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ANÁLISE: Vitória corre. O Espírito Santo engatinha.


Foto: Divulgação


Como uma capital pequena humilha o próprio Estado em competitividade, gestão e visão de futuro


Vitória não apenas lidera o Espírito Santo. A gestão de Vitória constrange a gestão do estado do Espírito Santo. E os números deixam isso escancarado.


Enquanto a capital capixaba aparece no topo do Ranking de Competitividade dos Municípios, superando megacidades como São Paulo, Campinas e Belo Horizonte, o Estado do Espírito Santo permanece preso a uma gestão burocrática, lenta e estruturalmente acomodada, incapaz de transformar equilíbrio fiscal em prosperidade real para a população.




A pergunta que se impõe não é retórica — é política, técnica e moral: como uma máquina municipal pequena, com orçamento limitado, consegue entregar mais eficiência, mais competitividade e mais futuro do que a máquina estatal inteira?


Os dados não mentem — eles acusam.


Segundo o Centro de Liderança Pública (CLP), Vitória figura entre as cidades mais competitivas do Brasil, liderando ou ocupando posições de destaque em pilares estratégicos como:


1. Capital Humano


2. Ambiente de Negócios


3. Eficiência da Máquina Pública


4. Sustentabilidade Fiscal Municipal.


5. Qualidade dos Serviços Urbanos


6. Vitória abre empresas mais rápido.


Vitória executa melhor o orçamento.


Vitória tem indicadores superiores em educação básica, gestão fiscal e governança.


Tudo isso com menos arrecadação, menos estrutura e menos poder político do que o governo estadual.


Enquanto isso, o Espírito Santo — que deveria ser o motor integrador desse sucesso — patina no ranking nacional de competitividade entre os estados, sustentado quase exclusivamente por um único discurso: “somos fiscalmente responsáveis”.


Solidez fiscal sem desenvolvimento é contabilidade morta.


É verdade: o Espírito Santo costuma aparecer bem em solidez fiscal.


Mas aqui está o ponto que a propaganda oficial omite:


👉 solidez fiscal não é sinônimo de desenvolvimento.


👉 equilíbrio de contas não é projeto de futuro.


Estados líderes de verdade convertem equilíbrio fiscal em: infraestrutura moderna, inovação produtiva, educação técnica avançada, atração agressiva de investimentos e salto tecnológico e industrial.


O Espírito Santo não faz isso em escala estrutural.


O resultado é um paradoxo constrangedor: uma capital com padrão de cidade global ancorada em um estado que opera com mentalidade administrativa dos anos 2000.


A máquina municipal entrega. A estadual emperra.


Vitória demonstra algo que desmonta o discurso estatal: o problema não é falta de dinheiro — é falta de visão, integração e ousadia.


A prefeitura: trabalha com metas claras, usa dados para decidir, executa políticas com foco em resultado, reduz burocracia, melhora o ambiente econômico local.


O Estado: fragmenta políticas públicas, centraliza decisões, demora na execução, opera mais para manter estabilidade política do que para provocar transformação estrutural.


Vitória governa para produzir impacto.


O Estado governa para evitar risco. E quem evita risco em um mundo competitivo fica para trás.


Por que o sucesso de Vitória não irradia?


Porque não existe um projeto estadual robusto de desenvolvimento integrado. Não há política industrial moderna, estratégia estadual de inovação, integração real entre capital e interior, plano agressivo de competitividade logística e tecnológica ambição proporcional ao potencial capixaba.


O Espírito Santo vive uma espécie de síndrome da mediocridade confortável: não está quebrado, mas também não avança. Vitória rompeu esse teto.


O Estado se acomodou nele. O preço dessa estagnação é social.


Essa disparidade cobra um preço alto: concentração de oportunidades na capital, interior enfraquecido, juventude migrando, baixa diversificação econômica, dependência excessiva de setores tradicionais e incapacidade de dar um salto civilizatório.


Enquanto Vitória se posiciona como cidade competitiva no século XXI,

o Espírito Santo continua administrando o presente com medo do futuro.


Conclusão: o Estado precisa aprender com sua própria capital.

Vitória expõe, com dados e resultados, o atraso estrutural da gestão estadual. Ela prova que eficiência não depende de gigantismo, mas de inteligência administrativa, liderança e projeto.


Se o Espírito Santo não for capaz de: modernizar sua governança,

integrar políticas públicas, transformar solidez fiscal em desenvolvimento real, ousar estrategicamente, continuará sendo um estado com enorme potencial desperdiçado, sustentado por uma capital que corre sozinha — enquanto o restante do território assiste, parado.


Vitória mostra o caminho.

O Estado insiste em não seguir.

 
 
 

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