ANÁLISE: Arnaldinho rompe, equipara Casagrande a Paulo Hartung e diz que quem decidirá a eleição em 2026 será o povo
- Addison Viana
- 18 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
O gesto não foi impulsivo, tampouco retórico. Ao romper politicamente, Arnaldinho Borgo escolheu um caminho mais raro na política capixaba: o da afirmação pública sem agressão, do confronto sem desqualificação, da divergência tratada como princípio — e não como ataque pessoal.

Ao equiparar Renato Casagrande a Paulo Hartung, Arnaldinho não faz um juízo moral, mas um diagnóstico político. Ambos representam, cada um à sua maneira, um modelo de poder fortemente centralizado, avesso a sucessões abertas e pouco permeável à emergência de novos projetos. A comparação não é um gesto de hostilidade, mas de leitura histórica: ciclos longos tendem a se fechar quando deixam de dialogar com o tempo presente.
Nesse contexto, o rompimento não surge como ruptura abrupta, mas como consequência natural de um processo que se esgotou. Ao tornar pública sua posição, Arnaldinho afirma algo simples e ao mesmo tempo disruptivo: a eleição de 2026 não pertence a arranjos de gabinete, tampouco a decisões unilaterais. Pertence ao povo capixaba.
É aqui que sua intenção política ganha densidade. Ao se colocar como pré-candidato ao Governo do Estado, Arnaldinho não confronta pessoas, mas projetos. O contraste com Ricardo Ferraço não se dá no plano da biografia ou da trajetória pessoal — ambas respeitáveis —, mas no campo das ideias e do método. De um lado, a continuidade organizada a partir do centro do poder; de outro, a disposição de submeter um projeto ao crivo popular desde a sua origem.
Esse posicionamento carrega riscos, e Arnaldinho parece consciente deles. Romper com estruturas consolidadas implica atravessar resistências, enfrentar narrativas prontas e lidar com o ceticismo de setores acostumados à previsibilidade. Ainda assim, sua fala indica que a aposta não está na facilidade do caminho, mas na legitimidade do processo.
Ao afirmar que será o povo quem decidirá 2026, Arnaldinho recoloca a política em seu eixo fundamental: o da soberania popular. Não se trata de negar a importância das lideranças, mas de reconhecer que nenhuma sucessão é legítima se nasce fechada sobre si mesma. A história política do Espírito Santo mostra que projetos excessivamente controlados tendem a perder vitalidade — mesmo quando preservam poder formal.
O confronto com Ricardo Ferraço, portanto, se estabelece de forma civilizada e clara. Não é uma negação do passado, mas uma disputa pelo futuro. Um debate sobre continuidade versus renovação, sobre decisão vertical versus construção coletiva, sobre herança política versus escolha popular.
Ao romper, Arnaldinho não fecha portas; ele muda de rota. E ao fazê-lo sem ataques, preserva algo cada vez mais raro na política: a possibilidade de discordar com elegância, de disputar com seriedade e de afirmar ambição sem arrogância.
A partir de agora, o cenário está posto. Não mais como uma sucessão previamente desenhada, mas como uma eleição aberta, sujeita ao debate, ao convencimento e ao julgamento soberano da sociedade. Em 2026, como ele próprio afirma, não será o Palácio que decidirá. Será o povo.

























































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