top of page

Professor Fabian vira foco da disputa pelo Senado e expõe racha na esquerda capixaba.

13 de jul.
4 min de leitura

Por Addison Viana


Foto: Reproução com arte Café - Em conversa com a reportagem do Café com Política ES, o professor Carlos Fabian afirmou que sua pré-candidatura jamais foi construída para dividir a esquerda.




A pré-candidatura do professor Carlos Fabian (Psol) ao Senado Federal, que começou como uma aposta para ampliar o diálogo da esquerda com novos setores da sociedade, passou a ocupar um espaço muito maior no tabuleiro político capixaba. Mesmo sendo um estreante em disputas majoritárias, Fabian se tornou protagonista de um embate que envolve partidos aliados, lideranças nacionais e até o Palácio Anchieta.


Nos últimos dias, dirigentes do Psol afirmaram publicamente que houve pressão para que o partido desistisse da candidatura. A reação veio no sábado (11), durante o lançamento das pré-candidaturas do chamado "Time do Lula", em Cachoeiro de Itapemirim, quando a deputada estadual Camila Valadão (Psol) fez questão de reafirmar que o nome de Fabian está mantido na disputa.


"Casagrande não é do Time do Lula", diz Camila


Ao comentar as pressões para retirada da candidatura, Camila Valadão declarou que o Psol defende dois candidatos ao Senado no campo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o senador Fabiano Contarato (PT) e o professor Fabian (PSOL).


Durante a entrevista concedida ao Século Diário, a parlamentar afirmou que Renato Casagrande (PSB) "não é do Time do Lula", argumentando que o governador não assumiu publicamente o compromisso de fazer campanha para a reeleição do presidente.


A declaração ocorre em um contexto específico. Embora o PSB nacional componha a base do governo Lula e tenha o vice-presidente Geraldo Alckmin como integrante da chapa presidencial, no Espírito Santo Casagrande manteve, nas últimas eleições, uma postura mais independente em relação à campanha presidencial.


Além disso, Psol e PT pertencem a federações diferentes. O Psol integra a Federação Psol-Rede, enquanto o PT faz parte da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Apesar dessa separação organizacional, o Psol já declarou nacionalmente apoio à reeleição de Lula e defende a construção de um campo progressista nas eleições de 2026.


Fabian: "A candidatura nasceu para fortalecer Lula"


Em conversa com a reportagem do Café com Política ES, o professor Carlos Fabian afirmou que sua pré-candidatura jamais foi construída para dividir a esquerda.


Segundo ele, desde o início o projeto foi apresentado como uma forma de fortalecer a reeleição de Lula, a candidatura de Helder Salomão ao Governo do Estado e a reeleição de Fabiano Contarato ao Senado.


"Essa pré-candidatura foi dialogada com amplos setores do campo progressista. Perguntamos como poderíamos ajudar a reeleição do presidente Lula, a eleição de Helder Salomão e a reeleição do senador Fabiano Contarato."

Segundo Fabian, a proposta é levar o debate político para regiões onde, em sua avaliação, a esquerda tradicional tem dificuldade de alcançar.


Críticas ao governo Casagrande


Na entrevista, Fabian afirma que o principal incômodo provocado por sua candidatura estaria relacionado ao discurso crítico que vem fazendo sobre a gestão estadual.


Segundo ele, sua campanha pretende colocar em debate temas como:


  • segurança pública;

  • direitos humanos;

  • educação;

  • política ambiental;

  • desigualdade social;

  • moradia;

  • violência policial.


Para o pré-candidato, esse conjunto de críticas explicaria a reação de setores ligados ao Palácio Anchieta.


"A possibilidade de colocar o governo em avaliação é o que tem incomodado setores mais vinculados ao Palácio Anchieta."

Pressão sobre a Federação Psol-Rede


Fabian também confirmou ao Café com Política ES que, segundo seu relato, houve movimentações para convencer integrantes da Rede Sustentabilidade a retirar sua candidatura dentro da Federação Psol-Rede.

Ele afirma, porém, que considera difícil compreender essa tentativa.


"Você pode não me apoiar, mas impedir até que eu seja candidato não faz sentido."

De acordo com o professor, a Rede não possui candidatura própria ao Governo do Estado nem ao Senado, razão pela qual acredita que sua pré-candidatura deverá ser mantida após reunião da federação prevista para esta semana.


O cálculo político por trás da disputa


Nos bastidores, a disputa envolve uma estratégia eleitoral mais ampla.

Enquanto a Federação Brasil da Esperança trabalha oficialmente apenas com a candidatura de Fabiano Contarato ao Senado e busca manter diálogo político com Renato Casagrande, o Psol sustenta que sua candidatura amplia a presença do campo progressista e fortalece a campanha de Lula.


Já integrantes da Federação Brasil da Esperança defendem que uma terceira candidatura ao Senado poderia fragmentar votos entre eleitores de esquerda.


Um estreante que passou a incomodar


Independentemente do desfecho das negociações entre os partidos, a pré-candidatura de Carlos Fabian já produziu um efeito político evidente.


Mesmo sem nunca ter disputado um cargo majoritário, o professor passou a ocupar espaço no debate eleitoral, tornou-se tema de reuniões entre partidos e motivou manifestações públicas de dirigentes políticos.


Na avaliação do próprio Fabian, isso demonstra que sua candidatura deixou de ser apenas um projeto partidário e passou a interferir diretamente na estratégia eleitoral dos principais grupos políticos do Espírito Santo.


"Nossa pré-candidatura ganha muita força e se torna extremamente necessária para contribuir com o campo progressista, fortalecer o time do Lula e apresentar as denúncias que consideramos urgentes."

Nota de contexto: As afirmações atribuídas ao professor Carlos Fabian e à deputada Camila Valadão refletem suas declarações públicas e entrevistas. As referências a pressões oriundas do Palácio Anchieta correspondem ao relato de Fabian e de dirigentes do Psol. Até o momento, não há manifestação pública do Governo do Espírito Santo confirmando essa versão. Caso haja posicionamento oficial dos citados, o Café com Política ES publicará o contraditório.

Comentários


Leia também:

bottom of page