ANÁLISE: Arnaldinho X Ricardo Ferraço: quem vai pegar a melhor onda?
- Addison Viana
- 25 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
CASAGRANDE CONIVENTE COM DOIS CANDIDATOS? OU BATERÁ O MARTELO APENAS PARA UM?

A política capixaba entra, mais uma vez, naquele momento em que as placas tectônicas se movem por baixo da superfície, enquanto a população ainda está distraída com as cortinas de fumaça do dia a dia. O jogo real acontece dentro do palanque governista — e o roteiro está longe de ser harmônico.
A pergunta central é simples, mas explosiva:
Há um racha instalado no palanque de Renato Casagrande ou o governador avalizou conscientemente a ida de Arnaldinho para o PSDB, preparando-se para ter dois candidatos orbitando seu campo?
A resposta, hoje, é desconfortável para o governo: as duas leituras são possíveis — e ambas revelam a fragilidade do momento político do Palácio Anchieta.
1. O TABULEIRO: ARNALDINHO ENTRA NO PSDB, RICARDO PERDE EXCLUSIVIDADE E O JOGO SE REVIRA

A possível entrada de Arnaldinho Rossetto no PSDB não é um movimento isolado. Ele chegará com estrutura, acesso regional, boa aprovação em Vila Velha e — o que mais preocupa — com a simpatia de setores do governo que nunca engoliram totalmente o projeto de Ricardo Ferraço.
Casagrande avaliza tacitamente? O governador não declarou nada publicamente, mas permitiu os movimentos. E, na política, permitir é consentir.
Se ele não quisesse a possível entrada de Arnaldinho no PSDB, a porta não teria aberto nem dois centímetros.
Dois candidatos no campo governista? É exatamente isso que se desenha:
Ricardo, nome histórico, com recall e experiência — mas também com desgastes acumulados.
Arnaldinho, gestor aprovado, com narrativa de eficiência e renovação.
Para o eleitorado governista, isso cria uma guerra fria. Para Casagrande, uma bomba-relógio. Para Ricardo, uma ameaça existencial.
2. A REAÇÃO DE RICARDO: O DESAFIO DE IMPEDIR QUE O PSDB VIROU “PARTIDO ARNALDINHO”
Ricardo precisa, urgentemente, fazer algo que nunca foi seu forte: segurar partido, segurar base, segurar cargos e segurar narrativa ao mesmo tempo.
O PSDB sempre foi uma legenda de caciques múltiplos. Agora, com Arnaldinho entrando forte, a tendência natural é de divisão:
quem quer futuro, vai para Arnaldinho;
quem deve favores ao passado, fica com Ricardo.
Ricardo terá que:
fechar portas internas,
barrar articulações,
resgatar lealdades adormecidas,
usar Casagrande como árbitro quando necessário,
e impedir o surgimento da tese “Arnaldinho governador 2026”.
Se não fizer isso imediatamente, perderá a onda antes de ela quebrar.
3. A FRAQUEZA ESTRATÉGICA DO PALÁCIO ANCHIETA
A impressão geral é simples: o governo não controla mais sua base.
Sinais se acumulam:
disputas internas que Casagrande já não consegue arbitrar,
microprojetos regionais sem alinhamento,
líderes estaduais batendo cabeça pelo Espírito Santo.
O caso Arnaldinho x Ricardo é apenas mais um capítulo.
Casagrande, que sempre teve controle fino das alianças, agora assiste ao próprio bloco se fragmentar — seja por fadiga, seja pela ausência de sucessor natural, seja pelo fim de ciclo.
4. VANDINHO LEITE E MAZINHO ANJOS: OS SINTOMAS MAIS CLAROS DA DEBILIDADE DO GOVERNO
O movimento — ou paralisia — de Vandinho Leite e Mazinho Anjos expõe algo grave: nenhum dos dois sabe para onde ir. E o motivo é óbvio: o governo não tem comando suficiente para indicar caminho.
A fraqueza de Vandinho Leite:
Vandinho perdeu domínio de base, perdeu alinhamento com Casagrande, perdeu influência na Serra e hoje trabalha mais para sobreviver do que para liderar.Virou figurante institucional. Segue quem estiver vencendo — e esse tipo sempre afunda antes da onda virar.
Mazinho Anjos
Mazinho está na mesma praia, mas ainda com prancha na mão: tem espaço, mas não tem direção; tem importância, mas não tem eixo.
O destino dos dois dependerá de quem mostrar força:
se Arnaldinho crescer no PSDB, eles vão para lá;
se Ricardo segurar a máquina, ficam;
se Casagrande cruzar os braços, viram satélites.
5. E OS CARGOS DO PSDB NO GOVERNO — COMO O PROCON?
A permanência ou perda de cargos como o Procon será o termômetro da força entre Ricardo e Arnaldinho.
Se Ricardo continuar mandando, Casagrande manteve neutralidade.
Se houver troca ou divisão, o governador abriu espaço para Arnaldinho.
Nos bastidores, já há ruído sobre redistribuição — e onde há fumaça, o Palácio costuma estar com o isqueiro na mão.
6. VITÓR LINHARES E O PODEMOS: UMA PEÇA QUE DESMONTA E OUTRA QUE NASCE
Vitor Linhares pode, sim, deixar o Podemos. O partido não garantiu amplitude ao seu projeto. Se ele sair:
Gilson Daniel perde tração interna.
Arnaldinho ganha espaço para alianças.
A saída de Vitór é prova de que ninguém mais se sente obrigado a ficar no campo governista.
7. ARNALDINHO x RICARDO: QUEM PEGA A MELHOR ONDA?
Se a eleição fosse decidida pelo mar político:
Ricardo é o surfista experiente, mas com reflexos mais lentos e prancha antiga.
Arnaldinho é o surfista técnico, rápido, com prancha nova — falta musculatura estadual, mas isso se constrói rápido.
A onda está se formando.
Se Ricardo não remar agora, Arnaldinho vai dropar primeiro — e quem dropa primeiro define a narrativa.
CONCLUSÃO: UM GOVERNO FRÁGIL QUE CRIOU UM CONFRONTO QUE NÃO CONSEGUE ARBITRAR
A fragilidade de Casagrande abriu espaço para dois projetos governistas competirem entre si. A debilidade de Vandinho e Mazinho impede a construção de um eixo confiável. A possível saída de Vitor Linhares enfraquece aliados. O controle de cargos como o Procon definirá quem manda no PSDB.
No centro do tabuleiro, a disputa decisiva:
Arnaldinho, a renovação, versus Ricardo, o establishment.
Mais do que uma disputa interna, é um divisor de águas — o momento que dirá quem pegará a melhor onda e quem ficará na areia vendo a eleição passar.

























































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