Manato abre o jogo e expõe crise no PL-ES: “Projeto de poder” de Magno Malta entra na mira do ex-aliado.
há 20 horas
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Por Addison Viana

Foto: Reprodução/Podcast/noplano7 - Manato foi questionado sobre a saída de diversos nomes do PL capixaba e sobre o que estaria acontecendo dentro da legenda.
RESUMO: Carlos Manato, candidato a deputado federal pelo Republicanos, criticou a direção do PL no Espírito Santo durante entrevista ao podcast Noplano7. Ele relatou os motivos de sua saída do partido, questionou decisões atribuídas à direção estadual e afirmou enxergar um “projeto de poder” da família Malta. Manato também criticou a escolha de Maguinha Malta, filha de Magno Malta, para disputar o Senado e defendeu que outros nomes fossem avaliados por pesquisas antes da definição da candidatura.
Candidato do Republicanos relata conflitos internos, critica a condução do PL no Espírito Santo e defende que nomes do campo político fossem submetidos a pesquisas antes da definição da candidatura ao Senado.
A disputa interna no PL do Espírito Santo voltou ao centro do debate político após Carlos Manato, candidato a deputado federal pelo Republicanos, fazer críticas à condução da legenda no Estado e ao presidente estadual do Partido Liberal, o senador Magno Malta. Em entrevista ao podcast Noplano7, Manato relatou os motivos que, segundo sua versão, levaram ao rompimento com o PL e afirmou que existe um “projeto de poder” ligado à família Malta na política capixaba. Magno Malta é senador pelo Espírito Santo e integra o PL no Senado.
O ponto mais sensível da entrevista apareceu quando Manato questionou a decisão de lançar Maguinha Malta, filha de Magno Malta, como candidata ao Senado. Para ele, a escolha deveria ter sido precedida por uma avaliação mais ampla dos nomes do campo político ao qual o partido está ligado, inclusive por meio de pesquisas qualitativas.
Maguinha Malta é candidata ao Senado pelo PL nas eleições de 2026. A candidatura consta nos registros eleitorais consultados, com o número 222.
Manato fala em “projeto de poder”
Durante a conversa, Manato foi questionado sobre a saída de diversos nomes do PL capixaba e sobre o que estaria acontecendo dentro da legenda.
Ao responder, o ex-integrante do partido fez uma crítica direta à direção estadual. Segundo ele, decisões importantes estariam sendo tomadas de forma concentrada, sem que outros nomes com atuação política fossem considerados para determinadas disputas.
Foi nesse contexto que surgiu a expressão “projeto de poder”.
Questionado se enxergava um projeto pessoal de poder da família Malta na política do Espírito Santo, Manato respondeu afirmativamente e relacionou a avaliação à forma como candidaturas estariam sendo conduzidas dentro do partido.
A afirmação, porém, representa a avaliação pessoal de Manato apresentada durante a entrevista, e não uma conclusão independente sobre a atuação da família Malta.
Escolha de Maguinha para o Senado é alvo de questionamento
O principal ponto levantado por Manato envolve a candidatura de Maguinha Malta ao Senado.
Na entrevista, ele argumentou que, diante da existência de diferentes nomes ligados à direita no Estado, o partido poderia ter realizado pesquisas mais amplas para identificar quais candidaturas apresentavam maior respaldo entre os eleitores.
A proposta citada por Manato seria colocar diferentes nomes em avaliação e, a partir dos resultados, definir quem teria melhores condições de representar o grupo na disputa.
A candidatura de Maguinha, entretanto, foi formalizada pelo PL para as eleições de 2026. Ela é filha de Magno Malta e está em sua primeira disputa eleitoral, segundo informações apresentadas em seu próprio site de campanha.
“Por que Evair não foi para o PL?”, questiona Manato
Outro nome mencionado durante a entrevista foi o deputado federal Evair de Melo (Republicanos), que disputa uma vaga ao Senado.
Manato afirmou que considera Evair um nome com forte relação com o campo político de direita e disse trabalhar pela candidatura dele.
Na avaliação apresentada pelo ex-integrante do PL, a presença de diferentes candidaturas do mesmo campo ideológico poderia fragmentar os votos.
Manato também citou Wellington Callegari, Coronel Ramalho, Marcos Duval e Leonardo Monjardim ao falar sobre nomes que, segundo ele, poderiam ser considerados nas articulações eleitorais.
Saída de nomes aumenta tensão interna
A entrevista também abordou a saída de outros políticos do PL no Espírito Santo.
Manato citou nomes como Rafael Monteiro, Léo Camargo, Wellington Callegari e Coronel Ramalho e afirmou que, na visão dele, as mudanças não seriam apenas decisões individuais, mas estariam relacionadas à maneira como o partido vem sendo conduzido no Estado.
Essa interpretação, novamente, foi apresentada pelo próprio Manato durante o podcast.
O PL, por sua vez, permanece sob a presidência estadual de Magno Malta, que exerce mandato de senador pelo Espírito Santo até 2031.
O rompimento de Manato com o PL
As críticas atuais têm relação direta com a trajetória recente de Manato dentro da legenda.
Na entrevista, ele relatou que pretendia permanecer no grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas afirmou ter encontrado resistência para ingressar no PL durante a preparação para a eleição de 2022.
Manato também disse que sua campanha para o Governo do Espírito Santo naquele ano recebeu, segundo seu relato, apenas R$ 100 mil do PL, valor que ele considera insuficiente para uma disputa estadual.
Ele afirmou ainda que esperava maior participação de Bolsonaro no segundo turno daquela eleição e disse acreditar que uma visita do ex-presidente ao Espírito Santo poderia ter interferido no cenário eleitoral.
Essas são afirmações feitas pelo próprio Manato na entrevista e não foram apresentadas no podcast acompanhadas de documentação que permita confirmar cada um dos episódios narrados.
Críticas vão além da disputa eleitoral
A fala de Manato não ficou restrita à escolha de candidatos.
Em diversos momentos da entrevista, ele classificou a estrutura de decisão do PL no Espírito Santo como pouco aberta à participação de outros integrantes. Chegou a usar termos como “ditadura” e “imperialismo” para descrever o funcionamento interno da legenda.
São expressões utilizadas pelo próprio entrevistado e que refletem sua avaliação sobre a organização partidária.
Manato também afirmou que pretende voltar ao assunto depois das eleições e disse que, naquele momento, pretende detalhar outros episódios relacionados à sua passagem pelo PL.
O Café com Política ES fez contato com o gabinete do senador Magno Malta, oferecendo espaço para manifestação sobre as falas de Manato, mas até o fechamento dessa matéria não houve retorno.
O que está em jogo
A crise relatada por Manato coloca em evidência uma disputa que vai além de uma simples troca de partido: envolve quem terá espaço para definir candidaturas, alianças e estratégias dentro do campo político de direita no Espírito Santo.
De um lado, Magno Malta permanece como uma das principais lideranças do PL capixaba e sua filha, Maguinha Malta, disputa uma das duas vagas ao Senado em 2026.
Do outro, Manato deixou o PL, ingressou no Republicanos e concorre novamente à Câmara dos Deputados. O registro de sua candidatura para deputado federal em 2026 está deferido pela Justiça Eleitoral.
A entrevista, portanto, expõe publicamente divergências sobre a condução partidária, a definição de candidaturas e a estratégia eleitoral do grupo político.
As críticas e acusações feitas por Manato nesta reportagem são apresentadas como declarações do próprio candidato durante a entrevista.
O Café com Política ES não as trata como fatos comprovados além do que pode ser confirmado por registros públicos.

























































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