“Isso não é opinião. É violência”: decisão contra Gilvan provoca reação de Camila Valadão e Jacqueline Moraes.
há 4 horas
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Por Addison Viana

Foto: Reprodução - A decisão repercutiu entre mulheres que também relatam ter enfrentado ataques durante suas trajetórias na política.
RESUMO: O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) negou, por unanimidade, na sexta-feira (11), o registro de candidatura do deputado federal Gilvan da Federal (PL) à reeleição. A decisão está relacionada à condenação do parlamentar por violência política de gênero contra a deputada estadual Camila Valadão (PSOL). Após o julgamento, Camila e a candidata Jacqueline Moraes (PSB) se manifestaram publicamente. As duas classificaram a decisão como um marco no enfrentamento à violência contra mulheres na política.
Parlamentares destacaram o caráter histórico da decisão unânime do TRE-ES e defenderam que ataques contra mulheres não sejam tratados como parte natural da disputa política.

Foto: Reprodução - Gilvan foi condenado por praticar violência política de gênero contra a deputada estadual Camila Valadão (PSOL).
O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) decidiu, por unanimidade, na sexta-feira (11), impedir a candidatura do deputado federal Gilvan da Federal (PL) nas eleições de 2026. O registro para a disputa pela reeleição foi negado em razão da condenação do parlamentar por violência política de gênero contra a deputada estadual Camila Valadão (PSOL), em um caso que teve origem quando os dois ainda eram vereadores de Vitória, em 2021.
A decisão repercutiu entre mulheres que também relatam ter enfrentado ataques durante suas trajetórias na política. Entre elas está Jacqueline Moraes (PSB), ex-vice-governadora do Espírito Santo e ex-secretária de Estado das Mulheres, que afirmou ter recebido a notícia com sentimento de comemoração por considerar que o resultado representa uma resposta institucional a esse tipo de comportamento.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Jacqueline relembrou episódios em que, segundo ela, também teve sua reputação atacada quando ocupava a vice-governadoria.
“Eu não aceitei. Eu processei”, afirmou.
Para a candidata, o resultado demonstra que agressões e tentativas de descredibilizar mulheres não podem ser justificadas como simples consequência das disputas eleitorais.
Jacqueline também fez uma distinção entre o confronto de ideias e ataques pessoais. Na avaliação dela, divergências fazem parte da política, mas mentiras e humilhações não podem ser apresentadas como se fossem instrumentos legítimos do debate.
Para ela, a decisão do TRE-ES vai além do caso individual envolvendo Gilvan e Camila.
“Não é a vitória de uma mulher contra um homem, é a vitória de todas as mulheres”, declarou Jacqueline.
Camila: “uma vitória das mulheres e da democracia”
Também pelas redes sociais, Camila Valadão comentou o resultado enquanto cumpria agenda de campanha no Norte do Espírito Santo. A deputada lembrou que o processo se estende por cerca de quatro anos e afirmou que enfrentou episódios de violência política durante o período em que exercia o mandato de vereadora em Vitória.
Camila destacou que optou por denunciar os ataques e buscar as medidas cabíveis, em vez de aceitar a situação como algo inerente à atividade política.
“Eu não fui só vítima de violência, eu denunciei”, afirmou.
Na avaliação da deputada, o resultado do julgamento não deve ser entendido apenas como uma resposta a um episódio envolvendo duas pessoas. Para ela, a decisão tem impacto sobre outras mulheres que pretendem disputar eleições e ocupar espaços de poder.
Camila classificou o julgamento como uma vitória das mulheres e da democracia, argumentando que a violência política de gênero afeta a própria participação feminina na vida pública.
A parlamentar também considerou a decisão histórica para o Espírito Santo e ressaltou seu caráter pedagógico. Segundo ela, o entendimento da Justiça Eleitoral reforça que ataques contra mulheres na política não devem ser naturalizados.
Entenda o caso
A ação está relacionada a episódios ocorridos em dezembro de 2021, quando Gilvan e Camila eram vereadores de Vitória. Na ocasião, Gilvan fez declarações ofensivas contra a então colega de Legislativo, incluindo referências à sua condição de mulher e à religião.
O Ministério Público do Espírito Santo denunciou o parlamentar por violência política de gênero, injúria e intolerância religiosa. No julgamento, a Justiça Eleitoral reconheceu a prática de violência política de gênero e absolveu Gilvan das outras duas acusações.
A condenação foi confirmada pelo plenário do TRE-ES em dezembro de 2025. Posteriormente, decisões no Tribunal Superior Eleitoral restabeleceram os efeitos da condenação, abrindo caminho para o indeferimento do registro da candidatura.
Com a decisão desta sexta-feira, Gilvan fica impedido de disputar a reeleição neste momento, mas ainda possui possibilidade de recorrer ao TSE dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.
O caso, agora, ganha também uma dimensão simbólica para Camila Valadão e Jacqueline Moraes: a defesa de que a participação das mulheres na política não deve estar condicionada à aceitação de ataques, constrangimentos ou violência como parte do jogo eleitoral.
O Café com Política tentou contato com o deputado Gilvan, mas não obteve êxodo. O espaço continua em aberto caso ele deseja se manifestar sobre o assunto.


























































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