Vitória completa 600 dias sem feminicídio e transforma dado em ação concreta pela proteção das mulheres.
- 28 de jan.
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Por Addison Viana

Imagem ilustrativa Café IA: Atualmente, 33 Botões Maria da Penha estão ativos na capital, com dezenas de acionamentos registrados no período
Vitória alcançou um marco histórico ao registrar 600 dias sem feminicídio, resultado de uma rede integrada de proteção, prevenção e acolhimento. Para celebrar e reafirmar o compromisso com a vida das mulheres, a Prefeitura promove ações educativas e simbólicas nesta quinta-feira (29). A data destaca que o enfrentamento à violência é contínuo e coletivo.
Vitória atingiu, nesta semana, a marca de 600 dias consecutivos sem o registro de feminicídio, resultado de ações coordenadas da Prefeitura da capital, em parceria com o Judiciário, forças de segurança e entidades da sociedade civil. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (29) e motivou uma série de iniciativas realizadas em diferentes pontos da cidade, com o objetivo de reforçar a prevenção à violência e ampliar a conscientização da população sobre a proteção às mulheres.
As atividades começaram logo pela manhã, na feira livre da Praia do Canto, com a ação “Maria da Penha vai à Feira”. A iniciativa levou informação, orientação e acolhimento diretamente à comunidade, além da distribuição de mudas, simbolizando o cuidado diário necessário para preservar vidas.
Ainda no período da manhã, em frente ao Shopping Vitória, sementes de pau-ferro — árvore nativa da Mata Atlântica — foram entregues ao público, representando cada dia sem feminicídio e a esperança de um futuro mais seguro para as mulheres da capital.
O secretário municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho, Luciano Forrechi, destacou que o resultado não é fruto de uma ação isolada, mas de um trabalho permanente. Segundo ele, o marco deve ser comemorado, mas também serve de alerta para que as políticas públicas continuem sendo fortalecidas. “É um esforço coletivo que precisa ser renovado todos os dias. O compromisso é garantir que as mulheres de Vitória estejam vivas, protegidas e com seus direitos assegurados”, afirmou.
A capital conta com uma rede estruturada de proteção e acolhimento às mulheres em situação de violência. Entre os serviços oferecidos estão o atendimento psicológico e social no Centro de Referência em Atendimento à Mulher em Situação de Violência (Cramsv), suporte médico na Casa Rosa, acolhimento em abrigo sigiloso, orientação para solicitação de medidas protetivas e o uso do Botão Maria da Penha. O dispositivo, utilizado de forma discreta, envia um alerta imediato à Central de Monitoramento da Guarda Municipal quando acionado, permitindo resposta rápida em situações de risco.
Para a coordenadora do Cramsv, Fernanda Vieira, por trás dos números existem histórias que foram interrompidas a tempo. Ela ressalta que o acolhimento e a escuta qualificada são fundamentais para romper o ciclo da violência. “A prevenção começa com informação e com uma rede que funcione de verdade, capaz de apoiar cada mulher que procura ajuda”, pontuou.
A subsecretária da Mulher, Deborah Alves, reforçou que o município segue investindo em políticas públicas estruturantes e ações educativas. Segundo ela, o envolvimento da sociedade é decisivo para que o avanço registrado seja mantido. “Enfrentar a violência contra a mulher exige planejamento, sensibilidade e união”, destacou.
Entre as mulheres atendidas pela rede municipal está Bia, de 50 anos, que teve o nome alterado para preservar sua identidade. Após mais de duas décadas em um relacionamento abusivo, ela encontrou no Cramsv o apoio necessário para reconstruir sua autoestima e reorganizar a vida. “Aqui consegui entender quem eu sou e que não precisava mais viver daquela forma. A medida protetiva foi essencial para eu seguir em frente”, relatou.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho, entre 2022 e 2025, mais de 10,7 mil mulheres foram atendidas pelo Cramsv. Atualmente, 33 Botões Maria da Penha estão ativos na capital, com dezenas de acionamentos registrados no período, reforçando a importância da tecnologia aliada à proteção.
A marca de 600 dias sem feminicídio coloca Vitória como referência no enfrentamento à violência contra a mulher e evidencia que políticas públicas integradas salvam vidas.
























































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