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Caso Monique: Justiça decreta prisão preventiva de Mário Almeida; conheça ainda outros detalhes desse crime que chocou São José do Calçado.

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Reprodução/instagram - Mário se entregou voluntariamente.



A investigação sobre o assassinato de Monique Fernandes ganhou novos desdobramentos. Além da decretação da prisão preventiva de Mário Almeida Pinto, a Polícia Civil revelou como ocorreu a apresentação espontânea do autor confesso e novos detalhes reforçam a frieza demonstrada por ele durante os 24 dias em que a vítima esteve desaparecida.


A Justiça decretou a prisão preventiva de Mário Almeida Pinto, de 46 anos, autor confesso do feminicídio de Monique Fernandes, de 33 anos, encontrada enterrada dentro da própria casa onde o casal morava, em São José do Calçado, no Sul do Espírito Santo. A decisão foi tomada após o avanço das investigações da Polícia Civil, que apontam que o suspeito matou a companheira, ocultou o corpo e, dias depois, apresentou-se espontaneamente na delegacia acompanhado de um advogado para confessar o crime.


Segundo informações repassadas pela Polícia Civil ao Café com Política ES, Mário já havia sido chamado diversas vezes para prestar esclarecimentos durante as investigações. Como companheiro da vítima, ele era o principal foco das apurações, mas os investigadores afirmam que não havia ainda elementos suficientes para responsabilizá-lo criminalmente naquele momento.


Foi somente quando decidiu procurar a Delegacia de Polícia, acompanhado de seu advogado, que Mário confessou ter matado Monique e indicou aos policiais o cômodo da residência onde havia enterrado o corpo.


Inicialmente, ele foi autuado em flagrante pelo crime de ocultação de cadáver, considerado um crime permanente. Com o aprofundamento das investigações, a Justiça converteu a situação em prisão preventiva, permitindo que ele permaneça preso durante a tramitação do inquérito.


Investigação reuniu diversos indícios


Durante os dias em que Monique permaneceu desaparecida, a Polícia Civil realizou diligências em hospitais, institutos médicos legais e unidades de saúde de diferentes cidades, além de verificar informações bancárias e outras hipóteses que pudessem explicar o desaparecimento.


Os investigadores também observaram que a conta bancária da vítima permaneceu sem qualquer movimentação após o desaparecimento e que familiares relataram ser completamente incomum Monique deixar de manter contato com a mãe e, principalmente, com os filhos.


Segundo a polícia, todos esses elementos reforçavam que havia algo incompatível com um desaparecimento voluntário.


"Ele levava a vida normalmente"


Um dos aspectos que mais impressionou investigadores e moradores foi a aparente tranquilidade demonstrada por Mário durante os 24 dias em que o corpo permaneceu enterrado dentro da residência.


Conforme relatos obtidos pelo Café com Política ES, ele continuou trabalhando normalmente, participava da rotina da cidade, conversava com vizinhos, fazia brincadeiras no ambiente de trabalho e chegou até a participar de uma festa promovida por uma empresa onde trabalhou.


Colegas de trabalho e pessoas próximas afirmaram que, em nenhum momento, perceberam qualquer comportamento que levantasse suspeitas sobre seu envolvimento no desaparecimento da companheira.


A Polícia Civil também destacou que Mário possuía boa reputação profissional e não tinha antecedentes criminais, circunstâncias que dificultaram ainda mais as investigações nas primeiras semanas.


Convite à amiga chamou atenção


Após a localização do corpo, a amiga de Monique, Aline Oliveira, revelou ao Café com Política ES um episódio que hoje considera perturbador.


Poucos dias depois do desaparecimento da vítima, Mário entrou em contato oferecendo cerveja e insistindo para que os dois se encontrassem.


"Nós éramos muito amigos. Eu, Monique e ele conversávamos muito. Acho que a intenção dessa cerveja era me calar, porque eu estava questionando muito ele sobre o sumiço da Monique. Primeiro ele queria que eu fosse buscar a cerveja. Depois disse que levaria até minha casa. Parei de atender e, graças a Deus, não peguei essa cerveja. Acho que tive um livramento", afirmou.

Ligação levantou suspeitas


Outro relato que passou a chamar a atenção foi feito por João Elias, ex-marido de Monique.


Ele contou que, no domingo (19), telefonou para Mário, que afirmou estar em casa. Durante a ligação, porém, João disse ter ouvido o investigado sussurrando para que alguém permanecesse em silêncio.


Na ocasião, o fato causou estranheza, mas somente após a confissão do crime passou a ser interpretado sob outra perspectiva pelos familiares.


Pano sobre o rosto chamou atenção da perícia


Outro detalhe observado durante a perícia foi a forma como o corpo de Monique foi encontrado.


A vítima estava com um pano cobrindo apenas o rosto, enquanto o restante do corpo permanecia descoberto. De cordo com períto que estavam no local, o corpo está muito bem conrvado pelo tempo em que supostamente Monique foi assassinada.


Em depoimento, Mário afirmou que matou Monique dentro do quarto do casal e utilizou um cobertor para arrastar o corpo até outro cômodo da residência, onde abriu uma cova, enterrou a vítima e refez o piso para ocultar o cadáver.


As circunstâncias relacionadas à ocultação do corpo continuam sendo analisadas pela Polícia Civil.


Corpo permanece no IML


O corpo de Monique continua no Instituto Médico Legal (IML) de Cachoeiro de Itapemirim desde a última sexta-feira.


Segundo informações apuradas pelo Café com Política ES, a liberação ainda depende da apresentação de documentos que comprovem oficialmente o vínculo de maternidade entre a vítima e sua mãe, Silvana, responsável pelo reconhecimento do corpo.


Enquanto a documentação não é concluída, a família permanece sem previsão para realizar o velório e o sepultamento de Monique, que deixa dois filhos, de 12 e 14 anos.

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