ANÁLISE: Vitória corre. O Espírito Santo engatinha.
- Addison Viana
- 28 de jan.
- 3 min de leitura

Foto: Divulgação
Como uma capital pequena humilha o próprio Estado em competitividade, gestão e visão de futuro
Vitória não apenas lidera o Espírito Santo. A gestão de Vitória constrange a gestão do estado do Espírito Santo. E os números deixam isso escancarado.
Enquanto a capital capixaba aparece no topo do Ranking de Competitividade dos Municípios, superando megacidades como São Paulo, Campinas e Belo Horizonte, o Estado do Espírito Santo permanece preso a uma gestão burocrática, lenta e estruturalmente acomodada, incapaz de transformar equilíbrio fiscal em prosperidade real para a população.


A pergunta que se impõe não é retórica — é política, técnica e moral: como uma máquina municipal pequena, com orçamento limitado, consegue entregar mais eficiência, mais competitividade e mais futuro do que a máquina estatal inteira?
Os dados não mentem — eles acusam.
Segundo o Centro de Liderança Pública (CLP), Vitória figura entre as cidades mais competitivas do Brasil, liderando ou ocupando posições de destaque em pilares estratégicos como:
1. Capital Humano
2. Ambiente de Negócios
3. Eficiência da Máquina Pública
4. Sustentabilidade Fiscal Municipal.
5. Qualidade dos Serviços Urbanos
6. Vitória abre empresas mais rápido.
Vitória executa melhor o orçamento.
Vitória tem indicadores superiores em educação básica, gestão fiscal e governança.
Tudo isso com menos arrecadação, menos estrutura e menos poder político do que o governo estadual.
Enquanto isso, o Espírito Santo — que deveria ser o motor integrador desse sucesso — patina no ranking nacional de competitividade entre os estados, sustentado quase exclusivamente por um único discurso: “somos fiscalmente responsáveis”.
Solidez fiscal sem desenvolvimento é contabilidade morta.
É verdade: o Espírito Santo costuma aparecer bem em solidez fiscal.
Mas aqui está o ponto que a propaganda oficial omite:
👉 solidez fiscal não é sinônimo de desenvolvimento.
👉 equilíbrio de contas não é projeto de futuro.
Estados líderes de verdade convertem equilíbrio fiscal em: infraestrutura moderna, inovação produtiva, educação técnica avançada, atração agressiva de investimentos e salto tecnológico e industrial.
O Espírito Santo não faz isso em escala estrutural.
O resultado é um paradoxo constrangedor: uma capital com padrão de cidade global ancorada em um estado que opera com mentalidade administrativa dos anos 2000.
A máquina municipal entrega. A estadual emperra.
Vitória demonstra algo que desmonta o discurso estatal: o problema não é falta de dinheiro — é falta de visão, integração e ousadia.
A prefeitura: trabalha com metas claras, usa dados para decidir, executa políticas com foco em resultado, reduz burocracia, melhora o ambiente econômico local.
O Estado: fragmenta políticas públicas, centraliza decisões, demora na execução, opera mais para manter estabilidade política do que para provocar transformação estrutural.
Vitória governa para produzir impacto.
O Estado governa para evitar risco. E quem evita risco em um mundo competitivo fica para trás.
Por que o sucesso de Vitória não irradia?
Porque não existe um projeto estadual robusto de desenvolvimento integrado. Não há política industrial moderna, estratégia estadual de inovação, integração real entre capital e interior, plano agressivo de competitividade logística e tecnológica ambição proporcional ao potencial capixaba.
O Espírito Santo vive uma espécie de síndrome da mediocridade confortável: não está quebrado, mas também não avança. Vitória rompeu esse teto.
O Estado se acomodou nele. O preço dessa estagnação é social.
Essa disparidade cobra um preço alto: concentração de oportunidades na capital, interior enfraquecido, juventude migrando, baixa diversificação econômica, dependência excessiva de setores tradicionais e incapacidade de dar um salto civilizatório.
Enquanto Vitória se posiciona como cidade competitiva no século XXI,
o Espírito Santo continua administrando o presente com medo do futuro.
Conclusão: o Estado precisa aprender com sua própria capital.
Vitória expõe, com dados e resultados, o atraso estrutural da gestão estadual. Ela prova que eficiência não depende de gigantismo, mas de inteligência administrativa, liderança e projeto.
Se o Espírito Santo não for capaz de: modernizar sua governança,
integrar políticas públicas, transformar solidez fiscal em desenvolvimento real, ousar estrategicamente, continuará sendo um estado com enorme potencial desperdiçado, sustentado por uma capital que corre sozinha — enquanto o restante do território assiste, parado.
Vitória mostra o caminho.
O Estado insiste em não seguir.

























































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