistência, mas que hoje se sente mais preparada para sustentar suas posições e defender as pautas que considera prioritárias.


Entre essas pautas, citou mulheres negras e quilombolas, mães atípicas e servidores públicos.



Coronelismo e poder no interior


Outro assunto que chamou atenção foi a declaração de Valdirene sobre a existência de “resquícios de coronelismo” em São Mateus.


Questionada sobre uma declaração anterior a respeito do município, ela explicou que se referia a práticas de poder e relações sociais que, segundo sua avaliação, ainda reproduzem características de estruturas antigas de dominação.


Valdirene evitou apontar nomes, mas afirmou que o fenômeno não estaria restrito à política e que situações semelhantes podem ser observadas em diferentes municípios do Espírito Santo.


Ela também relacionou o tema a denúncias de trabalho em condições análogas à escravidão e à dificuldade histórica de algumas comunidades em acessar direitos e políticas públicas.



Um governo com “a cara do povo”


Ao falar sobre o que faria caso a chapa fosse eleita, Valdirene defendeu maior diversidade na composição do governo estadual.


Para ela, indígenas, negros e representantes de diferentes segmentos sociais precisam ocupar espaços de decisão para que a população consiga se reconhecer na estrutura do Executivo.


A candidata também citou demandas específicas do norte e do noroeste capixaba, como agricultura, recursos hídricos, educação e saúde, especialmente a necessidade de ampliar o atendimento médico no interior.


A ideia, segundo Valdirene, seria construir um governo que tenha “a cara do povo” e que não deixe famílias fora das políticas públicas.



Educação e servidores entram no centro do debate


Professora de carreira, Valdirene dedicou parte da entrevista à educação.


Ela criticou o que classificou como uma lógica “mercantilista” na educação estadual e defendeu a realização de concursos públicos, além da valorização dos profissionais e da criação de mecanismos que permitam evolução na carreira.


Outro ponto defendido foi a manutenção de uma mesa permanente de diálogo com os sindicatos dos servidores.


Segundo ela, reajustes precisam considerar as diferentes categorias e ser realizados dentro das condições financeiras do Estado.



Violência contra a mulher será uma das prioridades


Na segunda parte da entrevista, Valdirene apontou o enfrentamento à violência contra as mulheres como um dos principais compromissos que pretende assumir caso seja eleita.


Ela defendeu a implementação, no Espírito Santo, de ações vinculadas ao pacto nacional de enfrentamento à violência contra a mulher e afirmou que pretende trabalhar para ampliar essas políticas nos municípios.


A candidata também chamou atenção para a necessidade de considerar as diferenças raciais nos indicadores de violência e afirmou que mulheres negras precisam estar no centro das políticas de proteção.


Para Valdirene, a atuação estadual precisa envolver ainda o fortalecimento de estruturas como CRAS e CREAS, além de investimentos em educação, segurança pública, agricultura familiar e interiorização da saúde.



Interiorização dos investimentos


Outro ponto destacado foi a promessa de um governo mais próximo dos municípios.


Valdirene afirmou que a chapa pretende adotar uma postura municipalista, analisando as necessidades de cada cidade e buscando atuar em parceria com as administrações locais.


A candidata criticou a concentração de investimentos na Grande Vitória e defendeu que norte, noroeste, centro-oeste, sul e demais regiões sejam contemplados de acordo com suas necessidades.


A proposta, segundo ela, já estaria contemplada no plano de governo da chapa.



O jogo do café revela aproximações e divergências


Um dos momentos mais descontraídos da entrevista foi o quadro em que Valdirene precisou escolher, entre seis nomes da política capixaba, com quem aceitaria tomar um café.


A brincadeira acabou revelando também quais assuntos ela gostaria de colocar na mesa com diferentes adversários e lideranças políticas.


Entre os nomes apresentados, Valdirene disse que tomaria café com Marcelo Santos, afirmando que aproveitaria a conversa para discutir, entre outros assuntos, declarações do presidente da Assembleia Legislativa sobre o presidente Lula.


