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Greve à vista: rodoviários param na terça e expõem desgaste no transporte da Grande Vitória.

  • 4 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Redação

Café com Política ES


A paralisação anunciada revela uma crise que vinha crescendo silenciosamente dentro do sistema Transcol.


Foto: Sindirodoviários


O sistema Transcol deve parar por completo a partir da zero hora da próxima terça-feira (9). A decisão saiu na manhã desta quinta (4), quando os rodoviários da Grande Vitória, reunidos em assembleia, decidiram rejeitar a proposta das operadoras e autorizaram a paralisação geral.


A oferta feita pelas empresas — um reajuste de 4,49%, equivalente apenas à inflação — não contemplava nenhum avanço nas demais reivindicações da categoria. Para os trabalhadores, a resposta não só ficou abaixo do esperado, como ignorou problemas graves enfrentados no dia a dia.


De acordo com o Sindirodoviários, a proposta não tratava de melhorias nas condições de trabalho, de redução da carga horária nem dos gargalos acumulados desde setembro, quando as negociações começaram. O presidente do sindicato, Marquinhos Jiló, resumiu o clima: “Não tinha como aceitar. Era uma proposta que não respondia a nada do que vivemos. A assembleia confirmou aquilo que a base já sentia”.


A assembleia da tarde — marcada para as 15h — deve apenas ratificar o que já foi aprovado pela categoria.


Pressão crescente nos bastidores


Os rodoviários afirmam que o desgaste chegou ao ponto máximo. A jornada atual é de 7h20 por dia, seis dias por semana, e frequentemente acompanhada de duas horas extras obrigatórias, o que tem levado muitos profissionais ao adoecimento físico e emocional.


Outro ponto explosivo é o fim dos cobradores, retirados progressivamente pelas empresas. Com isso, motoristas passaram a acumular funções: dirigir, cobrar, orientar passageiros e lidar com situações de segurança — tudo isso em um cenário de crescente violência urbana.


O sindicato relata agressões, assaltos e episódios que têm afastado trabalhadores e aumentado o medo dentro do sistema. “A pressão está muito grande. Tem gente saindo do sistema porque não aguenta mais”, reforçou o presidente.


Negociação sem avanço e cobrança ao governo


As conversas começaram em setembro, mas pouco evoluíram. Na reunião mais recente, na quarta (3), as empresas repetiram a mesma proposta já rejeitada anteriormente. Além do reajuste exclusivamente inflacionário, não houve avanço em temas centrais da pauta, como:


  • Reajuste com inflação + 10% de ganho real;

  • Redução da carga horária;

  • Melhoria urgente das condições de trabalho;

  • Revisão do acúmulo de funções;

  • Medidas de proteção aos trabalhadores.


O Sindirodoviários lembra que o governo do Estado tem papel direto no impasse, já que o Transcol é um sistema concedido, operado por empresas privadas sob regras definidas pela Ceturb-ES. Para o sindicato, o Estado precisa intervir para evitar maiores danos à população.

“Fazemos de tudo para evitar greve. Foram seis anos sem uma paralisação. Mas existe um limite. Precisamos cuidar de quem presta o serviço”, disse Jiló.


Há chance de acordo?


Mesmo com a greve anunciada, a categoria não fechou as portas para o diálogo. O sindicato afirma que, caso o governo ou as empresas apresentem uma proposta justa, o movimento pode ser suspenso antes de terça-feira.


“Estamos abertos. Se houver algo decente, voltamos à mesa. Mas, até agora, nada mudou”, concluiu o presidente.


Até lá, usuários do sistema Transcol devem se preparar para uma terça-feira de transporte completamente paralisado — e para mais um capítulo de pressão no já desgastado sistema de mobilidade da Grande Vitória.




Fonte: Século Diário

 
 
 

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