Pesquisas sob pressão: Pazolini e Ferraço já enfrentaram questionamentos na Justiça Eleitoral no ES.
- há 22 minutos
- 4 min de leitura
Por Addison Viana

RESUMO: A guerra pelos números da eleição para o Governo do Espírito Santo ganhou um capítulo jurídico. Reportagens da Rede News Grande Vitória e da Folha Vitória mostram que os dois principais nomes da disputa já apareceram em episódios levados à Justiça Eleitoral envolvendo pesquisas ou a divulgação de seus resultados. No caso de Lorenzo Pazolini, ainda como pré-candidato, levantamentos do Instituto Veritá foram questionados judicialmente por problemas relacionados à metodologia. Agora, uma propaganda de Ricardo Ferraço foi suspensa por não apresentar todas as informações obrigatórias sobre uma pesquisa. Os episódios ocorrem justamente quando pesquisas recentes apresentam resultados bastante diferentes entre si.
A disputa pelo Governo do Espírito Santo ganhou um novo elemento que vai além dos percentuais de intenção de voto: a Justiça Eleitoral já foi acionada em episódios envolvendo pesquisas utilizadas no contexto das campanhas de Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB), os dois principais nomes da corrida pelo Palácio Anchieta.
O caso mais recente envolve Ferraço. Segundo reportagem publicada pela Folha Vitória, uma propaganda eleitoral do candidato, exibida na televisão na sexta-feira (28), utilizou números de uma pesquisa do Real Time Big Data que apontava o governador com 42% das intenções de voto.
A peça apresentava a margem de erro, o nível de confiança, o instituto responsável e o número de registro do levantamento. Entretanto, de acordo com a decisão judicial relatada pelo veículo, não informava o período em que a pesquisa havia sido realizada nem o número de entrevistas.
A Justiça Eleitoral determinou a suspensão da inserção. Em caso de descumprimento da ordem, foi estabelecida multa de R$ 5 mil às emissoras.
A defesa de Ferraço afirmou à Folha Vitória que se tratava de uma questão formal e que a informação já havia sido corrigida.
No caso de Pazolini, questionamentos atingiram o Veritá
O episódio envolvendo Pazolini ocorreu anteriormente e tem características diferentes.
Em reportagem publicada em junho, a Rede News Grande Vitória questionou um levantamento do Instituto Veritá que colocava Pazolini na liderança da corrida pelo governo estadual. A publicação destacou problemas que, segundo o veículo, envolviam a metodologia, a distribuição da amostra e a logística utilizada na pesquisa.
A reportagem também afirmou que o TRE-ES havia condenado o Instituto Veritá, após análise de uma pesquisa, apontando problemas técnicos capazes de comprometer a representatividade do levantamento. Entre os pontos mencionados estavam questionamentos sobre a concentração da amostra em Vitória e a ausência de municípios como Serra e Vila Velha.
É importante, porém, fazer uma distinção: os questionamentos judiciais mencionados pela Rede News Grande Vitória são direcionados ao instituto e à metodologia da pesquisa, e não significam, por si só, que Pazolini tenha sido condenado por manipulação de pesquisa.
A própria reportagem ressalta que as decisões analisaram aspectos técnicos dos levantamentos e não o resultado eleitoral em si.
Dois casos, problemas diferentes
É justamente nesse ponto que a comparação entre os episódios precisa ser feita com cuidado.
No caso de Pazolini, o questionamento esteve relacionado à metodologia e à execução de pesquisas do Instituto Veritá que o apresentavam em posição favorável.
Já no episódio envolvendo Ferraço, a decisão relatada pela Folha Vitória não questionou o percentual de 42% apresentado pela pesquisa do Real Time Big Data. O problema apontado foi a forma como os números foram utilizados na propaganda, sem a apresentação de todos os dados exigidos pela legislação eleitoral.
A decisão, segundo a Folha Vitória, foi tomada pela juíza Patrícia Leal de Oliveira, que destacou a importância de informações como período da coleta, margem de erro, nível de confiança, número de entrevistas, entidade responsável e registro da pesquisa para que o eleitor possa avaliar criticamente os dados apresentados.
Portanto, embora os dois episódios tenham chegado à Justiça, eles não são equivalentes e não devem ser tratados como se fossem o mesmo tipo de irregularidade.
E por que isso importa agora?
A discussão ganha força justamente porque os levantamentos divulgados recentemente apresentam fotografias muito diferentes da corrida eleitoral.
Uma pesquisa coloca Ferraço à frente com uma vantagem significativa. Outra mostra Pazolini numericamente na liderança. Há ainda levantamentos com diferenças menores entre os dois.
Para o eleitor, essa sequência de números aparentemente contraditórios pode gerar uma pergunta simples: em qual pesquisa acreditar?
A resposta não está necessariamente em escolher um instituto ou outro, mas em observar como cada levantamento foi realizado.
Número de entrevistados, período da coleta, margem de erro, nível de confiança, distribuição geográfica da amostra, contratante, origem dos recursos e metodologia são informações fundamentais para compreender o que aquela pesquisa realmente está mostrando.
A batalha não é apenas pelos votos, mas também pela narrativa
Em uma eleição competitiva, aparecer na frente pode produzir efeitos políticos importantes.
Uma liderança pode ser utilizada pela campanha como demonstração de força. Uma vantagem maior pode alimentar a percepção de favoritismo. Da mesma forma, um candidato que aparece atrás pode tentar apresentar o resultado como um momento passageiro.
É por isso que pesquisas eleitorais têm peso muito maior do que simplesmente apresentar dois ou três percentuais em uma tela de televisão ou nas redes sociais.
E é justamente aí que os episódios envolvendo Pazolini e Ferraço merecem ser lembrados.
Antes que um grupo político questione a pesquisa que favorece o adversário, é preciso olhar também para os problemas e questionamentos que já atingiram pesquisas ou divulgações relacionadas ao próprio campo político.
No caso de Pazolini, a controvérsia envolveu pesquisas do Instituto Veritá e questionamentos sobre aspectos metodológicos, conforme relatado pela Rede News Grande Vitória.
No caso de Ferraço, a Folha Vitória informou que a Justiça Eleitoral suspendeu uma propaganda por falta de informações obrigatórias na apresentação de uma pesquisa.
O eleitor no meio da disputa
No fim, existe uma diferença importante entre uma pesquisa ser questionada e um candidato ser responsabilizado por fraude.
Os episódios relatados pelas duas publicações não autorizam afirmar que Pazolini ou Ferraço tenham manipulado pesquisas. O que existe são decisões e questionamentos envolvendo institutos, metodologia e divulgação de resultados.
Mas há uma consequência inevitável: a confiança do eleitor passa a ser colocada à prova.
E, diante de levantamentos tão diferentes, talvez a principal conclusão seja justamente esta: mais importante do que descobrir quem está em primeiro lugar em determinada pesquisa é saber como aquele número foi produzido.
Porque, em uma eleição, a pesquisa pode até mudar de um instituto para outro.
A informação oferecida ao eleitor, não.
























































Comentários