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ANÁLISE | Duas pesquisas, dois resultados completamente diferentes: afinal, em qual pesquisa o eleitor capixaba deve acreditar?

  • há 3 minutos
  • 4 min de leitura

Café com Política ES


Imagem: Arte Café IA



Levantamentos realizados exatamente no mesmo período e com praticamente o mesmo número de entrevistados apresentam uma fotografia completamente diferente da disputa pelo Governo do Espírito Santo. Um coloca Ricardo Ferraço na frente. O outro aponta Lorenzo Pazolini numericamente na liderança. E o eleitor fica com uma pergunta inevitável: qual retrato está mais próximo da realidade?


A eleição para o Governo do Espírito Santo ganhou, nos últimos dias, um ingrediente que pode aumentar ainda mais a desconfiança do eleitor: duas pesquisas eleitorais realizadas exatamente no mesmo período chegaram a resultados muito diferentes sobre a disputa entre Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini.


E não estamos falando de pesquisas realizadas com semanas ou meses de diferença.


Os dois institutos fizeram seus levantamentos entre 22 e 26 de agosto.


Também não existe uma diferença gigantesca no tamanho das amostras.


O RealTime Big Data ouviu 1.600 eleitores em todo o Espírito Santo. Já o Paraná Pesquisas ouviu 1.504 pessoas.


Ou seja: praticamente o mesmo número de entrevistados.



A diferença que chama atenção


No levantamento do RealTime Big Data, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número ES-05096/2026, Ricardo Ferraço aparece com 42% das intenções de voto, contra 33% de Lorenzo Pazolini. Helder Salomão aparece com 11%. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.


Já o levantamento do Paraná Pesquisas, registrado sob o número ES-02530/2026, apresenta uma fotografia completamente diferente: Lorenzo Pazolini aparece com 39% e Ricardo Ferraço com 38,2%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de aproximadamente 2,6 pontos percentuais. Helder Salomão aparece com 7,5%.


É aqui que começa a grande questão.


No RealTime, Ferraço está 9 pontos à frente de Pazolini.


No Paraná, Pazolini está 0,8 ponto à frente de Ferraço, dentro da margem de erro.


A diferença entre as duas fotografias é de aproximadamente 18 pontos percentuais na distância entre os dois principais candidatos.



Como isso pode acontecer?


É importante deixar claro: uma divergência entre pesquisas, por si só, não prova que algum instituto esteja mentindo.


Pesquisas eleitorais podem apresentar resultados diferentes por causa de metodologia, forma de abordagem, composição da amostra, distribuição territorial das entrevistas, perfil dos entrevistados, questionário, ordem das perguntas, período e outros fatores técnicos.


No caso do Paraná Pesquisas, o levantamento informado foi realizado com entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, utilizando seleção probabilística de municípios e localidades e cotas de gênero, idade, escolaridade e renda.


O RealTime também informa uma pesquisa quantitativa com 1.600 entrevistas e margem de erro de dois pontos percentuais.


Portanto, simplesmente olhar para os números e decretar que um instituto está errado seria precipitado.


Mas também seria ingenuidade ignorar o tamanho da discrepância.



O eleitor tem motivo para questionar


O problema não está apenas em quem aparece na liderança.


O problema é que as duas pesquisas produzem narrativas eleitorais completamente diferentes.


Em uma, Ferraço aparece nove pontos à frente de Pazolini.


Na outra, Pazolini aparece numericamente à frente de Ferraço, em empate técnico.


Isso muda completamente a percepção sobre a eleição.


Uma pesquisa transmite a ideia de que Ferraço está consolidado na liderança.


A outra apresenta uma disputa praticamente empatada.


E as duas foram feitas no mesmo período.


É justamente por isso que o eleitor precisa ter cuidado para não transformar pesquisa eleitoral em verdade absoluta.



Não escolha seu candidato pela pesquisa


Pesquisa eleitoral é uma fotografia do momento, não uma sentença sobre o resultado das urnas.


E quando duas fotografias tiradas praticamente no mesmo instante mostram paisagens tão diferentes, o eleitor precisa redobrar a atenção.


Não deveria votar porque determinado candidato "está ganhando".


Também não deveria abandonar um candidato porque determinada pesquisa o colocou atrás.


E, principalmente, não deveria escolher seu voto simplesmente porque uma campanha está divulgando nas redes sociais que "seu candidato lidera".


Até porque existe uma consequência perigosa quando pesquisas passam a ser usadas como instrumento de convencimento eleitoral: o eleitor pode deixar de analisar propostas, histórico e capacidade administrativa para simplesmente seguir aquilo que supostamente está na frente.



Afinal, qual pesquisa está certa?


Essa é uma pergunta que, neste momento, ninguém consegue responder com certeza.


O que podemos afirmar é que os dois levantamentos foram realizados no mesmo período, com amostras muito próximas, e chegaram a resultados significativamente diferentes.


Qual deles está mais próximo da realidade?


Só o resultado das urnas poderá responder.


No dia da eleição, quando os votos forem contabilizados e os resultados oficiais forem divulgados pela Justiça Eleitoral, será possível olhar para trás e descobrir qual pesquisa conseguiu capturar melhor o comportamento do eleitorado.


Até lá, qualquer afirmação categórica de que determinada pesquisa representa "a verdade" precisa ser vista com cautela.



O que o eleitor deve fazer?


Talvez a melhor resposta seja simples: estudar o candidato.


Leia as propostas.


Pesquise o histórico.


Veja o que ele já fez.


Analise como administrou quando teve oportunidade.


Observe suas alianças.


Conheça seu comportamento político.


Procure saber quais são suas prioridades e quem estará ao lado dele caso seja eleito.


Avalie experiência, capacidade, coerência e, sobretudo, a trajetória pública.


Porque pesquisa muda.


Número muda.


Cenário muda.


Campanha muda.


Mas o voto é do eleitor.


E, diante de pesquisas tão diferentes, talvez seja ainda mais importante que o capixaba não entregue sua decisão a nenhum instituto.


Não se trata de dizer que pesquisas não têm valor. Elas têm.


Mas elas precisam ser interpretadas como aquilo que são: levantamentos sobre o momento em que foram realizados, e não uma previsão infalível do resultado da eleição.


O eleitor não precisa escolher quem uma pesquisa diz que vai ganhar.


Precisa escolher quem considera preparado para governar o Espírito Santo.


E talvez essa seja a principal lição deixada por essa diferença tão grande entre os dois levantamentos.


Enquanto as pesquisas apresentam fotografias diferentes, cabe ao eleitor olhar além dos números.


Porque, no fim das contas, a pesquisa que realmente importa será aquela que aparecer nas urnas em outubro.



E você, eleitor?


Em qual pesquisa você acredita: na que aponta Ferraço na frente ou na que coloca Pazolini numericamente à frente? Ou você não acredita em nenhuma das duas?


Comente. Queremos saber a sua opinião.

 
 
 

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