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Assembleia reage a denúncias e articula lei para combater abuso sexual infantil no esporte.


Por Addison Viana


Foto: Lucas S. Costa - A Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da Ales realizou, na manhã desta terça-feira, uma reunião para debater o tema.


O ambiente esportivo, frequentemente associado à formação e disciplina, também pode esconder riscos. Após ouvir especialistas e relatos preocupantes, deputados decidiram agir para ampliar a proteção de crianças e adolescentes. Uma proposta legislativa já está em construção.


Diante de relatos sobre abuso sexual infantil em ambientes esportivos, a Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) realizou, na manhã desta terça-feira (10), uma reunião para debater o tema e definir estratégias de enfrentamento. O encontro reuniu profissionais da área esportiva, psicologia e proteção social e resultou no anúncio da elaboração de um projeto de lei voltado à prevenção desse tipo de violência.


A discussão foi motivada pela crescente preocupação com situações de vulnerabilidade enfrentadas por crianças e adolescentes que participam de escolinhas e projetos esportivos. Durante a reunião, foram apresentados relatos que mostram como abusadores se aproveitam da relação de confiança construída nesses espaços.


Redes sociais e falsas promessas ampliam os riscos


Um dos convidados do encontro foi o treinador de futebol Raí de Sousa, responsável por uma escolinha em Aracruz que atende crianças e jovens de 5 a 16 anos. Com experiência direta no contato com atletas mirins, ele alertou para abordagens suspeitas feitas por meio das redes sociais, especialmente pelo Instagram.


Segundo o treinador, há casos de adultos que se passam por empresários ou dirigentes esportivos e solicitam fotos e vídeos dos menores. Ele destacou que esse tipo de contato, quando não acompanhado pelos pais ou responsáveis, pode representar um sério risco à segurança das crianças.


Mudanças de comportamento exigem atenção da família


A psicoterapeuta Andréa Renata Floriano, que atua há 16 anos na área e acompanha crianças no ambiente esportivo, reforçou que muitos casos de violência só são percebidos por meio de mudanças sutis no comportamento. Ela relatou que já identificou situações de abuso ocorridas, inclusive, dentro do próprio núcleo familiar.


De acordo com a especialista, é fundamental que pais e responsáveis estejam atentos a sinais como isolamento, queda de rendimento, alterações de humor e medo excessivo. Muitas vezes, segundo ela, a criança não relata o que está acontecendo por vergonha ou por acreditar que está incomodando os adultos.


Dados alarmantes e resposta legislativa


O presidente da comissão, deputado Alcântaro Filho (Republicanos), ressaltou a gravidade do tema ao citar dados nacionais que apontam que uma criança é vítima de abuso sexual a cada poucos minutos no Brasil. Ele destacou que, na maioria dos casos, o agressor está próximo da vítima e se aproveita de vínculos de confiança.


Como resposta, o parlamentar anunciou que a comissão irá trabalhar em conjunto com profissionais do esporte para apresentar, em até 60 dias, um projeto de lei com medidas preventivas. A proposta deve incluir cadastro obrigatório de profissionais, exigência de certidões criminais negativas e capacitação periódica para que treinadores e educadores consigam identificar sinais de abuso.


Participação da rede de proteção


A reunião contou ainda com a presença do conselheiro tutelar Jean Cleres Teixeira Santana, reforçando a integração entre o Legislativo e os órgãos de proteção à infância. A comissão afirmou que novas discussões devem ocorrer para aprimorar o texto da proposta antes de sua apresentação oficial.

 
 
 

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