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Enquanto o Brasil bate recorde de feminicídios, Vitória completa quase 600 dias sem mortes de mulheres.

  • 21 de jan.
  • 3 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Divulgação - O Botão Maria da Penha, é um dispositivo utilizado por mulheres com medidas protetivas.


Em um cenário nacional marcado pelo aumento da violência contra a mulher, Vitória segue na contramão dos dados alarmantes. A capital do Espírito Santo está há quase 600 dias sem registrar feminicídios, resultado atribuído a políticas públicas contínuas, atuação integrada das forças de segurança e fortalecimento da rede de acolhimento às vítimas.


Enquanto o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, segundo dados do Ministério da Justiça — uma média de quatro mulheres assassinadas por dia —, Vitória alcança uma marca expressiva: há quase 600 dias não registra nenhuma morte violenta de mulher motivada por gênero.


O resultado não é fruto do acaso. De acordo com a Prefeitura, o índice reflete uma estratégia permanente que combina prevenção, tecnologia, resposta rápida e acolhimento humanizado, com destaque para a atuação da Guarda Civil Municipal de Vitória (GCMV).


Tecnologia garante resposta imediata às vítimas


Entre as principais ferramentas adotadas pelo município está o Botão Maria da Penha, dispositivo utilizado por mulheres com medidas protetivas. Ao ser acionado, o sistema envia automaticamente a localização da vítima à Central Integrada de Monitoramento, permitindo o deslocamento imediato de viaturas ao local da ocorrência, além do acompanhamento em tempo real, com captação de áudio.


A tecnologia é aliada a ações presenciais, como patrulhamento preventivo, fiscalização do cumprimento das medidas judiciais e atendimento especializado a casos de violência doméstica.


Atuação integrada fortalece a rede de proteção


Além da Guarda Municipal, o trabalho envolve uma atuação conjunta com o Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil e a rede municipal de assistência social. Segundo a comandante da Guarda de Vitória, Dayse Barbosa, o enfrentamento exige constância e sensibilidade.


“Esse resultado é fruto de um trabalho diário e integrado. Nosso foco é proteger vidas e impedir que situações de violência evoluam para desfechos extremos. Cada resposta rápida faz diferença”, afirma.

Acolhimento e cuidado além da segurança


Vitória também investe em políticas públicas voltadas ao acolhimento das mulheres em situação de violência. O Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência (CRAMSV) oferece escuta qualificada, avaliação de risco e encaminhamentos para serviços de saúde, assistência social e proteção.


Outro destaque é a Casa Rosa, espaço que reúne profissionais de diversas áreas — como médicos, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas — para acompanhamento clínico e psicossocial das mulheres e de suas famílias. O serviço atua tanto no cuidado quanto na prevenção e superação de traumas.


Educação e conscientização como estratégia de longo prazo


Além da resposta imediata, o município aposta na mudança cultural como caminho para reduzir a violência de gênero. Campanhas educativas, como os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, fazem parte das ações de conscientização desenvolvidas ao longo do ano.


Para a comandante Dayse Barbosa, o modelo adotado pela capital mostra que a integração entre segurança, assistência social, tecnologia e educação pode salvar vidas.


“Não se trata apenas de reagir à violência, mas de fortalecer a autonomia das mulheres e garantir que nenhuma esteja sozinha nesse enfrentamento”, destaca.

Exemplo que pode inspirar outras cidades


Especialistas apontam que, embora o Brasil ainda enfrente desafios estruturais no combate à violência contra a mulher, a experiência de Vitória demonstra que políticas públicas contínuas e articuladas produzem resultados concretos. O desafio agora é manter os avanços e ampliar a proteção para que nenhuma mulher seja silenciada pela violência.

 
 
 

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