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El Niño pode aumentar pobreza e insegurança alimentar no Espírito Santo, alerta TCE-ES.

há 5 horas
3 min de leitura

Por Addison Viana


El niño deve chegar ao Brasil no final do ano ao início de 2027.




RESUMO: O Espírito Santo pode enfrentar um aumento da vulnerabilidade social com os efeitos do El Niño previstos para o fim de 2026 e início de 2027. Em nota técnica divulgada nesta segunda-feira (14), o TCE-ES alertou para possíveis impactos sobre famílias de baixa renda, agricultores e pessoas em situação de rua. O tribunal recomenda que os municípios adotem medidas preventivas antes que os eventos climáticos extremos ocorram. Entre as ações estão o mapeamento de áreas de risco, preparação de abrigos e reforço das equipes de assistência social.



Tribunal recomenda que municípios se preparem para possíveis enchentes, calor extremo, perdas de renda e aumento da procura por serviços de assistência social


O El Niño previsto para o fim de 2026 e o início de 2027 pode ampliar a vulnerabilidade social no Espírito Santo, segundo alerta divulgado nesta segunda-feira (14) pelo Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES). Em uma nota recomendatória, a área técnica do tribunal orienta os municípios a se anteciparem aos possíveis impactos provocados por calor intenso, estiagens, enchentes, alagamentos e outros eventos climáticos extremos.


A preocupação não está apenas nos efeitos ambientais. De acordo com a avaliação do TCE-ES, alterações no clima podem atingir diretamente a renda, a alimentação e as condições de moradia de milhares de famílias, principalmente aquelas que já vivem em situação de vulnerabilidade.


Um dos principais riscos apontados é o aumento da insegurança alimentar. A combinação de temperaturas elevadas, menor disponibilidade de água e eventos climáticos extremos pode prejudicar a produção agrícola, reduzir a oferta de determinados alimentos e pressionar os preços.


O impacto tende a ser ainda maior entre agricultores familiares e comunidades tradicionais, que dependem diretamente das condições climáticas para garantir sua produção e renda.



Mais procura por ajuda do poder público


O tribunal também chama atenção para uma consequência que costuma aparecer depois dos desastres: o aumento da procura por benefícios e serviços públicos.


Famílias que perdem móveis, alimentos, fontes de renda ou até mesmo suas casas podem precisar de auxílio emergencial, alimentação, abrigo temporário e acompanhamento das equipes de assistência social.


Por isso, o TCE-ES recomenda que as prefeituras não esperem o problema acontecer para começar a agir.


Entre as medidas sugeridas está o levantamento antecipado das famílias que vivem em locais sujeitos a enchentes, deslizamentos, alagamentos e estiagens severas. Para isso, os municípios devem utilizar informações da Defesa Civil, do Cadastro Único e da própria rede de assistência social.



Abrigos precisam estar preparados


Outro ponto destacado é a preparação dos municípios para receber moradores que eventualmente tenham de deixar suas casas.


O tribunal recomenda que as prefeituras participem da atualização dos planos de contingência da Defesa Civil e definam previamente os locais que poderão funcionar como abrigos.


Esses espaços deverão contar com condições adequadas de segurança, higiene e acessibilidade, além de itens básicos como água potável, alimentos, colchões, cobertores e kits de higiene.


A orientação também prevê que o atendimento às famílias não termine depois que o evento climático passar. O acompanhamento deverá continuar para auxiliar na reconstrução das condições de vida e no acesso a benefícios e serviços públicos.



Moradores de rua estão entre os mais expostos


O calor extremo também preocupa o TCE-ES, especialmente em relação às pessoas em situação de rua.


Segundo a avaliação apresentada pelo tribunal, períodos de temperaturas muito elevadas podem aumentar os riscos de desidratação, insolação e exaustão térmica, além de agravar problemas de saúde já existentes.


Por isso, uma das recomendações é ampliar a abordagem social durante os dias de calor intenso e criar uma atuação integrada entre as áreas de assistência social e saúde.



Equipes deverão ser preparadas


O TCE-ES também orienta os municípios a promoverem treinamentos periódicos para profissionais dos Cras, Creas, unidades de acolhimento e gestores da assistência social.


A ideia é preparar a rede pública para lidar com um eventual aumento repentino da demanda e garantir que os atendimentos não sejam interrompidos ou sobrecarregados durante situações de emergência.


Para a coordenadora do Núcleo de Controle Externo de Avaliação e Monitoramento de Políticas Públicas Sociais Ampliadas do TCE-ES, Cláudia Mattiello, os efeitos de um desastre climático podem permanecer por muito tempo depois que o evento termina.


Ela defende que os municípios trabalhem de forma preventiva, identificando as famílias mais expostas, organizando as equipes e planejando antecipadamente como será o atendimento em caso de emergência.


A recomendação faz parte de uma série de orientações elaboradas pelo TCE-ES diante dos possíveis efeitos do El Niño 2026/2027. O tribunal também prepara materiais específicos relacionados às áreas de Saúde, Educação e Comunicação.

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