MUG emociona o Sambão ao transformar ciência em samba e fazer da natureza a protagonista do Carnaval 2026.
- Addison Viana
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Por Addison Viana

Foto: Marcos Salles
Com um desfile sensível e impactante, a MUG mostrou que o carnaval também é espaço de reflexão. A escola transformou registros científicos em arte e levantou um alerta sobre a preservação ambiental. O público respondeu com aplausos e emoção do início ao fim.
A Mocidade Unida da Glória (MUG) desfilou na madrugada deste sábado (7), no Sambão do Povo, em Vitória, com um espetáculo que uniu ciência, memória e consciência ambiental. Com o enredo “O Diário Verde de Teresa”, a escola apresentou ao público a história da princesa e pesquisadora Teresa da Baviera, que esteve no Espírito Santo em 1888 catalogando espécies e registrando a biodiversidade local, transformando conhecimento científico em narrativa poética na avenida.
Assinado pelo carnavalesco Petterson Alves, o desfile teve como base a obra Viagem ao Espírito Santo – 1888, reinterpretada em forma de samba, cores e movimentos. A proposta foi revelar um Espírito Santo exuberante, diverso e pulsante, ao mesmo tempo em que convidava o público a refletir sobre o cuidado com a natureza e o futuro ambiental.
Com cerca de 1.300 componentes distribuídos em 20 alas, a MUG apresentou um conjunto visual marcado por luxo, harmonia e forte impacto estético. Fantasias ricamente trabalhadas, alegorias grandiosas e efeitos especiais reforçaram a coesão do desfile, enquanto o canto forte dos componentes ecoava pela avenida.
Foto: Marcos Salles/Leonardo Silveira
A Comissão de Frente abriu a apresentação com uma encenação simbólica em que a natureza assumiu o papel central. Bailarinos caracterizados como araras vermelhas traduziram, por meio da dança, a comunicação entre mundos e o chamado de alerta da floresta. No centro da cena, Teresa da Baviera surgia como observadora atenta, disposta a aprender e respeitar o ritmo da mata.
O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira conduziu o pavilhão da escola com leveza e precisão, simbolizando a acolhida da floresta à cientista viajante. A coreografia dialogou diretamente com o enredo e arrancou aplausos espontâneos do público.
A ancestralidade também esteve presente em alas que exaltaram os povos originários como guardiões do território. Fantasias, gestos e símbolos valorizaram os saberes indígenas e reforçaram a relação profunda entre cultura, terra e memória.
O abre-alas impressionou pela grandiosidade ao representar uma floresta viva, repleta de troncos, raízes, palmeiras e espelhos d’água. O conjunto visual convidou o público a observar, com atenção e sensibilidade, a riqueza do ambiente natural retratado no desfile.
A bateria Pura Ousadia conduziu a escola com ritmo envolvente e criatividade. Com uma construção musical que alternou tensão e suavidade, os ritmistas transformaram a jornada científica em uma verdadeira sinfonia da floresta, mantendo o Sambão do Povo em sintonia com a narrativa.
À frente da bateria, a rainha mostrou energia e conexão total com o ritmo, reforçando a força e o encantamento do setor. O equilíbrio entre impacto sonoro e sensibilidade artística foi um dos pontos altos da apresentação.
No encerramento, a última alegoria simbolizou o retorno de Teresa da Baviera à Europa, levando consigo não apenas registros científicos, mas uma herança de respeito, troca cultural e compromisso com a preservação ambiental.
Ao cruzar a linha final, a MUG foi ovacionada por um público que reconheceu a delicadeza e a profundidade do desfile. Com poesia e consciência, a escola reafirmou o carnaval como ferramenta de educação, memória e reflexão no Carnaval de Vitória 2026.
Fonte: Site/PMV





































































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