Também aceitaria conversar com o governador Ricardo Ferraço. Nesse caso, a principal pauta seria a situação das comunidades quilombolas do norte do Espírito Santo e questões relacionadas à regularização de territórios. Com o ex-governador Renato Casagrande, a conversa teria como tema principal, segundo ela, a macrodrenagem de Guriri. Valdirene questionou aspectos relacionados ao projeto, especialmente a integração com saneamento básico e microdrenagem.


Ela também afirmou que se sentaria para conversar com o atual prefeito de São Mateus, colocando na pauta a situação dos servidores públicos municipais e a discussão sobre reajuste salarial.


Já quando surgiu o nome do ex-prefeito Daniel da Açaí, Valdirene admitiu que teria dificuldade em aceitar um convite informal para um café, lembrando os embates que os dois tiveram durante sua atuação no sindicato dos servidores. Segundo ela, um eventual encontro seria de caráter institucional.


A resposta foi ainda mais firme quando apareceu o nome de um vereador com quem, segundo seu relato, ela teria sofrido violência política de gênero e raça. Valdirene afirmou que manteria o respeito institucional ao colega, mas que não teria interesse em estabelecer uma relação pessoal.



“Não dá para ser uma vice-governadora que vai apenas ocupar uma cadeira”


Ao ser questionada sobre qual seria seu papel no governo caso fosse eleita, Valdirene rejeitou a ideia de uma vice-governadora meramente protocolar.


Ela afirmou que pretende ter atuação efetiva e participar das decisões, destacando que não consegue ficar parada e que pretende exercer uma função de representação da população capixaba.


Entre os compromissos apresentados ao longo da entrevista estão políticas de combate à violência contra a mulher, fortalecimento da agricultura familiar, educação em tempo integral, atendimento às mães atípicas, interiorização da saúde, valorização dos servidores e políticas voltadas às comunidades quilombolas.



PT quer deixar de ser coadjuvante, diz candidata


Valdirene também fez uma avaliação sobre a trajetória recente do PT no Espírito Santo.


Na visão dela, o partido passou por um período em que atuou como coadjuvante em governos e agora busca recuperar protagonismo político no Estado.


Ela defendeu a candidatura de Helder Salomão ao governo e afirmou que o projeto apresentado pela chapa foi construído a partir de conversas com diferentes setores da sociedade.


A candidata também destacou a intenção de apresentar uma alternativa política aos demais concorrentes e afirmou que o PT e seus aliados representam um campo progressista.



Avaliação do Café com Política ES


Para o Café com Política ES, a entrevista cumpriu um papel importante ao colocar uma candidata a vice-governadora diante de perguntas diretas sobre sua trajetória, suas posições políticas e os principais problemas que pretende enfrentar caso chegue ao Executivo estadual.


O destaque positivo da conversa foi justamente a possibilidade de o público conhecer uma candidata que ainda está construindo sua trajetória na política institucional e ouvir, sem intermediários, quais são suas prioridades e como ela enxerga temas sensíveis para o Espírito Santo.


A entrevista também conseguiu equilibrar assuntos mais densos, como racismo, violência contra a mulher, educação, servidores e comunidades quilombolas, com momentos descontraídos, como o quadro do café.


Na avaliação editorial do portal, Valdirene demonstrou disposição para responder a perguntas difíceis, apresentar suas posições e entrar em temas que normalmente ficam restritos aos discursos de campanha. O resultado foi um bate-papo que permitiu ao público conhecer não apenas a candidata, mas também a mulher, professora, vereadora e militante que está tentando ampliar seu espaço na política capixaba.


Mais do que apresentar propostas, a entrevista serviu para mostrar como Valdirene pensa, quais são suas prioridades e com quem pretende dialogar — inclusive com adversários políticos.


E esse, para o Café com Política ES, é justamente o papel de uma entrevista eleitoral: dar espaço para o candidato falar, mas também fazer as perguntas que o eleitor gostaria de fazer.



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