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Espírito Santo institui o Dia Estadual do Rock Capixaba em homenagem a Alexandre Lima.


Por Sérgio Oliveira bloglastminutenews@proton.me


Foto: Divulgaçãol - A iniciativa celebra a força do rock produzido em solo capixaba e presta homenagem póstuma a Alexandre Lima, um dos nomes mais importantes da música autoral do Espírito Santo


O cenário cultural do Espírito Santo ganhou um novo marco oficial. Em 22 de dezembro de 2025, foi sancionada a Lei nº 12.705, de autoria da deputada estadual Iriny Lopes (PT), que cria o Dia Estadual do Rock Capixaba “Alexandre Lima”, passando a integrar o calendário oficial do Estado.


A iniciativa celebra a força do rock produzido em solo capixaba e presta homenagem póstuma a Alexandre Lima, um dos nomes mais importantes da música autoral do Espírito Santo, referência incontornável da cena independente e criador de uma identidade musical própria.


De acordo com a Lei nº 12.705, o Dia Estadual do Rock Capixaba “Alexandre Lima” será celebrado anualmente em 3 de junho. A data simboliza o reconhecimento institucional da relevância cultural do gênero e do legado deixado pelo artista, cujo nome passa a representar não apenas uma trajetória individual, mas toda uma cena musical construída ao longo de décadas no Estado.


Alexandre Lima: música, identidade e resistência


Alexandre Lima nasceu em 23 de abril de 1969, uma quarta-feira, e faleceu em 28 de março de 2024, uma quinta-feira, aos 54 anos. Sua trajetória artística foi interrompida de forma dramática em 29 de novembro de 2013, uma sexta-feira, quando passou mal durante uma reunião de trabalho em Vitória, período em que atuava como gestor cultural.


O músico sofreu um grave problema de saúde, que o manteve em coma por mais de uma década, até seu falecimento. Mesmo afastado dos palcos, continuou sendo uma referência simbólica e artística para a música capixaba, especialmente pelo estilo que criou, defendeu e difundiu: o Rockongo.


O Rockongo e a banda Manimal


Alexandre Lima foi o idealizador do Rockongo, movimento musical que uniu a força do rock às batidas ancestrais do congo capixaba, incorporando também elementos do reggae e de outros ritmos populares do Espírito Santo. A proposta transformou a identidade musical local em uma linguagem contemporânea, sem romper com suas raízes culturais.


À frente da banda Manimal, fundada em 1995, ajudou a projetar o Espírito Santo para além de suas fronteiras. O grupo se destacou pela sonoridade original, letras engajadas e performances marcantes, participando de festivais nacionais e internacionais, incluindo eventos culturais ligados à Copa do Mundo da Alemanha, em 2006.


Entre os principais trabalhos da Manimal estão os álbuns Manimal (1997), Tow Tow (2000) e Espírito Congo (2002), além de registros ao vivo que consolidaram a banda como uma das mais importantes da música capixaba.


A trajetória do grupo também foi marcada por perdas profundas. O baterista Queirozinho morreu vítima de infarto, pouco antes de um show. Diante da ausência irreparável do companheiro, Alexandre Lima decidiu encerrar as atividades da Manimal como gesto de respeito, luto e fidelidade à história construída coletivamente. A banda não terminou por esgotamento artístico, mas por humanidade.


Em 2025, a escola de samba Mocidade da Praia levou para a avenida o enredo “Alex do Espírito Santo”, em homenagem a Alexandre Lima, durante o Carnaval de Vitória, reforçando a presença do artista na memória cultural capixaba e aproximando sua obra de novas gerações.


Reconhecimento e identidade cultural


Para representantes da área cultural, o Dia Estadual do Rock Capixaba vai além de uma homenagem individual. A data simboliza o reconhecimento de uma cena musical historicamente marginalizada e reafirma o rock como parte integrante da identidade cultural do Espírito Santo.


Ao eternizar o nome de Alexandre Lima no calendário oficial, o Estado preserva a memória de um artista que transformou dor, ritmo e pertencimento em música — e garantiu que o rock capixaba tenha, enfim, um dia para chamar de seu.


E talvez não seja coincidência que sua história tenha sido marcada por quarta, quinta e sexta-feira. A quarta do nascimento, início da canção; a sexta da dor silenciosa, quando o corpo fraqueja e a alma resiste; e a quinta da partida, tempo de travessia. Como nas Escrituras, há dias de criação, dias de espera e dias de passagem.


Alexandre viveu esses três tempos e deixou como herança o som que não morre. Porque quem transforma o chão em música atravessa o tempo — e continua tocando, mesmo quando o palco se chama eternidade.


O tempo passou em compasso marcado, como uma canção escrita em três dias: quarta, quinta e sexta-feira. Há nisso uma curiosidade que chama atenção: Alexandre Lima nasceu em uma quarta-feira, passou mal em uma sexta-feira e morreu em uma quinta-feira, como se sua história tivesse sido pontuada por esse tríptico do tempo.


Cada dia deixou sua nota na memória, registrando a travessia de quem passou por aqui e ficou. Também ficaram as ausências — como a de Queirozinho, baterista da Manimal, cuja morte levou Alexandre a encerrar a banda em respeito ao amigo e à própria história do grupo. Hoje, lá de cima, eles parecem cantar juntos, transformando saudade em melodia: “Foi na puxada de rede que meu amor me presenteou.”

 
 
 

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