Estuprador em série é preso após 29 anos de crimes e deixa rastro de terror em Guriri.
- 28 de jan.
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Por Addison Viana

Foto: Reprodução/Sesp/ES
Uma investigação minuciosa interrompeu a trajetória de um criminoso sexual que agia há quase três décadas. O suspeito atacava casais durante a noite no balneário de Guriri, usando ameaças, gravações e violência extrema para silenciar as vítimas. A prisão encerra uma sequência de crimes que atravessou gerações.
A Polícia Civil do Espírito Santo prendeu um estuprador de 49 anos, em série responsável por uma sequência de crimes sexuais cometidos desde 1994, após identificar um padrão de ataques registrados entre agosto e novembro de 2023 no balneário de Guriri, em São Mateus, no Norte do Estado. A prisão foi resultado de uma investigação conduzida pela delegada Patrícia Ferreira de Souza, com apoio da Superintendência Norte, chefiada pelo delegado Leonardo Malacarne, e ocorreu após a constatação de que os casos seguiam o mesmo modo de operação.
De acordo com as investigações, o criminoso já possuía quatro condenações definitivas por estupro, com crimes praticados em Caratinga (MG) e Nova Venécia (ES). Mesmo assim, voltou a agir aproveitando-se da baixa iluminação da orla de Guriri durante a baixa temporada, sempre no período noturno, geralmente após as 23 horas.
Os registros mais recentes começaram em 19 e 25 de agosto, seguiram em 12 e 30 de setembro, 3 e 19 de novembro, além de outros casos ainda em fase de identificação. Ao todo, ao menos sete estupros foram atribuídos ao mesmo autor, todos com características semelhantes.
O agressor abordava casais que caminhavam ou permaneciam na praia, utilizava uma lanterna para ofuscar as vítimas e ameaçava com faca — real ou simulada. Em seguida, levava o casal para áreas de restinga, onde a vegetação impedia a visualização por quem estivesse no calçadão. No local, obrigava a mulher a amarrar o companheiro, que ficava de bruços na areia, enquanto o abuso sexual era cometido.
Como estratégia de intimidação, o criminoso filmava os estupros, exigindo que as vítimas dissessem nome, endereço e local de trabalho. O material era usado como forma de chantagem para impedir denúncias. Segundo a Polícia Civil, esse mecanismo explica por que diversas vítimas só foram identificadas após a apreensão dos dispositivos eletrônicos do agressor.
Em um dos ataques, a reação do companheiro da vítima fez com que o criminoso fugisse às pressas, deixando para trás objetos pessoais, incluindo um celular. A partir da análise desse material e do cruzamento de dados de inteligência, os investigadores conseguiram chegar à autoria.
O suspeito foi localizado entre Guriri e Nova Venécia, onde costumava alternar estadias. Com apoio da equipe regional e após a expedição do mandado de prisão temporária, ele foi capturado sem resistência. Durante a operação, foram apreendidos celulares, luvas e outros materiais relacionados aos crimes.
A Polícia Civil confirmou que o investigado apresenta traços de personalidade narcisista e comportamento reiterado de violência sexual. O inquérito aponta que ele agiu sozinho em todos os episódios.
As vítimas, todas jovens e acompanhadas de parceiros, receberam atendimento especializado, com encaminhamento para exames, suporte psicológico e acolhimento institucional. A delegada responsável destacou que o medo, a vergonha e as ameaças explicam o silêncio prolongado de algumas vítimas.
Com a prisão, a polícia considera encerrado um ciclo criminoso que atravessou quase 30 anos. As investigações seguem para identificar possíveis novas vítimas e consolidar todas as provas para responsabilização definitiva do autor.
























































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