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“Vitória precisa virar a página”: vereadora pressiona Câmara para trocar nome da Avenida Dante Michelini por Avenida Araceli.


Por Addison Viana


Foto: reprodução/CMVTV - A vereadora Karla Coser (PT) voltou à tribuna da Câmara Municipal de Vitória, nesta segunda-feira (9), para defender publicamente a mudança do nome da Avenida Dante Michelini para Avenida Araceli


Um debate antigo voltou com força à Câmara de Vitória. A proposta de renomear uma das principais avenidas da capital reacendeu discussões sobre memória, justiça e responsabilidade histórica. Para a vereadora Karla Coser, manter o nome atual é perpetuar uma ferida aberta na sociedade capixaba.


A vereadora Karla Coser (PT) voltou à tribuna da Câmara Municipal de Vitória, nesta segunda-feira (9), para defender publicamente a mudança do nome da Avenida Dante Michelini para Avenida Araceli, em referência à menina Araceli Cabrera Crespo, assassinada em 1973. A parlamentar afirma que a proposta busca corrigir uma distorção histórica e enviar um recado claro de enfrentamento à violência sexual contra crianças.


Segundo a vereadora, o nome da avenida carrega o peso simbólico do sobrenome Michelini, associado a um dos episódios mais traumáticos da história do Espírito Santo. Pai e filho da família Michelini chegaram a ser acusados pelo crime, foram condenados em primeira instância, mas acabaram absolvidos anos depois por falta de provas, após anulação da sentença. Ainda assim, o caso prescreveu sem qualquer punição, deixando marcas profundas na sociedade.


Um nome que ultrapassa gerações e mantém uma ferida aberta


Embora a avenida leve o nome do avô de Dantinho e pai de Dante Michelini, que morreu anos antes do crime e não teve qualquer relação com o caso, o sobrenome ficou definitivamente ligado à tragédia. Para Karla Coser, independentemente da absolvição judicial, o nome estampado em uma das principais vias da capital reaviva uma dor coletiva e mantém viva a memória de um processo marcado por falhas e impunidade.


“A Araceli não é mártir de ninguém. Araceli é vítima”, afirmou a vereadora em discurso firme, ao rebater tentativas de minimizar o simbolismo da mudança. Segundo ela, o dia 18 de maio, hoje reconhecido nacionalmente como data de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, existe justamente por causa do caso Araceli.


Vontade política e reparação histórica


Durante a fala, Karla Coser destacou que outras mudanças de nomes de vias importantes já ocorreram em Vitória, quando houve decisão política. Para ela, o argumento de entraves técnicos ou custos financeiros não se sustenta. A vereadora lembrou que a legislação municipal permite exceções e que a prefeitura pode assumir eventuais despesas.


A proposta defendida pelo mandato prevê, inclusive, mobilização popular, por meio de abaixo-assinado, para fortalecer o pedido de alteração do nome. “Essa Casa precisa dar uma resposta à sociedade de Vitória”, afirmou, ressaltando que a homenagem seria uma forma simbólica de permitir que Araceli, mais de 50 anos depois, tenha finalmente um reconhecimento digno.


Caso Araceli: crime sem culpados e memória marcada pela impunidade


Araceli Cabrera Crespo tinha apenas 8 anos quando foi sequestrada, drogada, violentada e assassinada em Vitória, em maio de 1973. O crime chocou o país e se tornou referência nacional no debate sobre violência contra crianças. Apesar das investigações, julgamentos e condenações iniciais, os acusados foram absolvidos posteriormente, e o processo acabou arquivado sem responsabilização penal.


Para Karla Coser, manter o nome Dante Michelini em uma avenida central da cidade é ignorar essa história e o sofrimento que ela ainda provoca. “Não houve condenação por erro da Justiça. Isso é uma vergonha institucional”, declarou.


Debate segue na Câmara


O tema voltou ao centro das discussões políticas e deve avançar nos próximos meses, com propostas legislativas para alterar regras do Código de Posturas e ampliar a participação popular em mudanças de nomes de logradouros públicos. A expectativa é que o debate ultrapasse os muros da Câmara e mobilize a sociedade capixaba.

 
 
 

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