Pressão contra escala 6×1 faz deputados recuarem antes de ato em Vitória.
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Por Addison Viana

O protesto marcado para a próxima segunda-feira (25), em frente à Assembleia Legislativa, acontece em meio à reta final da tramitação da PEC na Câmara dos Deputados. Após críticas nas redes sociais e pressão popular, parlamentares do Espírito Santo já começaram a retirar apoio de emendas consideradas prejudiciais aos trabalhadores.
Sindicatos, organizações populares e integrantes do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) convocaram para a próxima segunda-feira, 25 de maio, um ato em Vitória cobrando o fim imediato da escala 6×1 e criticando parlamentares acusados de apoiar propostas que podem adiar ou flexibilizar a redução da jornada de trabalho no país. A mobilização acontecerá em frente à Assembleia Legislativa do Espírito Santo, com concentração marcada para as 15h e início previsto para as 18h.
A manifestação ocorre em meio à expectativa da votação das propostas de redução da carga horária na Câmara dos Deputados. O relatório da comissão especial deve ser apresentado nesta segunda-feira, enquanto a votação no colegiado está prevista para quarta-feira (27), seguindo depois para análise em plenário.
Atualmente, duas Propostas de Emenda à Constituição tratam da redução da jornada de trabalho. Uma delas, apresentada pela deputada Erika Hilton, 33 anos, prevê jornada semanal de 36 horas no modelo 4x3. Já a proposta do deputado Reginaldo Lopes, propõe uma redução gradual da carga horária ao longo dos próximos dez anos.
Entre os deputados capixabas citados pelos movimentos sociais estão Evair de Melo (Republicanos), Messias Donato (União), Da Vitória (PP) e Amaro Neto (PP). Segundo os organizadores do ato, os parlamentares assinaram emendas consideradas prejudiciais à proposta original do fim da escala 6×1.
As emendas questionadas incluem medidas que ampliam possibilidades de negociação individual entre empresas e trabalhadores, condicionam a redução da jornada ao aumento de produtividade e criam exceções para determinados setores considerados essenciais.
Segundo Vinícius Machado, coordenador estadual do VAT, a mobilização popular ganhou força justamente para impedir que a PEC seja aprovada com mecanismos que, na avaliação dos movimentos, esvaziariam a proposta defendida pelos trabalhadores.
Antes mesmo do protesto, deputados já começaram a recuar
Mesmo antes da manifestação acontecer, parte da pressão popular já começou a surtir efeito nos bastidores de Brasília. Lideranças ligadas ao movimento afirmam que deputados passaram a recuar após forte repercussão negativa nas redes sociais e críticas de trabalhadores.
Um documento de retirada das emendas chegou a ser assinado por integrantes de um bloco com mais de 270 deputados federais. Entre os nomes apontados pelos movimentos como participantes do recuo estão Da Vitória e Amaro Neto.
Para os organizadores do protesto, a mudança de postura demonstra que a mobilização pública vem aumentando o desgaste político de parlamentares associados às propostas de flexibilização da jornada.
“A população começou a identificar quem estava apoiando medidas para adiar o fim da escala 6×1, e isso gerou reação imediata”, afirmou Vinícius Machado.
A dirigente da Central Única dos Trabalhadores no Espírito Santo, Clemilde Cortes, declarou que os atos continuarão mesmo após os recuos, já que os movimentos defendem a aprovação imediata da redução da jornada sem exceções ou adiamentos.
Debate divide Congresso e setor empresarial
Enquanto sindicatos e movimentos sociais defendem que a escala 6×1 provoca adoecimento físico e mental, reduz o convívio familiar e compromete a qualidade de vida dos trabalhadores, representantes do setor produtivo argumentam que a redução da jornada pode elevar custos e impactar a competitividade das empresas.
O tema ganhou forte repercussão nas redes sociais, principalmente entre trabalhadores jovens, aumentando a pressão sobre parlamentares em ano pré-eleitoral e ampliando o desgaste de políticos ligados à manutenção do modelo atual.
Além do protesto em Vitória, movimentos organizam caravanas para Brasília e estudam novas manifestações em aeroportos, panfletagens e campanhas digitais durante os dias de votação da PEC.
























































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