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Crime brutal no ES: homem é executado após “tribunal do crime” e caso envolve até falsa revelação.

  • 14 de abr.
  • 2 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: SESP/ES - Durante o avanço das investigações, a polícia conseguiu identificar os envolvidos, incluindo o líder da organização criminosa, Júlio Alvarenga, conhecido pelo apelido de “Malvadão”.



Um crime chocante ocorrido em 2025 ganhou novos desdobramentos após conclusão do inquérito. A vítima foi sequestrada, mantida em cárcere e executada por ordem de grupo criminoso. O caso levanta alerta sobre violência, fake news e “justiça paralela”.


A Polícia Civil do Espírito Santo concluiu as investigações sobre um homicídio brutal ocorrido entre os dias 1º e 3 de outubro de 2025, envolvendo o sequestro e execução de um homem na Região Metropolitana da Grande Vitória. A vítima foi, de 36 anos, retirada de sua casa, no bairro Castelo Branco, em Cariacica, durante a madrugada do dia primeiro, mantida em cárcere e assassinada horas depois em uma área isolada conhecida como Tanque, em Viana. O corpo foi encontrado dois dias depois, já em avançado estado de decomposição.


De acordo com a apuração conduzida pela Divisão de Homicídios de Viana, o crime foi motivado por uma espécie de “tribunal do crime”, comandado por integrantes de uma organização criminosa que atua na região. A execução teria sido ordenada após familiares da vítima solicitarem sua morte, com base em uma acusação de abuso sexual contra uma criança — denúncia que, segundo as investigações, teria surgido a partir de uma suposta “revelação espiritual” feita por uma pessoa que se apresentou como pastora.


A polícia destaca que não há provas concretas de que o crime denunciado tenha ocorrido. Nenhum registro oficial foi feito junto às autoridades, e a vítima não teve oportunidade de se defender das acusações antes de ser executada.


A dinâmica do crime revela extrema violência. A vítima foi encontrada com as mãos amarradas, sinais de tortura e indícios de tentativa de destruição do corpo com o uso de pneus. A perícia identificou ao menos 12 disparos de arma de fogo, evidenciando a brutalidade da ação.


Durante o avanço das investigações, a polícia conseguiu identificar os envolvidos, incluindo o líder da organização criminosa, Júlio Alvarenga, conhecido pelo apelido de “Malvadão”, 28 anos. Ele foi preso em casa durante uma operação que contou com apoio de equipes especializadas. No local, os agentes apreenderam uma pistola 9mm, carregadores, munições, balaclava, coldre, celulares e anotações relacionadas ao tráfico de drogas.


Além do líder, um adolescente também participou diretamente do crime e foi encaminhado à Justiça da Infância e Juventude. Já os familiares que teriam incentivado a execução foram indiciados por participação no homicídio e responderão ao processo judicial.


As investigações também revelaram a atuação violenta da organização criminosa na região, com imposição de regras à população local, como revistas em moradores, controle de celulares e até proibição de câmeras de segurança, além de eventos com exibição de armas.


Com a conclusão do inquérito, o caso agora segue para análise do Ministério Público, que deverá decidir sobre novas medidas judiciais. A polícia reforça que o episódio evidencia os riscos da chamada “justiça com as próprias mãos”, especialmente quando baseada em informações não verificadas.

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