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Marcelo Santos elogia Casagrande e surpreende ao reconhecer ajuda de Lula em crise do Espírito Santo.

  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Reprodução/Instagram - “Quem foi que nos ajudou? Lula”, declarou.




O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputado Marcelo Santos (União), colocou o discurso de confronto ideológico em segundo plano ao avaliar os fatores que, na visão dele, explicam os avanços recentes do Estado. Em conversa no podcast Política Capixaba, o parlamentar afirmou que desenvolvimento depende principalmente de diálogo, capacidade de gestão e articulação entre diferentes forças políticas.


Marcelo citou resultados relacionados à agricultura, infraestrutura, situação fiscal e capacidade de investimento do Espírito Santo para sustentar seu argumento.


“Não é ideologia que leva alimento para dentro da casa”, afirmou.

Em seguida, mencionou a valorização do café capixaba, a recuperação de estradas e a boa avaliação fiscal do Estado como exemplos de resultados que, segundo ele, são consequência de gestão.


A declaração reforça uma posição que Marcelo já havia manifestado em outras ocasiões: a de que sua orientação política não deve impedir conversas com grupos de diferentes correntes. Em entrevista anterior, o deputado afirmou que a ideologia pode até fazer parte da política, mas não deveria ser seu principal ingrediente.



Elogio direto a Renato Casagrande


Na mesma linha, Marcelo Santos destacou a capacidade de diálogo do ex-governador Renato Casagrande, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado.


Embora tenha feito referência à posição política de Casagrande, classificando-o como alguém de centro-esquerda, Marcelo disse que o ex-governador soube conversar com diferentes forças.


Para o deputado, essa disposição para negociar e ouvir instituições foi importante para a condução do Estado.


“É diálogo, é gestão moderna e eficiente”, resumiu.

Marcelo também afirmou que decisões importantes precisam ser construídas antes de serem tomadas, justamente para evitar medidas que depois possam ser difíceis de reverter.



A lembrança de uma fase de crise


Foi ao recordar um dos períodos mais difíceis da história recente do Espírito Santo que Marcelo Santos fez a declaração mais contundente sobre Lula.


O deputado relatou que chegou à vida pública em um momento em que o Estado enfrentava uma situação financeira grave, com profissionais da educação em greve, salários atrasados e até um pedido de intervenção federal.


“Eu cheguei no momento em que o Espírito Santo estava, seis meses em greve com os profissionais de educação, três meses de salário atrasado, pedido de intervenção federal”, afirmou.

Segundo Marcelo, naquele cenário o governo federal, então comandado por Lula, teve participação na construção de uma saída para a crise.


O parlamentar contou que o Estado vendeu um ativo relacionado às receitas do petróleo e antecipou recursos para começar a reorganizar as contas.


“Quem foi que nos ajudou? Lula”, declarou.


“Eu vou dizer que Lula não ajudou? Não tem como”


Ao justificar o reconhecimento ao presidente, Marcelo Santos afirmou que seria incorreto apagar a participação de Lula naquele processo apenas por divergências políticas.


“Eu vou dizer que não foi ele que ajudou? Não tem como”, afirmou.

Na sequência, reforçou a declaração de forma ainda mais direta:


“Eu vou dizer que Lula não ajudou? Não tem como.”

O trecho chama atenção porque parte de um deputado que não se apresenta como integrante da esquerda e que, no mesmo discurso, faz uma defesa explícita de uma política baseada em resultados, independentemente da ideologia.



Uma crítica ao “tudo ou nada” na política


Marcelo também criticou a ideia de que um político precise considerar absolutamente negativas todas as ações de um adversário.


“Se a gente falar que Lula, quando presidente lá atrás, e agora, tudo que ele fez foi errado, nós estamos mentindo”, declarou.

A fala coloca o reconhecimento de determinadas ações de Lula dentro de uma defesa mais ampla feita pelo deputado: a de que a política deveria ser capaz de separar divergências ideológicas de medidas que, na avaliação dele, produziram resultados positivos.


O raciocínio também foi utilizado por Marcelo para explicar sua avaliação sobre Casagrande.



O recado político por trás das declarações


As declarações ocorrem em um momento de intensa movimentação política no Espírito Santo e ganham peso porque Marcelo Santos é uma das principais lideranças do Estado.


O discurso combina três elementos: defesa de resultados administrativos, valorização do diálogo entre diferentes forças e reconhecimento de adversários quando, segundo ele, suas ações contribuíram para o desenvolvimento do Estado.


No caso de Casagrande, Marcelo destaca a capacidade de articulação. No caso de Lula, vai além: admite que o governo federal teve participação importante em um momento de extrema dificuldade para as contas capixabas.


A mensagem central do deputado é que, para ele, a disputa política não deveria impedir o reconhecimento de medidas consideradas positivas.


E é justamente nesse ponto que sua fala sobre Lula ganha repercussão: Marcelo não abandona suas posições políticas, mas afirma que negar a ajuda recebida pelo Espírito Santo seria distorcer a própria história.


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